Indústrias repassam custos de R$ 130 bi ao consumidor

22 de novembro de 2016

A deficiência na segurança pública brasileira reduz a competitividade do país e aumenta os preços dos produtos para o consumidor. Estudo da CNI tem os dados.

Custo violênciaSegundo os autores do livro Por que as nações fracassam?, o que atrapalha um país a evoluir não são as condições do clima, a herança colonial ou qualquer outro motivo, mas simplesmente o fato de os sistemas destes países serem assim propositadamente.

É bem o caso do Brasil. Nós somos um país que tem errado demais na gestão pública, como todos sabemos. As leis e as práticas aqui protegem os desvios de verba pública, os interesses privados e a má gestão.

Até o brasileiro mais distraído desconfia de que temos organizações criminosas infiltradas na administração pública, no governo e nas empresas de quem o governo contrata serviços.

E há também o crime com violência direta, que custa tão caro a todos nós. Pois tudo isso é para comentar um press release de hoje da CNI, que calcula um pouco deste custo, mas do ponto de vista das indústrias.

As indústrias gastam bilhões de reais com segurança e, claro, repassam estes custos ao consumidor.

Os produtos que precisamos comprar – do sabão em pó ao notebook – já custam caro porque têm os impostos do governo, mas custam um pouco mais caro ainda para cobrir as despesas de segurança, para não sejam roubados no caminho ou para compensar os que foram.

Segue o release:

A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) divulga o resultado do estudo Deficiência na segurança pública reduz competitividade do Brasil.

Segundo o relatório, todos os anos, R$ 130 bilhões deixam de ser investidos na produção industrial em função da violência no país.

Esse é o volume que a indústria de transformação brasileira gasta anualmente com custos com segurança privada e com as perdas decorrentes de roubo de carga e vandalismo.

Para fazer a estimativa, a CNI considerou dado do Banco Mundial que diz que 4,2% do faturamento anual das empresas brasileiras é comprometido com custos com segurança privada e com as perdas decorrentes de roubo e vandalismo.

O dado é de 2009, mas, supondo que o percentual se manteve constante, a Confederação atualizou o volume considerando a receita bruta da indústria de transformação levantada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No entanto, é provável que o percentual tenha se elevado nos últimos anos em função da crise econômica que assola o país, destaca o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

“Com a crise, mais pessoas perderam o emprego e passaram para o mercado informal, que muitas vezes é alimentado por produtos piratas ou oriundos de roubo de carga, o que ajuda a estimular a violência. A violência é mais um dos fatores que afetam a competitividade brasileira”.

O documento mostra que o número de ocorrências de roubo e furto de carga aumentou 64% entre 2010 e 2015, chegando a 20.803 no ano passado. Para se proteger, as empresas desviaram recursos para manter a segurança do canteiro de obras e evitar que haja roubo dentro das instalações, por exemplo.

O estudo da CNI mostra que houve aumento da demanda por esses serviços. Entre 2004 e 2014, o emprego no setor de serviços de segurança cresceu, em média, 7,2% ao ano.

Além de reduzir investimentos, a falta de segurança pública impacta a competitividade do país ao diminuir a produtividade dos trabalhadores, uma vez que ficam mais estressados e inseguros.

Menos produtivas e com gastos maiores em segurança, as empresas acabam repassando os custos para seus produtos, impactando o preço que chega aos consumidores.

Quanto custa

O Brasil está entre os países cujas empresas têm os maiores custos com crime e violência. Desde 2006, segundo levantamento do Fórum Econômico Mundial, o país está entre os 25% com pior desempenho no ranking mundial do indicador, em uma análise de, em média, 138 nações.

Em 2015, em uma escala que vai de 1 a 7, em que quanto mais próximo de 7, melhor é a posição do país, o Brasil ficou com 2,87. A nota fica abaixo da média da América Latina (3,22) e atrás de países como Haiti, República Dominicana e Argentina.

[Webinsider]

Marketing de conteúdo bem explicado por Rafael Rez

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