Somos capazes de recusar uma ordem do chefe?

Nova Escola de Marketing
08 de março de 2014

Quando você vê uma ação de comunicação sendo criada e a considera equivocada, o que se deve fazer? Pedir para sair se ficar muito incomodado ou participar para não correr o risco de perder o emprego?

adidas_recusadasIsto tem a ver com as tais camisas de apelo sexual que a empresa alemã teve que retirar das prateleiras.

Você recebe um briefing para criar camisas alusivas à copa do mundo de futebol no Brasil. Aí, o tal briefing sinaliza que o público é o turista de outros países, que vê o país sede dos jogos como o país do futebol e também de praias maravilhosas e mulheres lindas e seminuas.

E que as campanhas de turismo deste mesmo país realmente mostram lindas praias e lindas mulheres seminuas. Prontas para o sexo com os turistas. Aí a equipe de criação da qual você participa define o tema: sexo como atrativo principal da festa.

O que você faz?

Recusaria participar da criação das tais camisas? Ou entraria no embalo, numa boa, sem pestanejar? Afinal, o que o briefing diz é verdadeiro.

E quando você discorda?

Mas, se você não concordou com a ideia, o quanto seria capaz de recusar em participar? Quão “macho” – sim, porque a campanha e as camisas são para “macho”, certo? – de recusar uma ordem do chefe, do patrão, do cliente, seja lá de quem for, para finalizar as peças da tal campanha?

Bem, você poderia recusar a participar e correr seriamente o risco de perder o emprego. Afinal, você recebe um salário para criar as campanhas seguindo os tais briefings.

Ou talvez sua argumentação possa influenciar os colegas e, assim, o tema ser trocado por outro. Quem sabe?

Situações assim você enfrenta todos os dias, não é mesmo? Ser obrigado – ou não – a fazer coisas com as quais não concorda plenamente, mas toca a vida porque o leite das crianças você tem que garantir e ponto final.

O caso das camisas alusivas à copa do mundo de futebol no país abaixo da linha do Equador repercutiu negativamente na imprensa e mídias sociais. Tanto que a fabricante alemã recolheu as camisas do mercado, mas o estrago já estava feito.

A pergunta do título deste artigo tem a ver com a nossa capacidade de dizer não. Dizer não para coisas com as quais não concordamos, mesmo recebendo salário – não importa se é baixo ou não – para isso. Tem a ver com a nossa capacidade de entender as consequências de nossas escolhas.

No caso das camisas em questão, alguém teve a ideia, alguém desenhou as camisas. Depois, teve aquele que as aprovou. Depois, as fabricou, as distribuiu, as vendeu, as comprou. E teve alguém que criticou e depois veio mais um que mandou recolher.

Todas estas pessoas fizeram suas escolhas. Todas deveriam assumir as consequências de seus atos. No entanto, nem sempre isso acontece. O Governo Brasileiro repudiou, em nota oficial, a campanha. O que deve ter motivado a empresa alemã a mandar recolher o material.

Mas, creio que isso não basta. É comum a empresa, o CNPJ, não as pessoas, pagarem por erros das pessoas que os praticaram. Geralmente, as críticas recaem sobre a empresa, a marca. As pessoas que pisaram na bola, raramente são punidas. Seja lá com um puxão de orelhas reservadamente, ou em público, tendo seus nomes revelados.

A culpa é sempre do CNPJ e não das pessoas. Simples assim.

Então, quanto somos capazes de recusar uma ordem, mesmo correndo risco de perder o emprego?

Não vale dar justificativa que, ao cumprir a ordem, estamos sendo profissionais. Que recebemos por isso. Há uma fronteira até onde se pode ir e quando é preciso recusar uma ordem indevida. [Webinsider]

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