Dolby Atmos

29 de outubro de 2014

O lançamento dos receivers preparados para a reprodução do Dolby Atmos começa um novo momento da reprodução de um codec moderno, com flexibilidade para se adaptar às instalações domésticas e dos cinemas.

Dolby Atmos (ou Dolby Atmosphere, se quiserem) é um codec preparado para as novas trilhas sonoras, com o objetivo de aumentar o envolvimento da plateia de cinema na imersão das emoções das cenas com a ajuda do campo sonoro. Lançado nas salas de exibição no ano passado, e sem muito alarde, o codec passa agora para os receivers, pré-amplificadores de áudio e vídeo e processadores, voltados ao ambiente doméstico.

Os primeiros equipamentos foram recentemente para as revendas preparados para a decodificação do codec, mas em alguns casos sendo ainda necessária uma atualização de firmware, que instrui os chipsets a ler o bitstream e fazer o processamento corretamente.

O Dolby Atmos foi programado para ser uma extensão dos codecs Dolby TrueHD e Dolby Plus. A decodificação do Dolby Atmos exige a instalação de chips novos. Por isso, equipamentos anteriores não poderão ser atualizados por firmware para identificar o codec. Se o usuário tentar reproduzir uma trilha Dolby Atmos com equipamento pré-Dolby Atmos a reprodução ficará restrita aos codecs anteriores (Dolby TrueHD ou Dolby Plus), base do novo bitstream, por motivo de retro compatibilidade.

 Sala de cinema versus home theater

O Dolby Atmos foi projetado para aumentar a ambiência e a precisão da trajetória e do deslocamento do som surround. Para tanto, a sala de cinema é equipada com dois conjuntos de alto-falantes instalados em duas fileiras paralelas, no teto da sala:

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Atrás da tela é instalado um mínimo de três canais, sendo recomendados cinco canais em cinemas maiores. O número de caixas surround laterais e traseiras varia de instalação para instalação. Da mesma forma, os alto-falantes do teto são instalados de acordo com as dimensões do cinema. As especificações para esta instalação estão documentadas no site da Dolby, que dá suporte aos exibidores:

image003

 

Nos cinemas estão previstos o máximo de 64 canais. Quanto maior for o número de canais mais detalhado será o deslocamento individual do som pelas caixas dispostas no ambiente. Na prática, isto quer dizer que o som passa de caixa em caixa, seja pelo surround lateral esquerdo e direito, pelo surround traseiro esquerdo e direito, seja pelas duas fileiras colocadas no teto da sala.

As caixas instaladas no teto das salas levam o nome técnico de “overhead speakers”, ou seja, são caixas posicionadas acima das cabeças na plateia.

A adaptação para o ambiente doméstico é bem mais sofisticada. O codec foi desenhado para “prever”, através de sensores no sistema, que tipos de caixas foram instaladas e, de acordo com elas, distribuir o som de uma maneira específica.

Existem três tipos de caixas acústicas voltadas especificamente para a implantação do Dolby Atmos em home theater:

1 – caixas “in ceiling”, para montagem no teto da sala, como o nome sugere. Devem ser alinhadas com as caixas frontais esquerda e direita (mínimo de duas) e com os respectivos surround, no caso da instalação de quatro caixas (recomendado).

2 – caixas “Atmos-enabled” (habilitadas para Atmos), que são projetadas com um compartimento superior independente, cujo objetivo é fazer o alto-falante emitir o som para cima. O driver é montado em ângulo, estipulado pelo desenhista do projeto, segundo normas da Dolby.

3 – caixas “add-on” (complementares), semelhantes aos módulos superiores das caixas “enabled”, mas que servem para serem montadas em cima de caixas acústicas convencionais.

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Tanto os alto-falantes superiores (“Height”) das caixas habilitadas (Atmos-enabled) quando os módulos de acréscimo (Add-on) tem alimentação elétrica própria, e só podem ser usadas quando o equipamento provê uma saída de amplificação adequada. A percepção do efeito Atmos se dá por retorno da onda sonora no teto, após a mesma ser refletida. Tetos rebaixados e/ou com material absorvente são contraindicados para este tipo de instalação.

Exemplos de montagem podem ser vistos abaixo:

image007

Mudança de notação e configuração

Todos os codecs anteriores ao Dolby Atmos possibilitam instalações que vão desde 2.0 canais até 7.1/9.1/11.1, com o máximo de 7.1 canais codificados. A notação usada até então descreve o número de canais, seguido do número de subwoofers montados, se for o caso. Por exemplo: 5.1, 5.2, 7.1, 7.2, etc.

Na reprodução do Dolby Atmos, esta notação muda para acrescentar quantas caixas Atmos estão instaladas. Por exemplo: 5.1.1, 5.1.2, 7.1.1, 7.1.2, etc. O número mínimo de canais para o formato é de cinco básicos (5.0). O número mínimo recomendado de caixas Atmo é de dois.

A tabela a seguir dá uma ideia deste tipo de montagem:

 

Conjunto

Caixas convencionais

Subwoofer

Caixas Atmo

5.0.2

5

2

5.1.2

5

1

2

5.2.2

5

2

2

5.1.4

5

1

4

Observação: o processamento do bass management previsto na decodificação do Dolby Digital obriga a reprodução do LFE por caixas do sistema (geralmente as caixas frontais esquerda e direita), quando o subwoofer não está presente.

 Mudanças na mixagem

O codec Dolby Atmos foi desenhado para ser o mais inteligente possível. Dentro do bitstream estão previstos diversos metadados, capazes de dar ao formato duas importantes características: escalabilidade e adaptabilidade. Na prática significa que o codec está preparado para trabalhar de acordo com o número de canais e caixas em uso no ambiente e adaptar a reprodução para atingir a sua melhor performance, dentro das limitações de cada instalação. Este recurso funciona tanto para os cinemas como para as instalações domésticas.

Na mixagem Atmos o técnico não trabalha mais com o conceito de distribuição do som por canal. Cada som separado se torna agora um “objeto”, que pode ser distribuído espacialmente e independente do canal aonde ele será reproduzido. O software codificador permite ao engenheiro de mixagem “visualizar” este posicionamento:

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Existem dois tipos básicos de informações codificadas no bitstream Atmos. Primeiro, os canais convencionais (5.1, 7.1, etc.) formam o que se chama de “leito” (ou “’bed”), capazes de irradiar informação para o centro da sala, porém abaixo do nível do teto:

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O codificador Atmos permite trabalhar com até 9.1 canais no “leito” e 118 objetos, capazes de aumentar o envelope sonoro que circunda o ouvinte.

A segunda informação diz respeito à dispersão do som do teto para baixo, que é a informação Atmos propriamente dita. Se o sistema que irá reproduzir o codec não dispuser de interpretador (decodificador) ou caixas Atmo instaladas, somente os canais do “leito” (5.1, 7.1, etc.) serão reproduzidos. Isto, em última análise, garante a retro compatibilidade do bitstream Atmos com sistemas preexistentes. E de tabela elimina a necessidade de codificar um bitstream separado para os códigos fonte. Se, por exemplo, o usuário for reproduzir uma mídia (Blu-Ray ou streaming) e selecionar a trilha Dolby Atmos, ficará por conta do seu equipamento reproduzir o que o codec pode dar. As codificações convencionais 5.1, 6.1 ou 7.1 estarão presentes e poderão ser automaticamente selecionadas pelo equipamento.

A “inteligência” do codec também prevê uma interação de reconhecimento físico com o hardware e a reprodução pode ser adaptada ao número e aos tipos de caixas instaladas no sistema. Na realidade, o codec Atmos contempla desde 5.1 até 62.2, com qualquer combinação.

A mixagem pode prever o chamado “Pan-through Array”, que é a passagem de um som objeto de uma caixa para outra e será tão mais eficiente quanto maior for o número de canais instalados.

 Lançamento e reprodução em Blu-Ray

Em setembro passado foi lançado o Blu-Ray do filme “Transformers: A Era Da Extinção”, dirigido por Michael Bay, tornando-se assim o primeiro disco contendo uma trilha Dolby Atmos. O interessante é que este diretor foi um dos que entrou na briga pela padronização do vídeo de alta definição, a favor do Blu-Ray e contra o extinto HD-DVD. Não sei se é mera coincidência, mas até que é merecido.

Para a reprodução do disco, fora receivers e caixas Atmos, o resto do equipamento (Blu-Ray player e cabo HDMI) é o mesmo atualmente em uso, não há necessidade alguma de fazer qualquer troca. Apenas o usuário deve ter em mente de que é necessário usar uma conexão HDMI entre o player e o receiver e ajustar a saída em bitstream, já que no momento não será possível uma decodificação interna no player.

 Comentários pessoais

Os laboratórios Dolby vinham perdendo feio para a DTS na área de codecs para a mídia doméstica de alta resolução, enquanto que no cinema a situação era exatamente a oposta. Há algum tempo atrás os engenheiros de programação da Dolby corrigiram a ineficiência da carga de trabalho dos seus codificadores Dolby TrueHD e agora lançam a versão Dolby Atmos, em consonância com cerca de mais de cem lançamentos de filmes de cinema com este tipo de trilha. O chato seria que se alguém já comprou uma versão em Blu-Ray de algum desses filmes terá que comprar uma nova edição, se quiser usar o Dolby Atmos.

Como o codec não muda, a mídia de alta resolução (Blu-Ray ou streaming) tem a sua autoração facilitada e assim a produtividade de trabalho aumenta, em tese, significativamente.

Ainda é cedo para se tecer qualquer comentário sobre a apreciação doméstica do Dolby Atmos. De bom, entretanto, é o retorno paralelo das trilhas Dolby TrueHD, na minha opinião, de excelente qualidade.

A implementação do Dolby Atmos dentro de casa a meu ver deverá encontrar alguns obstáculos, e eu não me refiro somente ao conhecido WAF (Wife Acceptance Factor), que é a (in)tolerância da alma feminina à instalação de mais caixas e mais fios na sala de estar. Na verdade, o problema maior estará, sem dúvida alguma, na instalação de caixas Atmos no teto, que exige, em princípio, o trabalho especializado de um arquiteto. Não só isso, mas o Dolby Atmos poderá não se dar bem com tetos rebaixados ou tratados acusticamente.

Eu ouvi uma entrevista recente de um engenheiro projetista da Pioneer afirmando com segurança que as caixas com topo irradiante (Atmos-enabled) soam melhor do que as caixas no teto e eu acredito que é bem mais provável que elas irão ter prevalência da escolha na hora da adaptação do home theater atual ou na construção de um sistema novo. [Webinsider]

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4 respostas para “Dolby Atmos”

  1. Olá, Luiz,

    Não é possível reproduzir qualquer codec gravado na trilha sonora sem o decodificador correspondente. Infelizmente, é o caso do seu equipamento.

    Porém, como a trilha do Dolby Atmos é uma extensão tanto do Dolby TrueHD (Blu-Ray) como do Dolby Plus (streaming ou TV), ele será ignorado e a reprodução se dará pelo codec base.

  2. Luiz zago disse:

    Tenho um receiver, na minha sala dedicada, da Onkyo modelo SR 3010 que tem dois canais de teto chamados height e wide. Gostaria de saber se eles irão reproduzir o Atmos já que o receiver decodifica sons height e wide.
    Um abraço
    Obrigado

  3. Paulo Roberto Elias disse:

    Tresse, o estéreo continua firme e forte onde eu escuto música. Afinal, as mixagens são feitas de forma conservadora para este formato, e quem sou eu para dizer o contrário?

    Bem verdade que no passado eu apresentei ao leitor outras formas de ouvir estéreo, mas fica a critério de cada um apreciar o que quiser.

  4. E. TRESSE disse:

    Paulo, vocês de áudio não sossegam e vão acabar rediscobrindo o stereo, mas não pare de escrever.

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