YouTube repete o erro da TV de massa

14 de junho de 2014

Ao invés de privilegiar a criação de uma indústria nova e pulverizada de produtos de vídeos alternativos, a plataforma colaborativa prefere seguir a mesma lógica da televisão e simplesmente remunerar quem atrai mais audiência.

Toda Revolução Cognitiva traz para a sociedade o aumento radical da Taxa de Canais Horizontais para a sociedade. Saímos de uma Alta Taxa de Controle das Ideias para um ambiente em que essa taxa tende a baixar ao longo do tempo.

E isso implica que haverá espaço para novas ideias circularem na sociedade, principalmente dos divergentes, aqueles que estão fora da curva, sejam artistas, empreendedores, pensadores, líderes políticos.

Se aumenta, assim, a Taxa de Diversidade e um conjunto de ideias hegemônicas passa a ser sistematicamente questionado, um primeiro passo para se procurar um novo modelo para promover uma nova Governança da Espécie.

Podemos identificar nesse movimento, as seguintes etapas:

  • surgimento de novos Canais Horizontais sem remuneração, que entram como alternativa de difusão de ideias. Os divergentes ficam à margem da remuneração, mas com pouca sustentabilidade;
  • transformação destes Canais Horizontais para se ter remuneração e mais sustentabilidade.

Isso se dá em todas as áreas chamadas alternativas.

Um exemplo é a venda de produtos orgânicos. É algo não incentivado pelo ambiente produtivo atual e precisa criar uma nova cultura de produção e um canal de escoamento. Para que aqueles que queiram viver de produção orgânica possam passar a viver disso.

Ou seja, é preciso criar a Indústria do Orgânico, com canais de produção e distribuição para que possam se disseminar na sociedade.

O problema é que a lógica de produção, devido a Alta Taxa de Ganância do final de uma Contração Cognitiva empurra e não incentiva esse novo modelo.

O setor incentivador de novos projetos, que investe, está mais voltado para uma outra lógica.

É preciso criar fontes alternativas de investimento, que tenham uma Taxa menor de Ganância, que envolva mais princípios para que esse tipo de projeto possa florescer.

Uma alternativa que aparece é o Crowdfunding, por exemplo, em que projetos que não recebem apoio passam a oferecer.

YouTube remunera errado

youtube-audience-600x369Um exemplo típico são os milhares de produtos de vídeo no YouTube versus a remuneração que é feita. O YouTube – uma rede de produtores de vídeos amadores – tende a incentivar o pagamento de anúncios apenas para os blockbusters, relegando os demais a segundo plano, apesar de colocar anúncio no vídeo de quem se candidata.

Ou seja, a lógica é horizontal, mas o compartilhamento do valor é vertical, favorecendo, sem princípio, quem se massifica ou atende a um público maior, repetindo o erro do modelo da televisão de massa.

Ao invés de criar uma indústria nova de produtos de vídeos alternativos, permitindo uma nova e pulverizada indústria de vídeo, prefere seguir a mesma lógica da televisão. Assim, mata-se a Indústria Emergente, criando uma latência por algo que consiga promovê-la mais adiante.

O que está por trás disso?

O YouTube trabalha com a nova Governança da Espécie na produção, mas não a adotou na distribuição do valor gerado, o que é cria uma desarmonia, que mais adiante o levará a uma crise.

  • Ou haverá uma revolta dos produtores;
  • Ou, o que é mais provável, um novo modelo alternativo que consiga ser Governança 3.0 mais pura: na produção e na distribuição do valor gerado.

Enquanto não houver essa “cauda longa” de distribuição do lucro, os modelos alternativos ainda ficarão à margem. Arrisco dizer que a grande macrotendência para os próximos anos é o surgimento dessa Governança 3.0 mais pura, em que haverá mais sintonia entre estes dois extremos.

É isso, que dizes? [Webinsider]

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Uma resposta para “YouTube repete o erro da TV de massa”

  1. André Simões disse:

    Me desculpe, mas não entendi o quê o Youtube faz de errado?

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