Sem tesão não dá: a nova postura profissional

Nova Escola de Marketing
27 de outubro de 2010

Existe uma geração inteiramente diferente no mercado e que requer uma atualização na postura dos gestores.

Como disse o pichador de um cemitério em São Paulo que inspirou o psiquiatra Roberto Freire a escrever seu livro: sem tesão não há solução. A tão referenciada geração Y (nascidos entre o final da década de 70 e início dos anos 80) sabe o que é isso.

Maslow delineou as necessidades fundamentais, mas o ser humano, em sua constante evolução, não é estático. Não basta mais atender somente as necessidades básicas (biológicas e de segurança), afetivas e de realização. Há uma geração de profissionais que busca o tesão, busca um sentimento de paixão profissional que se sobressai ao salário e à segurança profissional.

Roberto Freire sabiamente explica o sentido da palavra neste contexto: trata-se de um interesse que não é apenas mental, existencial, mas também corporal e sensorial. Ou seja, é um interesse motivador que causa êxtase pela importância individual. E este sentimento é tão poderoso que muitas vezes se sobressai aos delineados por Maslow.

Trabalhar por vontade própria na reconstrução do Iraque, em uma missão de paz no Afeganistão ou no socorro às vitimas do Haiti requer uma dose considerável de tesão (claro, desconte quem faz qualquer coisa por dinheiro). Menos exagerado, considere o seu amigo que largou a multinacional para empreender.

São comuns as histórias de abandono de carreira promissora (do ponto de vista hierárquico) de profissionais que trocam salário por motivação.

Na década de 80 e início dos anos 90, sair de uma empresa com menos de dois anos de trabalho era visto com péssimos olhos. Esta geração Y aprendeu a correr riscos. Teve a ajuda, claro, da globalização, da abertura de mercado e do crescimento vertiginoso da indústria de bens e serviços, que proporcionaram mais opções e facilitaram o crescimento da postura de assumir o risco da mudança. Mesmo assim, há o mérito.

Seth Godin é o autor de um excelente livro que muito enaltece a postura de quem tem tesão em Linchpin: Are you indispensable?. Reflete a mudança da postura profissional de quem quer ser visto como referência, peça chave (linchpin). Para se destacar é necessário fazer bem feito, e nada melhor para motivar a fazer bem feito do que ter tesão pelo que se faz, diferente de fazer somente pela responsabilidade e/ou o salário ao final do mês.

Existe uma geração inteiramente diferente no mercado e que requer uma atualização na postura dos gestores. Salário por si só já não é suficiente. Dê-lhes desafios e algo em que acreditar. [Webinsider]

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18 respostas para “Sem tesão não dá: a nova postura profissional”

  1. Caro Reginaldo,

    Infelizmente não existe uma fórmula única, mas considere que o primeiro passo é identificar os fatores da desmotivação. Podem ser diversas e ainda exclusivamente pessoais. A ferramenta indicada para fazer este mapeamento é a boa, tradicional e eficiente conversa individual. A conversa em grupo também é recomendada, desde que moderada para não se perder na “lavação de roupa suja”.

    Esta é uma ação que deve ser top-down na estrutura organizacional da equipe. Os integrantes também podem ter esta iniciativa, mas para um gestor centralizador e despreocupado, receber um “relatório de motivação” pode parecer um planejamento de motim. É um risco que pode ser aceitável dependendo do grau de insatisfação, porém deve ser unânime: todos, sem exceção, devem estar dispostos a ponderar sobre a situação da equipe, pois esta não fala apenas por um.

    Não vejo um grupo de estudos como fator motivacional. Aliás, vejo isto como uma reação à motivação.

    Aproveitando, há um artigo recente no Webinsider que trata sobre o assunto e possui dicas importantes:

    http://webinsider.uol.com.br/2011/04/20/como-acabar-com-a-motivacao-da-sua-equipe/

    Grande abraço,
    Giovanni Giazzon

  2. Reginaldo Santos disse:

    Concordo plenamente com o texto, mas deixo uma questão: Como trazer de volta o tesão para uma equipe à muito desgastada pelo comodismo individual e gestorial? Qual o formato ideal para organizar um grupo de estudos, por exemplo, para tentar resgatar tal sentimento?

  3. Osmar Nogueira disse:

    Engraçado que a Geração Y coexiste com a Geração Canguru, onde nessa última os filhos tem possibilidade de sair tardiamente da casa dos pais. Essa geração (eu me incluo nela), só pensa em casamento depois de fazer pós-graduação, viajar pro exterior, etc… Filhos então, só depois dos 30. Com isso, fica fácil correr “riscos”, pular de uma empresa pra outra, empreender, afinal, na pior das hipóteses há sempre um quartinho e comida na mesa na casa do “papai”. O bom disso tudo é isso leva o país pra frente, gera empregos… Já conheço casos de gente da Geração Y que tão logo começou a precisar de uma renda fixa para subsidiar a vida efetivamente adulta, com filhos e esposa, largou tudo e foi fazer um concurso público. Temos que nos atentar também que mais e mais estão aprecendo empresas com baixos salários, sem plano de carreira nenhum e que oferecem como consolo ambientes descontraídos e possibilidade de “tabalhar de bermuda” como muitos mencionam, principalmente empresas novas e pequenas. Se você está nessa situação, avalie se está realmente valendo a pena, se além da bermuda você também está aprendendo e crescendo na carreira. A famosa promessa de se tornar “sócio” da empresa num futuro, pode nunca chegar… Valeria a pena abrir mão e usar calça comprida para ter uma melor condição a médio prazo? O importante no final é sentir-se realizado, vivendo o presente mas não ignorando o futuro. Não seremos jovens para sempre, e logo logo a Geração Z tá assombrando nossa vida com propostas diferentes.

  4. Elton disse:

    Parabéns Giovanni pelo artigo.

    Àqueles que discordam do colega.
    Basta olhar para os cargos públicos ocupados através de concursos, evidentemente que nem sempre tesão condiz com remuneração.

  5. Muito bom Evandro. Você complementou muito bem o texto!

    Aproveito para indicar uma série de matérias que a Globo produziu justamente sobre a Geração Y. Como o Evandro disse, que o espírito não seja baseado no ano em que você nasceu, mas naquilo em que você acredita. O que importa não é você ser novo ou velho em idade, mas na sua forma de pensar.

    http://g1.globo.com/videos/jornal-da-globo#/Especiais/Gerações

    Abraços,
    Giovanni Giazzon

  6. Concordo plenamente Giovanni.

    Pra mim, o marco zero disso tudo foi em 69, no Festival de Woodstock. Onde veio ao mundo, em ALTO e BOM som, o pensamento de liberdade e estímulo ao bem-estar, fazer o que gosta e seguir em paz.

    Fazer o que gosta é um motivador pra seguir evoluindo. Essa geração não aceita a estagnação, pela estabilidade financeira ou qualquer outra, tão defendida, até hoje, pelos nossos avós e ainda muitos pais.

    Então, para as empresas que querem inovar e acompanhar o mercado, sugiro uma coisa:

    Coloquem essas pessoas para atuarem como gestores e acompanhem seus resultados de perto. Mas ouçam, observem, e poderão se surpreender com a energia que eles empregam quando se sentem realizados.

    Independente de geração X, Y ou Z… INVISTAM e VALORIZEM pessoas que têm tesão pelo que fazem. Essas é que estão antenadas no mundo de hoje e vão te trazer o ROI que tanto sonhou 😉

    PS: Só é preciso tomar cuidado pra não dar poderes a quem não tem o tino e o real interesse pela coisa ou que esteja entrando nesta “modinha” apenas pela comodidade de fazer o que quer, sendo mimado como sempre quis (situação muito corriqueira no mundo publicitário). Para isso, precisa ter feeling. E se não tem, contrate alguém que tenha (simples assim) 😉

  7. Consultor disse:

    Concordo completamente que trabalhar somente por uma boa remureração não traz auto-realização a ninguém…Se o que estás fazendo não te dá aquele FRIOZINHO NA BARRIGA, então tá na hora de mudar.

    Pois:
    1 minuto é feito de 60 segundos;
    1 hora é feita de 60 minutos;
    1 dia é feito de 24 horas;
    1 semana é feita de 7 dias.

    Não perca seu tempo a fila anda e a vida passa!

  8. Friedrich!

    Lembro sim, e que bom que já naquela época você soube ponderar a opinião do “gestor” e seguir a linha que você acreditava ser a melhor. No mundo corporativo a idéia deve ser a mesma: se não concorda ou acha que o direcionamento é contrário ao que você acredita, busque o melhor para si. Mantenha sempre uma postura profissional correta, mas não deixe de provocar a mudança.

    Timeout!

  9. Carlos disse:

    Giazzon,

    Muito bom esse texto. Lembra na Faculdade quando fui conversar com um de nossos professores (acho que era de programação) que eu estava fazendo outra graduação (Administração) ao mesmo tempo de Ciências e ele mandou eu largar isso porque não iria servir para nada???

    É mais ou menos o que você falou :”Existe uma geração inteiramente diferente no mercado e que requer uma atualização na postura dos gestores.”

    E isso numa Universidade!

    Timeout?!?!

  10. Olá Paulo,

    Em Lichpin, Seth Godin te provoca a inverter a relação funcionário-gestor do modelo tradicional. E esta é uma característica da Geração Y. A insatisfação deve ser utilizada como um alavanque de mudança. A busca pelo tesão é o motivador para realizá-la. Enquanto o perfil profissional anterior envolvia conformismo, o defendido por Godin é o de destaque. Busque ser imprescindível à organização; não faça o melhor, supere sempre. Se a empresa não quiser te perder, ela vai fazer o que for possível para te manter. Se não o fizer, talvez signifique que lá não é o seu lugar. Planeje a mudança. Planeje a sua demissão, se for o caso. Busque sempre o que achar que é o melhor pra você.

    Realmente o fator PJ contribui para que não haja uma ligação com a filosofia da empresa, mas neste caso o tesão pode estar no trabalho em si. Acontece muito com quem trabalha com consultoria. Não há vínculo com a organização, com o cliente, mas com o resultado do que se faz.

    O importante é saber que o tesão é de dentro pra fora. É subjetivo, é pessoal. Você é quem deve buscá-lo, seja sendo um agente de transformação dentro da sua empresa, seja olhando o mercado em busca de algo que te estimule. Ficar sem tesão e não buscar a mudança é se acomodar. A busca pelo tesão é ser pró-ativo.

    E é exatamente o que você falou, todo profissional merece uma vida digna. Nem toda empresa lhe derá isto, então cabe a você encontrar o ponto de equilíbrio.

    Agradeço a recomendação do livro do Tony Hsieh, vou conferir.

    Grande abraço,
    Giovanni Giazzon

  11. Rogerio Pedreschi disse:

    Norton e Fava,

    É isso aí!
    O problema começa no cliente que só pensa em custos. Nenhum cliente contrata o serviço, e avisa de antemão: “fechamos por 5mil reais, mas faço questão de pagar 6mil se vc (ou sua equipe) me surpreender, ou entregar no prazo, etc…!” (um mero exemplo de atiçar o tezão)

    Meu tesão acabou quando cansei de investir na mão de obra, ou algo muito a mais do que o esperado para o cliente. Numa próxima possibilidade de prestação de serviços, ele “esquecer” o que fizemos por ele.

    Creio que o modelo de decisão do cliente tb é equivocado, o q faz não “rolar o clima” no relacianomento.

  12. Paulo Fava disse:

    Oi, Giovanni. Boa noite.

    Até que enfim alguém tocou num ponto importantíssimo, você merece meus parabéns.

    Sem tesão não há trabalho com ótimos resultados e o que tenho visto por aí é muitas empresas e agências que não se preocupam nem um pouco em estimular desafios para seus colaboradores, principalmente para aqueles que trabalham como PJ e não tem nenhum vínculo com a empresa.

    Como estimular o tesão em uma pessoa que procura trabalho em um mercado que está acostumado a tratar bons profissionais como uma mão de obra qualquer, sem se preocupar em oferecer o mínimo necessário para que esta pessoa se sinta realmente motivada a ponto de não procurar um trabalho mais desafiador?

    Nosso modelo de trabalho está ultrapassado. É comum ver em várias agências e empresas uma dança de cadeiras sem fim, como se fosse uma empresa de telemarketing.

    Qualquer profissional merece uma vida digna, um futuro decente, um trabalho que dê estímulos para ele a cada projeto, que valorize sua postura ética, seu compromisso com os resultados…enfim, que dê oportunidade dele sonhar, fazer planos etc.

    Recomendo a todos a leitura do livro “Delivering Happiness, do Tony Hsieh, CEO e fundador da Zappos. Ele fala coisas muito importantes sobre cultura empresarial e felicidade, e conhece muito bem o perfil da geração Y.

  13. Norton disse:

    Interessante o ponto de vista levantado aqui.
    Mas por maior que seja o tesão, seja ele qual for, desafios, novidades, mudança e etc…
    Acredito que isso por si só não leva ninguem ao “climax”.
    Tem que haver a recompensa, ou seja, a remuneração.
    Geralmente expressa em numeros.
    Aqueles que fazem algo de “graça” é porque são voluntarios e não entram na categoria do “tesão”.

    Ficar com tesão por muito tempo e não ter recompensa, cansa.

  14. @Nandico disse:

    Puxa coisa boa ver esse texto aqui. Muito tesão misturado com amor e boas intenções resolve tudo! =)

  15. daniel nunes disse:

    É a mais pura realidade gente como produzir um produto, vender algo se vc n acreditqa e n fica excitado com a coisa. pra mim não dá

  16. Bruno disse:

    Fazer por tesão, aventura e desafios extremos resultam em importancia profissional e melhores realizações. Considero que a geração Y busca desafios cada vez mais extremos do que gerações que focaram anos na mesma rotina. Salário e reconhecimento são apenas resultados e equivalem aos seus desafios.

  17. Danilo disse:

    Com certeza isto é verdadeiro. Sou desta tal chamada geração Y, e é muito chato fazer as coisas simplesmente pela responsabilidade e o salário no final do mês. Acaba que corremos os risco de ficar na mediocridade. Quero aprender coisas novas, ser referência no assunto. Para compensar a estagnação da empresa, busco por conta própria a aprender mais e me desenvolver.

  18. Alvin disse:

    Lembro de que quando cursava o segundo grau técnico de análise de sistemas um professor reclamava de mim pelo fato de eu só querer realizar tarefas que me estimulassem e que realmente fossem um desafio, nunca o trivial.

    Até hoje sou assim, vivo na busca por novos desafios e altamente conectado em busca de inovações que me empolguem.

    E o melhor? Meus melhores amigos também são assim. Muitos babyboomers (normalmente coordenadores, gerentes, diretores) insanamente tentam segurar suas posições no mercado usando de seu círculo de influência para não alçar a geração Y para esses cargos porque não acreditam em nós.

    Creio que isso tem que mudar. Desafios nos motivam.

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