O sentido dos videogames vai muito além da simples diversão

Nova Escola de Marketing
01 de junho de 2012

De vez em quando surge um jogo fora de série que desperta discussões mais proveitosas sobre o grande potencial que essa interface possui.

Li dezenas de reviews, críticas e artigos motivados pelo brilhante jogo Journey, exclusivo para Playstation3, da ThatGameCompany. Muitos focaram na discussão sobre os videogames serem ou não considerados arte.

Alguns falaram que é uma experiência interessante, mas incompleta para ser considerada um jogo. Outros tiveram dificuldade de chamar Journey “simplesmente” de jogo, preferindo chamá-lo de software interativo. E achei isto muito curioso e interessante.

Repare: está embutida aí a ideia de que Journey é bom demais para ser “só um joguinho”.

Em primeiro lugar, Journey é realmente bom demais. E ainda vamos falar muito dele, provavelmente durante anos.

Em segundo lugar, está na hora das pessoas perceberem que seus conceitos a respeito dos videogames estão ultrapassados, limitados e matizados por suas experiências em um ou outro gênero, por suas memórias de infância ou pelo preconceito contra certos jogadores que, a bem da verdade, em nada contribuem para a reputação dos jogos em geral.

Jogos são mecanismos de aprendizado e exercício mental que dão prazer!

Entenda que jogar cartas com os amigos gritando “Truco!”, montar um quebra-cabeças, jogar sozinho um Pinball ou competir online num jogo de estratégia em tempo real exercita partes muito distintas de nosso cérebro.

De acordo com a personalidade, agradam mais a uns do que a outros. Ainda assim, encaixam-se na definição anterior. Os jogos, no sentido amplo da palavra, são parte de nossas vidas desde a infância no âmbito pessoal e desde a pré-história de nossa aventura neste planeta. O esporte, futebol ou Fórmula 1, nada mais são do que subgêneros de jogo. Assim como os videogames.

A experiência de ser um player

O próprio processo de “gameficação“, muito falado atualmente em agências de propaganda, não é só uma buzzword, um termo da moda, para explorar comercialmente as mecânicas dos jogos online em sites de empresas com objetivo de entreter e reter seus clientes. É usado para isso, sem sombra de dúvida. Mas, na verdade, é o reconhecimento de que estes mecanismos mentais prazerosos podem estar – e em muitos casos já estão – em muitas atividades insuspeitas de nossas vidas. Principalmente em nossas vidas digitais.

O Orkut, por exemplo, é um jogo para colecionadores de coraçõezinhos, emoticons, comentários, número de amigos. As pessoas competem por isso e o site provê, com os números, a pontuação para mostrar quem está ganhando! Toda rede social na verdade tem muito de jogo. E não é à toa: os jogos foram os principais aplicativos – e a mina de ouro! – no Facebook nos últimos três anos.

Quem preferir uma análise mais semiológica vai ver paralelos com a indústria que se formou em torno do cinema. Em diversas atividades humanas temos hoje influência da narrativa cinematográfica e da bagagem estética que desenvolvemos ao assistir tantos filmes. Assim como o cinema cresceu junto à fotografia com ângulos, iluminação e cor e absorveu a linguagem da música erudita e do teatro, os videogames absorveram com prazer a influências do cinema, dos quadrinhos e adicionaram a interatividade, abstração e o envolvimento mais profundo natural em seu fluxo.

Por qualquer ponto de vista, os jogos e, em especial os videogames, precisam ser vistos, entendidos e criticados com o mesmo nível de exigência, profundidade e dedicação que as outras formas de manifestação e comunicação humanas.

Nossa jornada para entender a importância dos “joguinhos” está apenas começando. Mas, como em Journey, pode ser uma experiência de autoconhecimento surpreendentemente prazerosa! [Webinsider]

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3 respostas para “O sentido dos videogames vai muito além da simples diversão”

  1. Ronaldo disse:

    É interessante observar como pessoas que tem lá os seus joguinhos (damas, truco, xadrez) criticam os jogos eletrônicos, quando tudo, pelo menos no meu entendimento é a mesma coisa, nasce da mesma necessidade (só não alcançam os mesmos fins).

  2. LUZIA disse:

    Muito bom o seu texto, Antônio. Didático, claro e preciso. A ideia de que videogame também pode ser um importante instrumento para decifrarmos mais um pouquinho o nosso pouco explorado cérebro foi passada com sucesso. Sabemos pouco a repeito de nossas reais possibilidades. Um abraço.

  3. Guilherme Bova disse:

    Excelente texto.

    Acrescento ainda que videogames são um canal de referência absurdo para quem trabalha com design digital hoje em dia.

    Diga-me o que jogas e te direi quem és!

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