História sem perrengue não é storytelling

Nova Escola de Marketing
06 de outubro de 2016

A empatia acontece através de três técnicas não excludentes: a imersão no universo alternativo, o espelhamento com o protagonista e o reconhecimento do conflito.

No mundo do storytelling – e na vida -, fica a lição: sem perrengue, tudo fica sem graça!

Em seus altos e baixos, a vida nos ensina que a felicidade não é um objetivo, mas um estado de espírito momentâneo, pontual, instável, sujeito a mudanças por conta da primeira pedra no caminho.

história sem perrengue não é storytelling

Seja utilizada como roteiro de uma obra de entretenimento (filme, peça de teatro, game) ou para transmissão de uma mensagem publicitária (respeitando, claro, a coadjuvação da marca em favor da história), uma narrativa busca estabelecer uma empatia com seu público (audiência, consumidor) através de três técnicas não excludentes: a imersão no universo alternativo, o espelhamento com o protagonista ou o reconhecimento (ou projeção da possibilidade) do conflito, estes três fatores parte do que trato como a Tríade Narrativa, ou, os pilares sobre os quais uma história é criada.

Os pilares de uma história

Muitas marcas pensam que trabalhar storytelling em sua comunicação mercadológica é apenas contar uma história. Mas tem muito mais envolvido.

A aplicação do conceito pode tanto permear a roteirização de uma peça publicitária (a forma mais simples e direta de utilização) como também servir de alicerce para algo maior, até mesmo para a construção de um posicionamento de marca através de sua arquetipificação.

No primeiro uso, ou seja, na construção de narrativas para transmissão de uma ideia, conceito ou mensagem, a utilização do storytelling como ‘forma’ de transmissão traz uma armadilha bastante traiçoeira para os profissionais de comunicação.

O envolvimento do público com uma história se dá primordialmente pela possibilidade de que tudo dê errado.

 

História sem perrengue é storytelling

 

Embora saibamos que em 99,9% das vezes o bem vence o mal e “tudo dá certo no final, se não deu certo é porque não chegou o final”, a mínima possibilidade do fracasso, do protagonista se dar mal, do objetivo não ser cumprido, é um dos fatores chave para que a audiência acompanhe a narrativa.

Na verdade, no fundo já sabemos que tudo vai dar certo, mas queremos saber até onde as coisas vão dar errado ANTES de começarem a dar certo. Depois pode rolar aquela comemoração emocionada básica….

 


Tarefa divertida: olhar a reação dos figurantes nas cenas finais de celebração

Se não há conflito, se não há a mínima possibilidade de que algo dê errado, ninguém torce (nem a favor, nem contra); se não há torcida (projeção de felicidade, empatia com a luta do protagonista), não há envolvimento e, consequentemente, não há lembrança, não há, pedindo desculpas pelo jargão, engajamento com a história.

Isto tudo me ocorreu ao assistir este vídeo da Gol e Delta sobre suas operações conjuntas.


“Ah, que lindo! Somos amiguinhos e do bem! Praticamente um Meu querido pônei!”

 

É uma história? Sim. Tem ‘começo, meio e fim’. Sim. Usa técnicas de storytelling para prender a atenção do público. Definitivamente não.

O público não quer assistir à representação de um mundo e uma vida perfeitos, como uma sequência de snapchats da Pugliesi; quer furacão, quer emoção, quer ver nossos amigos enfrentando perigos e caçando aventuras (pra quem entendeu a referência =)).

 

 

Como esta história da Delta e Gol poderia ser transformada – se tornar mais atraente, mais envolvente – através do storytelling verdadeiro? Não, não estou sugerindo que o avião caia no meio do caminho, mas que interessante seria o Carlos (Gol) se perdesse no aeroporto de Dallas, o Raphael (Delta) em São Paulo fugindo de taxistas de dentro de um Uber (não, brincadeira!)… enfim, pessoas sempre felizes são insuportáveis, uma vida sempre colorida perde a cor, uma história sem perrengue não é storytelling.

[Webinsider]

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