Diferente da Copa de 70, a Copa do Mundo 2026 terá transmissão de TV em 4K HDR, para todos aqueles que dispuserem de Internet banda larga, TV por assinatura, ou o receptor da HDTV 3.0, em implantação no país.
Durante anos, as copas do mundo foram transmitidas pelo rádio, mesmo depois que as primeiras transmissões de televisão começaram em 1952. A transmissão era precária, mas dava para ouvir bem o que estava acontecendo, porque os locutores descreviam com detalhes cada lance que eles estavam assistindo.
Mas isso mudou em 1970, quando a copa daquele ano transmitiu os jogos via satélite. A transmissão no México foi gerada com câmeras Philips (nos Estados Unidos, com a marca Norelco), as mais modernas câmeras a cores naquela época.
Houve gente por aqui que comprou uma televisão a cores e modificou o cristal para receber a imagem colorida. Na realidade, no passado não muito distante, duas emissoras fizeram captação de imagens coloridas usando o padrão americano NTSC: a Excelsior, com o Moacir Franco Show, e a Tupi, com o seriado Bonanza.
Notem que o Brasil adotou o padrão americano para as transmissões preto e branco, com 525 linhas a 60 Hz de varredura (60 quadros por segundo). Então, a decisão lógica seria usar o padrão de cores desenvolvido para o NTSC.
Porém, o NTSC sofria de problemas crônicos: na transmissão do sinal havia erros de fase incontroláveis, que levaram seus críticos a chamá-lo de “Never Twice the Same Color”, ou seja, Nunca Duas Vezes a Mesma Cor.
Na Europa, o engenheiro alemão Walter Bruch, trabalhando para a Telefunken, corrigiu os erros de fase, e desenvolveu o padrão PAL (Phase Alternating Line), ainda aumentando a resolução para 625 linhas, mas com 50 Hz, frequência usada nos países europeus.
O consórcio Telefunken-Philips propôs ao Brasil a adoção do sistema PAL de forma adaptativa, mantendo o sinal de 525 linhas a 60 Hz, derivadas do padrão M americano, daí o nome PAL-M. Assim, em 1974, na Copa do Mundo seguinte, aconteceu a primeira transmissão em cores de todos os jogos de futebol.
O salto no tempo e a Copa de 2026
As transmissões digitais de TV foram pesquisadas exaustivamente, e a primeira transmissão oficial aconteceu no ano de 2007. De lá para cá, todas as partidas de futebol passaram a ser transmitidas com sinal 1080i, a chamada HDTV.
O progresso alcançado nas transmissões de televisão pelo ar (OTA ou Over The Air Transmission) forçou as emissoras a usar novas e mais modernas câmeras de TV.
Porém, o aperfeiçoamento das imagens de TV ultrapassou em larga escala a qualidade da HDTV de 1080 linhas entrelaçadas (1080i). O sinal 1080i convertido passou a ser progressivo (1080p), eliminando os erros dos artefatos de imagem do entrelaçamento e aperfeiçoando a respectiva conversão. Hoje em dia, ninguém nota esses erros nas imagens do ar, porque os televisores corrigem o sinal 1080i capturado para 1080p.
A evolução da qualidade de imagem de vídeo era esperada. No Cinegrid de 2011 foram mostradas as primeiras tentativas de transmissão por 4K, via Internet. Eventualmente, imagens passaram a ser geradas com 4K ou 2160 linhas de resolução. O aperfeiçoamento da compressão do sinal 4K foi o que, em última análise, permitiu a transmissão do sinal de TV nesta resolução, através da Internet. Tal aperfeiçoamento garantiu a existência dos serviços de streaming, ao alcance de qualquer usuário de banda larga.
Além disso, a qualidade da imagem 4K melhorou ainda mais, com a introdução do HDR, aumentando não só a palheta de cores como o detalhamento das zonas de sombra. A BBC e a NHK desenvolveram o padrão HLG HDR para todas as transmissões de televisão. E é bastante provável que ele vai ser usado na copa de 2026. Neste momento, a Claro, (antiga NET), já usa este padrão. O HLG-HDR é compatível com HDR10, podendo o sinal ser recebido em outros sistemas, como YouTube e serviços de streaming.
A promessa da HDTV 3.0

Eu nem me recordo mais quando o padrão de televisão do ar começou a introduzir o aumento da resolução de imagem e o HDR. Havia, em princípio, uma previsão de colocar o novo padrão em funcionamento até 2026.
Aparentemente, alguma coisa deve ter dado errado, porque a previsão não se mostrou correta. A HDTV 3.0 impõe a adaptação dos padrões de transmissão, a instalação de antenas UHF adequadas e o serviço de Internet, embora não de forma excludente, quer dizer, o usuário final pode receber o sinal da TV sem banda larga disponível.
Neste momento, alguns fabricantes já estão oferecendo para pré-venda o kit completo para a recepção 3.0, mas na faixa de 600,00 a 700,00 reais, já que não existem ainda televisores com o necessário receptor. Aqui se repete o mesmo cenário da HDTV de 2007, com empresas vendendo adaptadores de DTV, pelo mesmo motivo.
O usuário que não quiser embarcar na TV 3.0 tem alternativas: o canal Cazé TV promete transmitir todos os jogos em 4K HDR pelo YouTube. A Claro oferecerá o SporTV a 4k, mas a Globo oferecerá 4K pelo Globoplay e pelo canal GeTV, por streaming e pelo YouTube.
Agora, resta saber se a qualidade do futebol também vai ser “4K com HDR”. Na minha avaliação, o futebol atual é, com poucas exceções, um dos mais feios que eu já vi na minha vida. Mas, tem gente que gosta, afinal, tem gosto para tudo e gosto não se discute.
Eu tenho certeza de que, da mesma forma como no passado, se o time do Brasil tiver sucesso, não faltarão os costumeiros oportunistas de plantão para capitalizá-lo, ature quem quiser. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.









