TRON: ARES, que estreou nos cinemas no ano passado, está agora disponível no streaming da Disney. Infelizmente, é uma repetição de clichês dos filmes anteriores, sem nada de novo a acrescentar.
Eu não assisti TRON: ARES no cinema, nem sei onde passou. Deixei o desejo de assistir o filme de lado, um pouco desanimado com a primeira sequencia do original, Tron Legacy, feito anos atrás, que este filme sim assisti no Roxy, quando o cinema tinha sido dividido em salas menores.
Tudo faz crer que os executivos dos estúdios Disney ambicionam ganhar mais algum produzindo novas sequencias do mesmo assunto. Já fizeram isso com o desastroso retorno de Mary Poppins e aparentam ter feito de novo com TRON.
TRON: ARES é uma produção ambiciosa, rodada com câmeras digitais IMAX, apresentado na relação de aspecto de 1.90:1 (cenas em IMAX) e 2.39:1 nas demais cenas. Visualmente apelativo, teria sido um bom filme se o conteúdo não tivesse tantos clichês e repetições ridículas de trechos dos filmes que o antecederam.
Eu peço desde já as minhas desculpas àqueles que gostaram desse filme, mas no que me concerne se arrependimento matasse eu já teria morrido logo nas primeiras cenas. Acho indesculpável a quantidade absurda de falta de criatividade em um projeto deste tipo, com os roteiristas fazendo uso da atual porradaria das brigas de outros filmes, transportadas, neste caso, a seres criados digitalmente, uma ideia nada original.
O filme se baseia em um projeto da empresa vilã Dillinger Systems, criada com supostos descendentes do primeiro vilão de TRON Ed Dillinger, que agora compete de forma desonesta com a Encom. O seu principal objetivo é o de criar seres humanos digitais, que poderiam ser usados como soldados para as guerras, e se for necessário, descartá-los e criar outros. Para tanto, a Dillinger System constrói um programa que permite a passagem de um ser digital para a vida real. Mas, com um problema incontornável: estes serem só sobrevivem por cerca de 29 minutos e logo depois apagam.
No desenrolar da estória, Julian Dillinger sabe que Eve Kim, da Encom, tem a programação que permite os seus seres digitais sobreviverem além dos 29 minutos, e faz de tudo para roubar aqueles códigos.
Ao assistir o filme, o chato é ver que os roteiristas recorrem a ideias e termos principalmente do primeiro filme, como as palavras em inglês “grid”, “de-resolution” e outras inventadas para o primeiro filme, ou a corrida na motocicleta Light Cycle em cenas similares, além de um monte de saudosismos que a mim pelo menos não impressionam. E o próprio Steven Lisberger é um desses roteiristas, ou seja, ele copiou a si mesmo!
A imagem na TV
O streaming Disney+, que foi onde eu vi, oferece a versão do filme no formato “IMAX Enhanced”, mantendo a relação de aspecto original da projeção IMAX do cinema. A relação 1.90:1 é próxima de 1.77:1 (HDTV), mas com o acréscimo de pequenas barras em cima e em baixo da imagem.
A imagem é oferecida com boa qualidade no plano em uso, mas o som DTS:X usado no formato Enhanced só é possível ser ouvido em televisores que rodam com sistemas Android, segundo informe da própria Disney+.
Aqui em casa eu só consegui áudio com PCM 5.1 usando o meu receiver. Porém, eu posso ajustá-lo para a reprodução com PCM + Dolby Surround, próximo do Dolby Atmos, e o resultado é satisfatório.
No mais, a feérica imagem com cores fortes se dissipa na mediocridade do filme. Eu sempre soube que as artes, inclusive música e cinema, pertencem ao gosto pessoal de quem ouve ou assiste. É possível que TRON: ARES tenha agradado a muita gente. Se o fez, Disney irá garantir os gastos da produção em algum momento e quem sabe pensar em fazer mais um filme do mesmo assunto.
Se fosse eu, preservaria apenas o TRON original, rodado em Super Panavision, e inovado nas cenas com computação gráfica, inéditas naquele momento. Além disso, teve a colaboração da música eletrônica de Wendy Carlos, que realçou muitas cenas do filme. Deixassem como está, nenhum de nós fás de cinema esperaríamos ver sequências sem inovação alguma. [Webinsider]
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Top Gun é muito bem feito tecnicamente, mas não acrescenta nada
Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.









