Sobre ensino, celulares e alunos: o caminho da aceitação

25 de maio de 2013

A sala de aula se transformou em um espaço de superestímulo e o professor já não é o único foco. Aparelhos móveis entraram em cena com tudo e universidades já oferecem pós-graduação pelo celular.

Que atire a primeira pedra o professor que já não ficou no mínimo irritado com algum aluno dedicado a prestar atenção ao celular durante toda a aula. Calma professor, isso pode ir muito além do hábito e educação (aquela que se aprende em casa).

A sala de aula, bem como a maioria dos lugares do planeta, virou um espaço de superestímulo, ou seja, o mestre já não é apenas o único foco naquele ambiente. Os celulares, os tablets e aparelhos móveis em geral são mundos paralelos. São meios que conectam pessoas, lugares e são criados para apelarem atenção só para eles.

Quem os usa já percebeu o quanto limitamos nossos sentidos em relação ao ambiente em nossa volta no instante em que fazemos qualquer atividade no aparelho, a atenção converge para o meio. Logo, temos dois problemas em relação a dedicação dos alunos aqui, o foco no professor que foi perdido e o foco no meio móvel que o substituiu, ou seja, uma mudança de hábito.

Também não pode ser simplesmente levantada a hipótese de falta de educação, mas é mais uma forma de adaptação ao meio. Somos interpelados pelas maquinas e respondemos a isso.

Essa é uma das razões pela qual vemos inúmeros casos de universidades não só investindo em EAD, educação a distância, mas também em celulares, o que é chamado de Mlearning. Um exemplo disso é a USAL, Universidad del Salvador, na cidade de Rosário, Argentina, que oferece uma pós-graduação totalmente pelo celular com o tema Educação a Distância. O aparelho é fornecido pela própria instituição com um plano de 300 minutos para chamadas e internet ilimitada.

Ao redor do mundo, graças às velocidades de internet já disponível para todos esses equipamentos móveis, a imersão nesses aparelhos já é considerada maior do que a dos notebooks ou PCs, por exemplo, meios considerados dispersivos. Os alunos usam uma plataforma, parecida com a que vemos nos computadores (às vezes até a mesma), para assistir a aulas, participar de fóruns, ter acesso a materiais do curso e até fazer provas. Além disso, a facilidade de estar no trânsito e aproveitar esse tempo para se instruir também é o grande diferencial do uso da tecnologia, pois, principalmente para quem vive nas grandes cidades, a cada dia o trânsito vem aumentando a distância para chegar em casa.

Então, os problemas mencionados no início do texto – a falta de atenção à aula – viram uma solução aqui: o professor dentro do aparelhinho. Em 2007, um professor de matemática chamado Kumaras Pillay, na África do Sul, ganhou o prêmio mundial da mais inovadora iniciativa de um professor da Microsoft por ter transformado seu material de aula para o formato de celular. A tecnologia foi o embrião do que vemos hoje. A facilidade audiovisual e a performance que os novos celulares possuem atualmente entregam ao usuário uma experiência ainda mais completa.

O grande desafio desse uso ainda são a aceitação dessa realidade como um investimento potencial pelas instituições de ensino, bem como os diferentes sistemas operacionais, tamanhos de tela e preço do pacote de dados. Esse último é um grande vilão do Brasil, segundo a ONU, o país é um dos mais caros do mundo nesse tipo de serviço, superior em 50% da média mundial.

Enquanto isso ainda não é uma realidade trivial por aqui, há de se ter muita paciência, diálogo e criatividade com os alunos em sala de aula, afinal as tentações digitais já começam a fazer parte dos pecados capitais nas escolas pelo Brasil. [Webinsider]

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