Marketing zero: os produtos brasileiros e a falta de divulgação

15 de outubro de 2012

Apesar de termos uma grande variedade de produtos, é bem difícil encontrá-los em lojas físicas na Europa. É preciso mais ação dos produtores, exportadores e governo. A Copa do Mundo está chegando e as oportunidades também.

Com Luciene Santos.

Não preciso dizer que viver no exterior é uma tarefa bastante complicada, que envolve questões financeiras, sociais e culturais. O problema fica ainda maior se o lugar escolhido para morar for a Europa em tempos de crise. Para os brasileiros, o processo de adaptação pode ser ainda mais difícil pelo fato de haver pouco ou nenhum produto Made in Brasil disponível em supermercados ou shoppings europeus. Alguma coisa pode ser encontrada em pequenas lojas mantidas por chineses.

Aliás, esses mercadinhos ficam abarrotadas de estrangeiros todos os dias. Especula-se que o governo chinês subsidie grande parte dos custos de lojas e restaurantes chineses instalados na Europa. Enquanto isso, abaixo da linha do Equador, o Brasil assiste tudo sem mover uma palha para mudar essa situação. Não é preciso rodar muito para ver que nenhuma ação governamental tem sido empreendida no sentido de promover os produtos brasileiros no Velho Continente.

Por outro lado, as empresas brasileiras tampouco parecem interessadas em promover os seus produtos na Europa. Nem nos principais pontos de venda se encontra produtos com a marca Made in Brasil, com algum valor agregado. A única exceção fica por conta dos chinelos Havaianas. Os produtos podem ser adquiridos em pequenos comércios locais ou supermercados, mas, sobretudo, em lojas situadas em pontos turísticos mais badalados.

Fora isso, encontra-se produtos brasileiros apenas in natura, como soja, café e carne. Diferente do Brasil, os comerciantes italianos têm certa dificuldade em adotar ações de marketing para tentar driblar a crise interna. Colocar produtos na frente da loja ou reduzir preços por conta própria é coisa raríssima. Na Itália, as medidas anticrise adotadas pelo governo demoram a fazer efeito na prática.

Se dentro do país, o marketing italiano é fraco, no exterior não se pode dizer a mesma coisa. No Brasil acontece justamente o inverso. O marketing interno é mais forte que fora do país. Faltando menos de dois anos para o início da Copa do Mundo de 2014 vemos o que classificamos como Marketing Zero dos produtos brasileiros na Europa. Só vale lembrar que partirá do outro lado do Atlântico a maioria das seleções que participarão do maior evento da história do Brasil.

Ou seja, milhares de consumidores estrangeiros chegarão ao País da Bola sem conhecer produtos tupiniquins que serão postos à venda durante a Copa. Corremos o risco de ver produtos globais, como Coca-Cola e MacDonald’s, baterem recordes de vendas, em um único evento, por conta do chamado Marketing Zero adotado pelo governo brasileiro. E pior, aceito de forma passiva pelas empresas brasileiras. Há alguma coisa que se possa fazer para remediar o problema em curto prazo? Difícil responder essa pergunta. Afinal, não se cria o imaginário de um produto da noite para o dia.

Para que um produto tenha longevidade é preciso promover ações de marketing prolongadas, coisa que não se observa aqui na Europa em relação aos produtos brasileiros. Um marketing de trincheira que esconde tanto o produto para evitar o mau humor do consumidor? Nas lojas da Apple, as filas quilométricas são a mensagem de sucesso da empresa. Partindo do zero absoluto, quem sabe conseguiremos fazer  marketing de verdade para as Olimpíadas de 2016? [Webinsider]

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