A comunicação não é um cheque com espaços em branco

Nova Escola de Marketing
15 de novembro de 2013

A comunicação é como uma folha de cheque. Depois de preencher e assinar, é preciso tomar o cuidado de não deixar espaços em branco. Porque onde falta informação, sobra espaço para a imaginação.

Quando falamos em vendas, falamos em comunicação. Quando falamos em liderança e relacionamento em equipe, também. Quando falamos em motivação também falamos sobre comunicação. Enfim, quando falamos de pessoas, falamos invariavelmente sobre comunicação.

A compreensão dessa importante competência humana e o despertar para o seu desenvolvimento – seja na esfera pessoal, corporativa ou institucional – não pode ser tratada de forma incompleta, derivando apenas para ações que focam na melhoria da construção do discurso e da capacidade de falar em público.

Um cheque em branco

É preciso, antes de qualquer coisa, compreender a outra ponta dessa corda, onde residem a compreensão e o engajamento, consciente de que, se a mensagem foi pouco compreendida, a responsabilidade maior é e sempre será de quem emite essa folha de cheque.

Apesar de gradativamente estar caindo em desuso, graças ao crescimento dos meios de pagamento eletrônicos, uma folha de cheque nos ajuda a visualizar bem essa responsabilidade. Se você já preencheu uma, você deve ter percebido que é fundamental ser preciso, escrevendo os números de forma legível. Feito isso, para evitar duplos sentidos, é preciso escrevê-los também por extenso, reforçando a mensagem em uma outra abordagem.

A assertividade entra em cena quando tornamos o cheque nominal, atribuindo aquela quantia – que é a nossa mensagem – à determinada pessoa ou empresa. É fundamental situá-la no tempo e no espaço, determinando o nome da cidade e a data. E, por fim, assumir a responsabilidade sobre ela, assinando.

Faltou alguma coisa? Sim. Em comunicação, assim como uma folha de cheque, é fundamental que os espaços que sobraram sejam preenchidos. A razão é simples: onde falta informação, sobra espaço para a imaginação. E em se tratando de imaginação, dificilmente você, como emissor da mensagem, terá algum controle sobre aqueles a quem a dirigiu.

Se sobrou espaço, alguém poderá preenchê-lo, algumas vezes por maldade ou, na maioria dos casos, não apenas pela ignorância, mas pela tendência que temos de completar o final das histórias que nos chegam com base em nossas próprias perspectivas e pontos de observação, interferindo em sua forma e conteúdo a cada vez que as levamos adiante. Na prática, o nome disso é boataria. Se houver maldade – e acredite, o ser humano ainda é cheio dela – o nome passa a ser fofoca.

Logo, a objetividade (que é a capacidade de tornar os objetivos claros, sem subjetividades, transparecendo o fim que se pretende atingir) e a assertividade (a forma como essa objetividade é colocada, expressando pensamentos e sentimentos de maneira direta, clara, honesta e apropriada ao contexto), precisam caminhar lado a lado.

Faltou alguma coisa? Sim. Certificar-se que o cheque chegou ao seu destino certo, foi recebido e compreendido. É onde entra a prática do feedback, que marca o bom líder, o bom vendedor e demais profissionais que lutam pelo bom combate em comunicação.

Um combate onde a eficiência não se mede por aquilo que ele fala, mas por aquilo que seu público-alvo compreende, sempre consciente de que, neste caso, a responsabilidade é toda dele. Sem essa de “já falei mil vezes a mesma coisa” ou “subentende-se que”. É muito provável que, quem já falou mil vezes a mesma coisa, tenha errado mil vezes na forma ou na falta de compreensão do seu público, perdendo a credibilidade no meio desse caminho. E é certeza absoluta que em comunicação, especialmente aquela que visa resultados específicos – a pessoal, a institucional e a corporativa – nada se subentende: ou é, ou não é.

Não adianta deixar espaço em branco para que a imaginação do interlocutor complete a mensagem conforme seu estado de espírito no dia, ou os seus objetivos pessoais, que podem ser positivos ou negativos, éticos ou não.

Quando precisar comunicar algo a alguém ou a algum grupo em específico, certifique-se como você ou sua empresa podem estar preenchendo esse cheque, para evitar transtornos desnecessários. Transtornos que podem desacreditá-lo como líder, fazendo-o ‘despencar’ para a cadeira de chefe. Que podem colocar uma interrogação sobre a sua reputação de vendedor que, com a velocidade com que corre hoje a informação, certamente chegará antes de você nos seus próximos clientes.

Transtornos que podem criar verdadeiros entraves profissionais entre você e a sua equipe de trabalho e deixando o terreno fértil para que brotem a fofoca e a boataria.

Reconhecer a comunicação como possível causador de problemas ou gerador de soluções é o primeiro passo que vai assegurar que o cheque de nossa comunicação não esteja chegando em branco onde deve chegar, se é que chega em algum lugar.

A única diferença entre a comunicação e uma folha de cheque é que, no caso do cheque, “sustar” a informação emitida de forma incorreta, é um pouco mais fácil do que no caso da mensagem disparada sem qualquer tipo de preocupação com estes detalhes. É pagar pra ver. [Webinsider]

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