Storytelling além da quarta parede

Nova Escola de Marketing
12 de janeiro de 2017

Utilizar referências criadas em histórias fictícias permite entrar em um storytelling já criado e, ainda melhor, que não é mensagem publicitária.

Na construção de histórias, a “quarta parede” é a divisão entre os espectadores e os atores, a barreira imaginária que separa a narrativa apresentada em filmes, peças de teatro, games, seus atores e acontecimentos do público que os assiste.

É onde reside a divisão entre o real e o representado, entre a vida e a arte.

Além da quarta parede

A quebra da quarta parede acontece quando os atores, elementos ou acontecimentos da história interagem diretamente com seus espectadores, em um diálogo que transcende as duas realidades: a “verdadeira” (onde estamos assistindo ao filme, peça, game) e a “criada” (onde vivem os personagens).

Esta quebra permite aos personagens, até então fictícios, invadirem a realidade vigente, criando assim a estranheza e rompendo com a percepção do que é real ou não.

Desde “O grande roubo de trem”, de 1093, diversos filmes fizeram uso desta técnica, que pode ser utilizada pelo próprio personagem durante o acontecimento dos fatos, em uma narração à parte ou através de um narrador externo atuando como ponte entre os dois mundos.

Entre alguns exemplos: “Noivo neurótico, noiva nervosa” (1997), de Woody Allen, “O lobo de Wall Street” (2013), “Violência gratuita” (1997) e “Clube de Luta” (1999).

A 3ª temporada de “Better Call Saul”, um spin-off da série “Breaking Bad” foi recentemente apresentada com um autêntico comercial de 30 segundos da rede de restaurantes Los Pollos Hermanos que poderia facilmente ser aceito como publicidade de um estabelecimento real para aqueles que não conhecem a referência original:

 

 

O clássico “Curtindo a vida adoidado” (1986) construiu sua história em um misto entre a observação da vida do protagonista e, praticamente, um vídeo de autoajuda sobre como cabular aulas:

 

 

Deadpool (2016) usa e abusa desta quebra, não por acaso homenageando Ferris Bueller na cena pós créditos.

O anti-herói da Marvel, na verdade, vai além da intersecção entre os universos narrativo e real; ele próprio tem plena ciência que se trata de um personagem, parte de uma franquia, criado por uma empresa, o que lhe permite inclusive fazer piadas sobre custos de produção de filmes e os executivos que comandam a criação destas histórias.

 

 

Cruzando a quarta parede

Uma extensão da quebra da quarta parede, contudo, pode ser vista quando elementos inicialmente criados como parte de uma história fictícia tomam o mundo real, são incorporados pela “realidade real” e passam a fazer parte dela, reforçando a credibilidade da narrativa fictícia e/ou aproveitando-se da imagem por ela construída para tornarem-se negócios reais, como a Icelandic Mountain Vodka, com a referência para fãs de Game of Thrones:

 

 

A rede de restaurantes Bubba Gump Shrimp Company, criada em 1994 pela Viacom Paramount e inspirada por seu filme “Forrest Gump, o contador de histórias” é um ótimo exemplo deste movimento das histórias rumo ao mundo ‘real’, bem como a cerveja Duff, do mundos dos Simpsons para sua casa.

 

Quarta parede

 

Utilizar-se das referências criadas nas histórias fictícias permite entrar em um storytelling já criado e, ainda melhor, criado como conteúdo a ser consumido e não mensagem publicitária.

Assim, o mercado de franquias de marca não apenas ‘gruda’ personagens em produtos, e sim traz para o mundo real marcas criadas inicialmente com o único propósito de construírem o universo onde as histórias acontecem mas, pelo próprio caráter emocional destas histórias, cria reconhecimento e vínculos que só beneficiam suas versões reais.

A vida imita a arte, que imita a vida. [Webinsider]

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