Gerente de projetos também combate corrupção

Nova Escola de Marketing
12 de fevereiro de 2010

Credibilidade não vem apenas com certificação PMP e supervisão do projeto. Além de reforçar a governança, é preciso saber lidar com a imputabilidade nos empreendimentos, sem favorecer grupos específicos.

Há alguns anos tive a oportunidade de participar de um curso de extensão em Gerenciamento de Projetos na Nova Zelândia, oferecido pela Victoria University of Wellington.

A Nova Zelândia é, atualmente, a primeira colocada no ranking dos países menos corruptos do mundo¹,  segundo a organização Transparência Internacional.

Este peculiar atributo me motivou na escolha do tema para a apresentação que cada aluno faria no último dia de aula: Ética em Gerenciamento de Projetos.

O que poderia interessar a uma turma de experientes profissionais em um país com baixíssimo índice de corrupção?

Tratei de um assunto que eles não tinham como muito relevante na carreira de gerenciamento de projetos. Falei sobre a condição do gerente de projetos no Brasil, país que ocupa, atualmente, a 75ª posição no mesmo ranking¹.

A idéia não foi reforçar uma triste realidade brasileira, mas mostrar que ela existe e que diversidades culturais influenciam a postura de um gerente de projeto.

Considerando ainda empreendimentos em conjunto ou para o governo (em qualquer esfera: federal, estadual ou municipal), a ética em gerenciamento de projetos se faz fundamental, ao ponto que defendo que esta seja considerada uma área de conhecimento e não apenas regida por um código de conduta, como faz o Project Management Institute – PMI².

O gerente de projeto pode atuar como um agente anti-corrupção.

O papel de planejador, executor e controlador integra-se perfeitamente às responsabilidades exigidas dentro de qualquer contrato em termos de uso de recursos e transparência.

Transportando para o ambiente de recursos públicos, cuja fonte são as receitas com pagamento de impostos, temos um ator de papel fundamental, desde que respeitadas as contra-partidas de autonomia (capacidade de ter acesso às informações e tomada de decisão) e comunicação (acesso aos principais stakeholders).

Um Conselho de Classe (ou o próprio PMI como instituição neutra e com foco na evolução do gerenciamento de projetos) também tem um papel importante nesse posicionamento.

Ser agente de mudança requer que as ações sejam supervisionadas, questionadas e mesmo punidas por uma entidade superior.

E isto não é novidade. Veja os casos de CREA, OAB, CRM. A busca por padrões, melhorias e oficializações requer governança.

Não defendo que a certificação PMP (Project Management Professional) seja o título de facto, mas a credibilidade deve ser construída, mantida e regida por um conjunto comum, assim como a ética e moral da classe que a está representando. Que, por sua vez, deve refletir os costumes locais e não somente dos Estados Unidos.

Na apresentação, expus que a ética, como conjunto de boas práticas, é fundamental para o gerente de projetos e deve ter a sua importância e disseminação elevada quando o ambiente favorece desvios de conduta, impede a transparência das informações e tendem a favorecer grupos específicos.

A reação da turma não poderia ter sido melhor.

Não foi por pena, não foi de agradecimento por estarem em um ambiente parcialmente livre destas preocupações. Foi de interesse e de percepção do poder da diversidade cultural.

O gerente de projeto tem como principal função “fazer a coisa acontecer”. Dentro deste simples mote existem várias e diversas atividades que vão do planejamento ao encerramento do projeto.

As variáveis que compõe um empreendimento fazem do gerente de projeto um equilibrista digno do Cirque du Soleil. E a ética deve fazer parte disto tudo. [Webinsider]

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Referências:

[1]Lista oficial da Transparência Internacionai com os resultados de 2009 (em inglês):
http://transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2009/cpi_2009_table http://www.edutube.org/interactive/corruption-perception-index-cpi-2009-interactive-world-map (lista interativa, em inglês)

[2] Código de Ética e Conduta Profissional do Project Management Institute:
http://www.pmi.org/PDF/ap_pmicodeofethics_POR-Final.pdf (em português)
http://www.pmi.org/PDF/AP_PMICodeofEthics.pdf (em inglês)

[3] Certificação PMP – Project Management Professional (em inglês):
http://www.pmi.org/CareerDevelopment/Pages/AboutCredentialsPMP.aspx

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2 respostas para “Gerente de projetos também combate corrupção”

  1. » O perfil profissional do gerente de projetos Webinsider disse:

    […] artigo O gerente de projetos também combate a corrupção defendi que Ética seja considerada uma área de conhecimento do PMBOK. É um assunto complexo, […]

  2. Aléxia Lage disse:

    Oi Giovanni, que bom ver um texto seu publicado aqui! Parabéns pelo ótimo artigo!

    Em tempos de banalização da corrupção e exiguidade de ética, seu texto é um colírio para os olhos e me mostra que ainda há uma luz no fim do túnel.

    Uma ideia sua que me chamou a atenção, e da qual muito gostei, é alçar a Ética a uma nova área de conhecimento no PMBOK. Isso daria uma importância e um destaque merecidos a um tema tão imprescindível. Porque, quer queira, quer não, a conduta do Gerente de Projeto acaba representando em grande parte algo que não é tangível, mas é facilmente detonável: reputação. Para consegui-la levam-se anos. Para destruí-la, bastam apenas alguns segundos.

    Espero ver mais textos seus publicados aqui!

    Grande abraço
    Aléxia Lage

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