Diversos formatos de áudio de alta resolução têm sido cada vez mais restritos a um nicho, o que é uma pena, ainda mais com a proliferação dos serviços de streaming.
Hi-Res” ou áudio de alta resolução, nós vimos através desses anos todos a proposição de formatos de áudio pós CD. Eu ainda tenho nas minhas prateleiras incontáveis edições em disco dessas proposições, tais como DAD (96 kHz-24 bits), HDAD (192 kHz-24 bits), DTS-CD, DVD-Audio e SACD.
Em todas as etapas dessas transformações, as promessas dos proponentes seria a reprodução de um áudio de melhor qualidade. Mas, eles não contavam com o óbvio: a reprodução de um simples CD alcançou níveis de qualidade superiores, tanto ao nível das masterizações quanto dos decodificadores, capazes de interpolar dados e melhorar o que já era bom e satisfatório. Sob este aspecto, é possível se obter CDs com versões remasterizadas alcançando níveis superiores de definição do conteúdo.
Só para dar um exemplo que eu conheço: a versão XRCD do icônico disco Jazz At The Pawnshop, gravado pela Proprius, soa muito melhor do que o mesmo disco em SACD. E diga-se de passagem, não muito distante do CD duplo original lançado na década de 1980.
Quando os primeiros discos de alta resolução saíram eu embarquei nessa aventura comprando um disco de demonstração da Chesky Records, com o pomposo título “The Super Audio Collection & Professional Test Disc”. O disco é um DVD, que traz um mostruário de títulos gravados e transcritos em PCM estéreo de 96 KHz e 24 bits. A reprodução é direta, sem menu. Abaixo eu mostro uma captura da reprodução e especificações da primeira faixa usando o programa Cyberlink PowerDVD no computador:
Todo o conteúdo musical está gravado no subdiretório VIDEO_TS, podendo então ser lido por qualquer reprodutor de DVD que tenha um decodificador capaz de atingir esta resolução.
No caso dos discos HDAD, o conteúdo de 192 kHz e 24 bits estará obrigatoriamente contido no subdiretório AUDIO_TS, e assim o disco só poderá ser reproduzido em aparelhos compatíveis com DVD-Audio, motivo pelo qual os HDAD geralmente foram laçados com DVD de dupla face, a segunda delas em 96 kHz e 24 bits. Abaixo, a ilustração mostra a leitura de maior resolução:
Vários discos no formato 96/24 foram lançados pela Chesky Records. Eu já achei alguns desses discos ainda à venda, mas em CD no formato MQA. Não sei se vale a pena, porque o MQA chegou tarde como método de codificação, e por isso o usuário que não embarcou no formato terá que lançar mão de um decodificador externo compatível. Se ele não estiver disponível, a reprodução será a de um CD convencional.
Eu não sou usuário de MQA, portanto não posso falar nada sobre a qualidade do áudio a ser obtido. Opiniões divergentes na Internet deixam de recomendar este formato, mas em áudio cada um sabe de si. De qualquer forma, quem não tem um equipamento compatível com reprodução MQA vai ser obrigado comprar e instalar um decodificador externo, o que implica dizer que o interesse pelo formato vai ficar restrito aos interessados. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.










