Comunicação não é para amadores

12 de fevereiro de 2016

Uma reflexão sobre a gestão de crise em redes sociais, onde se costuma atirar primeiro e perguntar depois.

Uma coisa me incomoda como editor sobre o caso do Quitandinha Bar, texto que viralizou. Você vai entender.

Antes de mais nada, ninguém aqui valoriza atitudes machistas que inferiorizam as mulheres, ok? O assunto está na administração de uma situação de crise, que pode acontecer com qualquer pessoa ou empresa.

Resumo da história: segundo relato no Facebook, duas moças foram desrespeitadas em uma mesa de bar por dois caras sem noção. Elas não suportam, decidem ir embora, pedem a conta e reclamam. O gerente dá apoio aos trogloditas, que seriam clientes conhecidos. A polícia aparece e sugere que compareçam à distante delegacia, junto com os agressores, para registrar um Boletim de Ocorrência. As moças declinam, obviamente. Leia o post.

Milhares de pessoas reagiram rapidamente ao post, em solidariedade contra o machismo e as atitudes incivilizadas.

Daí que me aparece um amigo querido e questiona a publicação do artigo:

– Mas vem cá, você tem certeza de que é verdade isso? E se fosse o caso de um ativismo feminista buscando criar uma polêmica? Não podemos concluir sem saber ao certo, só porque está no Facebook!

– Não estamos julgando pelo lado policial ou jurídico, o que interessa aqui é o que o estabelecimento pode fazer em termos de relacionamento nas redes sociais. O olhar é pelo ponto de vista da comunicação (como agir quando algo assim acontece com você ou sua empresa). Mas, é verdade, partimos sim do princípio de que o gerente do bar no momento agiu muito errado.

– Acontece que ao expor o caso você contribui para a difusão de casos inventados. O que já se tornou um gênero, o chamado Fanfic de esquerda, sempre sobre vítimas da sociedade.

– E por que você acredita nesta hipótese? A situação descrita é bem plausível.

– Porque não há nomes, características físicas, fotos, vídeos e nem nada que identifique o gerente, os agressores, os policiais. Identifica apenas o bar. A própria hashtag
#‎vamosfazerumescândalo‬ sugere a intenção de espalhar amplamente.

– Ok, mas claramente parece verdade, pois o bar não nega exatamente. Disse ao G1 que está apurando e que pretende se defender juridicamente. Por isso acredito no relato. Mas você está certo – não se deve linchar e apedrejar virtualmente sem pensar duas vezes.

Agora vem a questão

Entendam: não se sabe à primeira vista se o post é verdadeiro, falso ou tendencioso. Seria preciso investigar, entrevistar os envolvidos, procurar identificar o gerente citado e encontrar testemunhas que poderiam ter acompanhado a discussão. Fazer a reportagem.

Acredito que é verdadeiro.

A maioria das pessoas também dispensa a reportagem, aceita o relato e critica o machismo sem pensar duas vezes. Como não há forte negativa por parte do bar, fica reforçada a impressão.

Mas aparece também mais um componente para apimentar casos semelhantes ao do Bar Quitandinha – imagine que o seu cliente enfrente uma situação parecida, cujo estopim é um post no Facebook artificial e planejado?

Devemos estar preparados, a comunicação não é para amadores. [Webinsider]

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