A tecnologia, as notícias e a melhoria na qualidade de vida

12 de junho de 2013

Fiscalize, proponha e avalie. Sob esse conceito, um app de uma startup brasileira quer ajudar aos cidadãos a proporcionar a evolução das suas cidades.

Com Luciene Santos.

De um simples devaneio ao produto pronto e acabado. A proposta da app de cunho social do Colab reacende a discussão em torno da viabilidade engendrada pela Teoria dos NewsGames – games como emuladores de informação e notícia. O Colab é uma rede social brasileira que permite fiscalizar os problemas de cidades. Funciona como um canal com o qual o cidadão comum pode propor soluções e avaliar o local onde vive.

A iniciativa ganhou o prêmio de melhor aplicativo urbano do mundo. A entrega aconteceu durante a New Cities Summit, um encontro de startups realizado em São Paulo. O evento é uma das atrações da competição AppMyCity, que discute questões de como melhorar a qualidade de vida em grandes metrópoles. A rede social está disponível para PCs e dispositivos móveis com sistemas operacionais iOS e Android.

Feedback entre cidadão e poder público

O Colab foi o único representante brasileiro entre os três finalistas e acabou vencendo apps dos Estados Unidos e Israel. Com base em Recife (PE), a startup tem um braço também em São Paulo. Para utilizar o serviço, o cidadão não paga nada. O acesso é feito via perfil do Facebook e o usuário precisa apenas indicar em um formulário postal o estado e cidade onde mora, para iniciar a sua participação na chamada democracia real.

Segundo Gustavo Maia, sócio-fundador da empresa, a ideia é que a app se torne um canal transparente entre o cidadão e as prefeituras, facilitando o feedback entre a sociedade e os órgãos públicos. A nova rede social foi criada sob três pilares básicos: fiscalize, proponha e avalie. Com isso, os seus mentores esperam elevar a qualidade de vida nas cidades e melhorar a péssima relação entre cidadãos e o poder público.

Tabuleiro descritivo dos NewsGames

A proposta do Colab encontra eco em um dos quatro pilares estruturados pela Teoria dos NewsGames. A app urbana pode funcionar como um dos tabuleiros descritivos de games baseados em notícias reais. Afinal, o tabuleiro proposto pelo novo modelo de jornalismo online baseia-se em quatro pilares: redes sociais, games simuladores de realidade aumentada, notícias cartografadas e mapas de geolocalização.

Os quatro pilares da Teoria dos NewsGames convidam o cidadão a ser coautor na produção de notícias, utilizando, como tabuleiro de jogo, um visualizador de dados acoplado tecnologias de geolocalização. Ao se redigir um post em qualquer rede social, a partir de uma notícia-tema, o texto escrito é transformado em animação, automaticamente. Uma vez criada a interface narrativa, cada um poderá propor cossoluções para problemas reais apontados na notícia que deu origem ao jogo.

Barradas startups com alto teor criativo

Apesar do aparente sucesso da recém-criada rede social Colab, o mar não está mais para peixes quando o assunto é investimento em startups com alto teor criativo. Segundo um relatório no Wall Street Journal, publicado pelo jornal italiano Corriere della Sera, os investidores americanos (venture capitalist e business angels) teriam perdido o entusiasmo em projetos com alto grau de inovação. O montante total do capital de risco ainda não teria alcançado ao pico pré-recessão.

Hoje, segundo dados do PricewatrerhouseCoopers, 40% dos recursos vão para empreendimentos do Vale do Silício, em comparação aos 30% nos anos 90. Seria um recado de que essa área específica está sendo usada como um nicho exclusivo de contratação de toda mão de obra do mercado de inovação dos Estados Unidos. Ou seja, o resto do país parece estar ancorado em grandes multinacionais e grandes empresas de consultoria, que absorvem grande parte dos trabalhadores americanos.

É o fim do sonho americano?

Tidos como visionários, os norte-americanos demonstram que estariam perdendo o conceito de risco. E o resultado disso, de acordo com uma reflexão elaborada por economistas e sociólogos prestigiados, é que os Estados Unidos vivem uma nova recessão nos mesmos moldes que foi, provavelmente, a Grande Depressão. Agora, o sintoma é o surgimento de uma aversão ao risco e uma tendência para ações conservadoras por parte dos investidores.

Constata-se uma evidente redução do risco e isso reduz o emprego e amplia os reflexos da crise. Outros dados corroboram para esse cenário. Um estudo oficial de alguns economistas de Harvard revela que o emprego nos Estados Unidos ainda precisa alcançar os níveis pré-crise. Tecnicamente, não houve um salto de contratações típicas dos anos seguintes às grandes crises econômicas. Dane Stangler, diretor da Marion Kauffman Foundation de Kansas City, no Missouri, apresenta um cenário devastador.

“Há pequenos focos de startups e não observamos o mesmo nível de iniciativas empreendedoras em outras partes do país”, verifica Stangler. Assim, uma baixa taxa de crescimento de novas empresas acaba afetando a capacidade de criar novos postos de trabalho. Significa que há um menor número de empresas dispostas a se comprometer com jovens criativos. Segundo a New America Foundation, há um declínio do empreendedorismo nos Estados Unidos.

Queda da taxa de mobilidade nos EUA

O duro relatório do Wall Street Journal mostra ainda que a mobilidade da mão de obra é muito baixa dentro dos Estados Unidos. A taxa de migração entre um estado e outro caiu bastante nos últimos 20 anos. De acordo com o último censo, o americano médio tem mais receio de se mudar, para ir em busca de um novo emprego. Hoje, cerca de 53% dos norte-americanos trabalham no mesmo lugar por mais de cinco anos. Em 1996, esse percentual era de 46%.

O colapso da mobilidade, eventualmente, acaba afetando o mercado imobiliário. Tanto é assim que as mudanças demográficas são reduzidas para a preservação do status quo, mais até do que o desejo de se buscar melhores condições de vida. O resultado final é que essa estratégia conservadora pode determinar coletivamente longos períodos de recessão nos Estados Unidos, com reflexos na economia global. Com algumas poucas exceções, os visionários americanos não seriam mais tão loucos como antes. [Webinsider]

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