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O bla bla bla da IA

A IA funciona é ótima interlocutora. O problema começa quando ela deixa de ser ferramenta e passa a ser substituta da própria autoria.

 

Começo a perceber um certo cansaço das pessoas que usam IA. Não necessariamente da IA em si. Mas do excesso. Do volume absurdo de textos, imagens, vídeos, posts e conteúdos produzidos em série, todos muito corretos, bem acabados, e, ao mesmo tempo, estranhamente iguais.

Eu uso IA generativa diariamente e a considero uma das ferramentas mais poderosas que surgiram nos últimos anos. Uso para pesquisar, organizar ideias, analisar problemas, confrontar meus próprios argumentos, explorar possibilidades e acelerar tarefas que antes consumiam muito mais tempo.

Mas existe uma diferença que, para mim, se tornou cada vez mais importante: eu não uso IA para substituir meu pensamento. Uso IA para melhorar meu pensamento.

Quando peço uma análise, não estou necessariamente procurando uma resposta pronta. Muitas vezes quero encontrar um ângulo que não havia considerado. Quando peço que critique um texto, quero ser provocado. Quando exploro uma ideia, quero testar seus limites.

A IA funciona muito bem como interlocutora. O problema começa quando ela deixa de ser ferramenta e passa a ser substituta da própria autoria.

Tenho visto cada vez mais conteúdos que parecem ter sido produzidos assim: uma ideia genérica entra de um lado, um prompt é executado e sai do outro um texto impecavelmente estruturado.

Está tudo certo. Só falta alguma coisa. A pessoa que deveria estar por trás daquele conteúdo.

E esse é um dos efeitos mais negativos da popularização da IA. Ela não criou a superficialidade. Apenas tornou sua produção extremamente barata. Antes da IA, empresas já produziam textos corporativos que diziam praticamente as mesmas coisas: inovação, excelência, transformação, foco no cliente, experiência, propósito. Agora podemos produzir centenas deles em poucas horas.

O problema é que quantidade deixou de ser escassez. Qualquer pessoa pode produzir um texto razoável, uma apresentação convincente, uma imagem sofisticada ou uma campanha inteira.

Quando todos conseguem produzir algo tecnicamente competente, competência técnica deixa de ser diferencial. O diferencial passa a estar em outra coisa: o que só você poderia ter dito?

A IA consegue reorganizar conhecimento, combinar ideias e escrever muito bem. Mas não viveu sua história. Não cometeu seus erros. Não enfrentou suas decisões difíceis. Não acumulou suas experiências. E é justamente esse repertório que dá densidade a uma opinião. Precisamos colocar mais de nós mesmos naquilo que fazemos: experiência, opinião, contexto, histórias, contradições e pensamento próprio.

Para mim o verdadeiro problema não é termos conteúdo demais produzido por IA. É produzirmos conteúdo demais sem ter nada para dizer. [Webinsider]

. . . .

Quero convencer, não importa como

IA e o conteúdo caído do trem

Avatar de Cezar Taurion

Cezar Taurion é CSO da RedCore.ai

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