Políticos erram na comunicação

Nova Escola de Marketing
13 de setembro de 2016

Entre o que o político entende por comunicação e o que ele realmente transmite vai uma longa distância.

Políticos tropeçam na comunicaçãoA comunicação vem se tornando complexa, à medida que surgem mais e mais canais de interação, aplicativos e redes sociais.

Mas uma coisa é certa: políticos só associam comunicação à divulgação, seja pela imprensa ou pela publicidade oficial.

Um exemplo disso é o atual prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Fernando Haddad.

Em sabatina promovida por UOL, Folha de S.Paulo e SBT, Haddad afirmou que houve um déficit de comunicação durante sua gestão, devido à cobertura de temas nacionais pela imprensa e à redução da verba destinada à publicidade pelo seu governo.

No entanto, atribuir a má avaliação da gestão à pouca divulgação de suas realizações é confundir comunicação com publicidade. Explico o porquê.

Primeiro, a imprensa noticiou amplamente a implantação de ciclofaixas, a ampliação de corredores de ônibus, o fechamento da Av. Paulista para lazer aos domingos e a redução de velocidade nas marginais e principais vias da cidade.

Clareza

À época de cada uma dessas mudanças, o que faltou foi maior clareza sobre os motivos e impactos, além de ampla divulgação do planejamento dessas ações e tempo para efetiva implantação e aceitação.

Tudo pareceu ter sido feito sem um plano consistente, às pressas, sem diálogo e transparência.

Segundo, veicular propagandas em diferentes canais com as realizações da gestão é uma estratégia de comunicação – mas e as outras existentes?

Por que não usar mais as redes sociais para dialogar com a população? Esse, aliás, é um canal subutilizado por todos os políticos no Brasil, talvez pela abertura que dá aos usuários para se manifestar.

Publicidade oficial

A via de mão única da publicidade oficial impede que as reais e múltiplas opiniões apareçam, além de enfatizar apenas os feitos, os dados e as histórias que condizem com a imagem que se deseja passar aos eleitores.

Vale dizer: Haddad não está sozinho. É preciso que os políticos em geral assumam uma nova postura no mundo digital em que todos (inclusive eles) vivemos e que concebam a comunicação em sua complexidade, não apenas associando-a à divulgação, via imprensa ou publicidade.

Divulgar planos, ser transparente nas implantações de ações, usar redes sociais, participar de fóruns abertos e de audiências públicas durante todo o mandato – e não apenas em período pré-eleitoral – são atitudes fundamentais para que as demandas da população sejam ouvidas e (ao menos) discutidas – e para que os frutos da gestão sejam sentidos no cotidiano das pessoas, e não apenas publicizados. [Webinsider]

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