O Blu-Ray UHD 4K parece que faz sucesso… lá fora!

Nova Escola de Marketing
21 de maio de 2017

O Blu-Ray UHD 4k, mídia de home vídeo que aparenta estar vendendo bem fora do país, não vai chegar aqui tão cedo.

Pesquisas recentes apontam que o sucesso de vendas do Blu-Ray UHD 4K superou as expectativas dos estúdios e fabricantes de reprodutores de mesa, mas se o leitor prestar atenção com cuidado poderá perceber que se trata de uma previsão apenas.

O Brasil, de longo tempo para cá ganhou a reputação de ser um dos maiores mercados mundiais para home vídeo, mas eu não sei dizer como e quem originou esta afirmação.

O que eu sei como consumidor é que desde tempos imemoriais todo aficionado era obrigado a importar a mídia ou compra-la a preço de ouro em lojas especializadas. No Rio de Janeiro desta época algumas lojas eram dedicadas a este tipo de serviço, e todas elas desapareceram em um momento ou outro.

Então, foi somente depois da nossa vida on line é que este cenário se tornou menos áspero. Eu usei Internet com texto, digitava Telnet qualquer coisa, entrava em um banco de dados criado por uma revenda americana, pesquisava qualquer disco do meu interesse e depois comprava. E funcionava, sem imagem sem nada. Receber pelo Correio daqui sempre foi um parto, mas no final compensava.

Esta balada me ensinou pelo menos uma lição: de que formatos sem suporte neste país eventualmente poderão prenunciar um sonoro fracasso lá fora também, talvez porque o empresário brasileiro típico não se arrisca de jeito nenhum.

Para mim acho até hoje surpreendente o aparecimento da HDTV fora do ambiente acadêmico, a transmissão digital pelas emissoras abertas, a entrada do Blu-Ray e das televisões com tela de 1080p e depois de 2160p e HDR nas lojas locais.

Em contrapartida, o Laserdisc, por exemplo, nunca foi prensado no Brasil. E o CD custou a sair, depois de mais de um ano lá fora vendendo que nem bolo quente. Idem para o DVD região 4, chegando ao ridículo da fábrica da Sony exportar DVDs região 1, que eram prensados aqui, ao invés de distribui-los nas lojas.

Outros formatos começaram a entrar e um tempo depois desapareceram. Até hoje, eu só conheço o trabalho de Homero Lotito em DSD, que ele desenvolveu com grande sacrifício pessoal e com dificuldades de vários matizes.

DVD-Audio brasileiro, eu até tenho dois, editados pela etiqueta Trama, com matrizes da Philips gravadas pela cantora Elis Regina, e mais nada:

Um desses discos eu achei em uma liquidação na loja física que eu visito habitualmente. Depois disso, nunca soube de nenhum outro lançamento desse formato por gravadora alguma.

O que se pode ver é isso: não adianta lançar formato de alta resolução em um país supostamente de “grande mercado” como o nosso, se o consumidor não tiver esclarecimento ou interesse, e no caso brasileiro, acredito eu, geralmente os dois!

Sendo assim, não me surpreendeu totalmente o absoluto desinteresse por parte dos estúdios em declinar o lançamento do Blu-Ray 4K, embora ironicamente as televisões à venda nas lojas disponibilizem aparelhos com todos os pré-requisitos para uma reprodução correta desta mídia.

O que é estranho é se constatar que nem o aparelho reprodutor de mesa apareceu por aqui. Conversei no ano passado com um representante da Sony, que me contou que a empresa estava cogitando lançar o aparelho deles no Brasil, mas nada ainda havia sido decidido. Aparentemente, a decisão de não se mexerem prevaleceu entre os executivos da empresa.

A Sony, principal interessada no formato, já havia abdicado do SACD. E agora parece abdicar do Blu-Ray 4K. E se ela Sony não se interessa por um projeto que vai custar caro para o consumidor final aparentemente desinteressado, quem mais iria se aventurar nesta empreitada?

E a suposta qualidade?

Mesmo aficionado, eu seria um que jamais compraria a desventura do ator Matt Damon como o homem perdido em Marte, só por causa do 4K. Aliás, nem 4K nem 2K, que me perdoem os fãs do filme!

Então, eu faço como todo mundo que eu conheço faz: contrato um serviço de streaming e assisto 4K na minha caríssima televisão, mas no final acabo constatando que a imagem pouco se distingue daquela gerada em 1080 linhas. Isto se explica porque a própria TV re-mapeia pixel a pixel a fonte de sinal, e se eu for usar uma fonte 1080p nativa, a partir de um formato confiável, eu tenho meios de gerar uma imagem 4K a 60 Hz sem muito esforço.

Comparando os meus arquivos de referência para 4K, eu sou obrigado a chegar à inevitável conclusão de que a imagem 4K por streaming é inconvincente, por conta da alta compressão na transmissão do sinal.

Se eu mostrar uma imagem 4K deste tipo a alguém desavisado, eu posso misturar imagens 4K e 1080p e este alguém não vai saber notar a diferença, mesmo que a distância entre a TV e o sofá seja curta!

Eu já fiz esta experiência várias vezes, o que eu ouço é “puxa, que imagem linda”, e fica por aí mesmo. Misturo resoluções e ninguém nota nada.

Bem que eu poderia culpar o tamanho da tela, achando que deveria fazer esta reprodução em uma tela maior, mas acho pouco provável que o resultado da experiência acabe sendo diferente.

Uma coisa que vem me chamando constantemente a atenção desde o ano passado é que, uma vez conseguindo uma linha de transmissão de sinal estável em 4K, a partir do meu Blu-Ray player e depois passando pelo A/V receiver, a imagem chega à televisão como se fosse uma resolução 4K nativa, tal o detalhamento conseguido, em muito superior ao 4K do streaming!

Este aprimoramento tem base no excelente desempenho de upscaling do processador de vídeo por onde passa o sinal, no meu caso, o do A/V receiver, que é muito mais recente e mais sofisticado do que o do Blu-Ray player.

E como em vários lançamentos de discos Blu-Ray 4K existe uma menção ao fato de que o estúdio optou por um intermediário digital em 2K, eu me pergunto se vai haver alguma diferença em relação ao que estou vendo neste momento.

Sim, posso levar em consideração que existe uma diferença enorme no aumento do bitrate da linha de transmissão de um disco 4K, com uma compressão de sinal menor, que beneficia qualquer imagem de vídeo, e só isso sugere que o Blu-Ray UHD possa ser muito superior.

Mas, eu só poderia saber se isto é verdade depois de colocar as duas mídias em paralelo, e mesmo assim a análise seria subjetiva e, portanto, sujeita a erros de interpretação do resultado. No momento, não há chance do meu lado para que tal aconteça.

Como então eu só posso (e devo) comparar a minha linha de transmissão 4K com arquivos de referência que eu tenho em meu poder, posso me arriscar dizendo que provavelmente a diferença, se existente, não iria pesar na minha decisão de investimento neste tipo de mídia.

Ao nível do computador desktop eu até já comentei que é uma tarefa inglória, e portanto uma comparação inexequível. A instalação obrigatória de uma CPU Intel com esquema de proteção é absurda. O mundo da informática gira agora em torno de um novo processador AMD, batizado de Ryzen. Depois disso, montar Intel outra vez para mim chega a ser um projeto completamente sem propósito.

Se nenhum aparelho de mesa para Blu-Ray for colocado à venda no país, e diante da experiência de vida que me mostrou o lado negativo de importar mídia depois falida, eu me reservo ao direito de não embarcar em uma canoa furada outra vez. E acredito que qualquer consumidor não convencido iria fazer o mesmo.

É certo que um disco Blu-Ray 4K tem tudo o que precisa para ser um produto superior, mas não sem garantia em um mercado como o nosso, que reage todo dia às patifarias de grupos de políticos e empresários, que saquearam os cofres públicos durante anos e não ficaram nem rubros. [Webinsider]

Filme Miles Ahead é uma homenagem a Miles Davis

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2 respostas para “O Blu-Ray UHD 4K parece que faz sucesso… lá fora!”

  1. Márcio Fernandes disse:

    Descobri seus textos recentemente. Nunca concordei tanto com opiniões sobre A/V! Perfeitamente inseridos no contexto de mercado brasileiro. Estou entrando no mundo 4k por insistência de quem há mais de vinte anos erra e acerta neste mundo de entretenimento. Pela razão, deveria nem fazer buscas sobre discos e equipamentos. Mas a aquisição de uma Oled 4k fez com que uma coisa puxasse a outra. Concordo plenamente com a sua posição quanto ao streaming: há boas opções em 4k, apesar de restritas em oferta. Mas, sempre pensei assim, ainda demora pra internet substituir a mídia física em questão de potencial qualitativo. Isso a quem realmente se importa. Principalmente em relação ao áudio. Difícil se contentar com um simples DD 5.1 em tempos de áudio HD 7.1 pra cima. Investir em equipamentos consideráveis pra se atrelar a serviços de streaming é como comprar um bom carro e não sair da quadra de casa. Netflix esta para o video assim como o MP3 esteve pra música. Assim, estou aguardando a chegada do meu primeiro blu-ray player 4k.
    Pra finalizar, sobre HDTV, comecei a recepcionar esse sinal em 2008. Assusta-me o fato de, aqui em Curitiba, dez anos depois, ainda haver a necessidade de informar, demonstrar e dizer o quão melhor é à população em geral! E o sinal vai ser desligado e haverá gente tentando ajeitar a antena de vhf pra recuperar a imagem analógica… Grande abraço!

    • Olá, Márcio,

      Em primeiro lugar, obrigado pela leitura.

      Eu sou 100% a favor da mídia rotativa, como colecionador de filmes que sou há muitos anos. E concordo totalmente contigo, quando você compara Netflix a MP3. Acho o Netflix um boa alternativa para conteúdos específicos, como certos documentários, por exemplo. Ontem mesmo achei um com o nome “I Called Him Morgan”, do meu interesse, falando sobre a vida e a morte do trompetista Lee Morgan. Mas, fora isso, é o que você diz, e pessoalmente não quero abrir mão da reprodução de filmes no meu home theater.

      O problema neste momento é o total desânimo que move fabricantes e estúdios no que tange a equipamento e a lançamento de novos discos, e nós nunca estivemos tão próximos do abismo! É certo que a crise moral, política e financeira do país vem colaborando com este cenário desastroso, e que seria egoísta de nossa parte pensarmos só em consumo. Mas, é importante lembrar que cinema e as artes em geral não são mero consumo, elas fazem parte de um contexto que envolve criação e criatividade. Se a gente matar este segmento mata também as pessoas que vivem dele para criar!

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