Por que a administração está em crise

11 de julho de 2016

A gestão é filha da era cognitiva escrita, como a curadoria digital será filha da internet. Algoritmos sociais inteligentes no lugar dos antigos gestores de pessoas e processos.

Administração em crisePodemos dizer que a administração vive três crises neste novo século:

  • A de conceito;
  • A estratégica;
  • E a tecnológica.

Vejamos.

A crise de conceitos

Temos a falsa ilusão que são as tecnologias que giram em torno da administração e não o contrário.

Não é assim que a humanidade caminha!

O ser humano é uma tecnoespécie, cercado por tecnologias por todos os lados, que são inventadas e disseminadas com cada vez com mais intensidade, conforme aumentamos o tamanho da população.

Os modelos de administração da sociedade, assim, são tecno-modelos.

A gestão é filha da era cognitiva escrita (manuscrita e impressa). Assim como a curadoria digital será filha da internet.

Administração em crise

A gestão está ficando obsoleta, pois crescemos demais e chegamos ao seu limite.
Hoje, já temos o que colocar no lugar.

Novas alternativas, como a cultura Uber, que permite que possamos resolver com mais eficácia o problema do custo/benefício e superar com mais elegância o eterno conflito entre quantidade e qualidade dos produtos e serviços.

A cultura Uber, assim, introduz muito mais do que novo modelo de negócio: novo modelo administrativo, no qual algoritmos sociais inteligentes tomam o lugar dos antigos gestores de pessoas e processos.

Quem administra os motoristas do Uber não é mais um gestor, mas o próprio consumidor, que classifica cada corrida e aguarda que os algoritmos sociais inteligentes de pessoas da plataforma digital participativa do Uber tome atitude, quando alguém acaba por ficar abaixo do padrão.

Um motorista do Uber sai do radar da Plataforma se não obtiver 4,7 em 5,0. A decisão da saída dele da plataforma não passa pelo gestor de pessoas. Não existe gestor de pessoas no Uber.

Isso é o que permite custo menor e qualidade melhor e mais agilidade diante do atual patamar de complexidade demográfica.

Mais do que isso.

Vários passageiros já podem dividir corrida no Uber Pool, pois há algoritmos sociais inteligentes de processos que fazem o melhor roteiro, juntando pessoas ao longo do caminho.

Não existe gestor de processos no Uber.

O Uber e similares são ainda organizações primitivas desse novo modelo administrativo 3.0 emergente, começando a testar pela primeira vez inteligência artificial na administração em larga escala, substituindo gerentes por robôs.

Hoje, não se imagina que um motor de avião possa ser feito e coordenado por algoritmos sociais inteligentes, mas a meu ver é uma questão de tempo.

A administração 3.0 tem tudo para ir se sofisticando com o tempo e entrar pouco a pouco mais e mais em cada área administrativa da sociedade, trocando o gestor de carne e osso por algoritmos sociais inteligentes, muito mais hábeis para ouvir e decidir na atual complexidade.

É uma mudança topológica da administração.

Estamos deixando o mundo da administração baseada em líderes-alfa e migrando para o dos curadores de “formigueiros”. Fechamos longo ciclo administrativo e estamos abrindo outro completamente novo e disruptivo.

É apenas uma questão de tempo, de tentativa e erro.

Como diz John Naisbitt:



“O futuro não é temporal, mas regional, basta olhar para a região adequada.”

A crise estratégica

A segunda crise é de como fazemos a passagem do hoje 2.0 para amanhã 3.0.

Tentei nos últimos dez anos introduzir a nova lógica 3.0 em organizações 2.0 de dentro para dentro, mas não deu certo.

Fracassei, como também diversas empresas aqui e nos EUA – conforme estudos da Gartner detalhadas no livro “Mídias sociais na organização”, de Anthony J. Bradley e Mark P. McDonald.

O motivo do fracasso só ficou mais claro quando percebi que estava pensando de forma equivocada. Algo como a crise que Galileu enfrentou e resolveu há muitos séculos:

A administração gira em torno das tecnologias das trocas e muda conforme mudam, e não o contrário.

É uma mudança rara na sociedade, mas quando ocorre é matadora. A gestão, infelizmente, acha que é o sol no universo administrativo, mas não é. Avisa aí.

O sol agora é digital e a órbita é outra!

Decretei, assim, no meu último livro, que a gestão iniciou seu estágio terminal. E que as organizações que a praticam estarão fadadas a fechar ou perder valor no curto, médio e longo prazo, dependendo da capacidade de evolução do novo modelo de curadoria digital em cada área.

Desisti, assim, de tentar implantar curadoria na gestão, pois são dois modelos administrativos incompatíveis. O novo vem com desejos assassinos de matar o velho. E está, como um serial killer, conseguindo.

Como se resolve a crise?

É preciso criar laboratórios externos de migração administrativa do atual modelo para o novo. Tais ambientes servem de “sementeira” para criar novo DNA administrativo, no qual gerentes de pessoas e processos são substituídos por algoritmos sociais inteligentes.

O DNA administrativo é outro!

Isso tem que ser assumido estrategicamente, planejado e colocado em prática de forma urgente. A semente, com o novo DNA administrativo, vira muda, a muda, árvore e daí a floresta, que vai formar a nova organização 3.0.

A crise tecnológica

A terceira crise é tecnológica, pois a administração 3.0, que introduz o método da curadoria digital é ainda algo primitivo e precisa ser desenvolvido tecnologicamente, com várias implicações tecnoculturais.

Nossa cabeça precisa mudar num curto espaço de tempo, o que no passado gerações levaram séculos ou décadas.

Plataformas digitais participativas não estão prontas em prateleira e irão exigir investimento muito intenso em algoritmos sociais inteligentes, que são basicamente o novo espaço de trabalho dos administradores.

Eles não lidarão mais diretamente com processos e pessoas, mas indiretamente, através da programação de algoritmos sociais inteligentes, que farão o mesmo que fazem hoje, mas de uma forma muito mais eficaz.

Cada problema exigirá algoritmos sociais inteligentes diferentes. Não é algo que se compra na esquina. Isso envolve muito investimento de tempo e recursos. E muita massa cinzenta para que sejam cada vez mais humanos.

É preciso cuidar (curadoria) do novo ambiente para reduzir fraudes e vandalismo, aumentar a eficácia para cidadão/consumidor cada vez mais exigente e com mais pressa.

O problema é que tal tarefa tem sido relegada aos profissionais de TI e não para o novo profissional de administração 3.0, que ainda está enfeitiçado pela gestão e não entendeu seu novo papel no futuro.

Conclusão

Haverá intensa demanda por profissionais de administração 3.0, que consigam entender o novo cenário e saber ser curador de plataformas digitais participativas e ajudar as organizações a migrar para o novo modelo.

Assumir estrategicamente em suas carreiras que a gestão está com os dias contados e que o que vai gerar valor no futuro será a curadoria de plataformas digitais participativas, através da programação constante de algoritmos sociais inteligentes de pessoas e de processos.

Há um novo mercado que está se abrindo.

São poucos os que estão enxergando.

Detalho a minha visão sobre o tema no meu novo livro: Administração 3.0: como e porque Uberizar uma Organização Tradicional, que pode ser comprado online. [Webinsider]

Leia também:

O modelo Uber adotado em larga escala

O fim da gestão e o início da curadoria

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