Marcas querem ser pessoas e vice-versa

Nova Escola de Marketing
17 de março de 2016

Marcas cada vez mais querem parecer humanas e pessoas querem se tornar tão fortes quanto marcas. Isso não deixa de trazer uma certa contradição.

marcas

 

Empresas e corporações nunca terão a imagem espontânea de pessoas de verdade. E pessoas, mesmo famosas e conhecidas, podem cair em armadilhas quando se preocupam demais com marketing, público-alvo e poder de vendas.

Quando foram criadas, muitas marcas nasceram da iniciativa individual de empreendedores que construíram negócios como Ford, Hewlett-Packard (HP), Ferrari, Johnson, Granado (Brasil) e outras pessoas.

Depois do auge da era industrial, as fábricas passaram a entrar em um processo mecanizado, produção em série, grandes unidades e produção em massa. As marcas modernas substituíram as antigas relações diretas entre o artesão e o consumidor, da loja ou do armazém da esquina.

As marcas e o marketing

Para conquistar e fidelizar essa massa de consumidores vieram os recursos de marketing, design e publicidade. Os anos 50 mostram bem isso, a euforia pós-guerra, a evolução da tecnologia em novos produtos, enormes lojas de departamento e os modernos shopping centers, que pareciam anunciar um maravilhoso mundo mágico de consumo.

Essa guerra pela atenção do consumidor acabou forçando as marcas a investir ainda mais na comunicação, tentando humanizar mais seus produtos e serviços, vendendo o conceito de que elas eram parte de nossas vidas e sonhos.

Nos últimos 25 anos a internet se tornou a principal forma de comunicação e acelerou este processo de diversificação e disputa de mercados. Modelos de negócio sólidos foram para o espaço. O mundo digital mostrou-se diferente, dinâmico, inusitado e as redes sociais tomaram o poder e a atenção das pessoas.

Num mundo de bilhões de pessoas conectadas os consumidores descobriram seu poder e atualmente exigem uma maior personalização de seus desejos de consumo. As grandes empresas passam a correr atrás e tentam dialogar cada vez mais com eles, buscando acumular cada vez mais informações pessoais para atender aos diversos segmentos.

Por isso somos super rastreados em nossos hábitos e consumos, o que torna um risco nossa liberdade individual e poder de decisão. Vivemos a maior parte do tempo conectados e ao mesmo tempo cercados por mensagens, banners e pop ups que nos perseguem o tempo todo, a um clique de distância.

A única vantagem deste novo mundo digital é que os pequenos e independentes nunca tiveram tanta força, em termos de acesso a informação, possibilidade de expressão culturais e distribuição de cultura, mídias e notícias. Temos voz, abrimos canais e conexões com muito mais facilidade, podemos de repente nos tornar virais e atingir todo o universo em questão de minutos ou horas.

Existência online

O valor da opinião pessoal nas redes agora tem um potencial infinito, para o bem e para o mal. Isto influencia a nova economia e até a política, que teve que mudar seus processos. Algumas pessoas já conquistaram um poder de mídia e repercussão maior do que muitas empresas e instituições.

Com a velocidade da internet nesta era digital, o falso e verdadeiro se misturam com muita facilidade. Mas com algum esforço e critério ainda é possível checar fontes e averiguar e confirmar a veracidade ou não dos fatos.

Empresas e pessoas com más intenções e práticas desonestas podem ser pegas e desmascaradas com mais facilidade. Uma atitude errada, exposição em excesso ou uma ação politicamente incorreta, podem queimar e trazer uma repercussão negativa.

Em tempos líquidos nunca foi tão fácil e rápido ver tudo se desfazer em um instante, tanto para empresas quanto pessoas.

Por isso é difícil nestes tempos fazer uma marca parecer sincera e espontânea. Na era da conversão e dos resultados instantâneos, isso pode até se tornar impossível.

Pessoas e marcas, para sobreviver, precisam achar o ponto de equilíbrio. O melhor ainda é acreditar e investir no trabalho real, de longo prazo. É preciso ser sincero e transparente na autenticidade e construção de uma marca ou identidade.

Na era digital, o verdadeiro valor é difícil de digitalizar.

Obs: Este texto foi escrito a partir de uma tradução livre do texto de Dan Wallace (com alterações e acréscimos) — “The Paradox of Personal Branding”

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