A maneira das nações disputarem uma guerra mudou bastante ao longo dos tempos. Durante séculos, ganhava a batalha quem possuía o maior e mais preparado efetivo militar. Nos últimos 20 anos, os Estados Unidos criaram o conceito de “Guerra Cirúrgica”, no qual bastava enviar bombas teleguiadas para alvos preestabelecidos, sem a necessidade de movimentar uma imensa tropa para o conflito.

Agora, é possível ganhar uma batalha sem tirar um único avião do solo ou deslocar um porta-aviões. Bem-vindo à Era da Guerra Cibernética.

Para frear o programa nuclear iraniano, os Estados Unidos, com apoio de Israel, criaram o programa secreto “Jogos Olímpicos”, que disparou sucessivos ataques cibernéticos à infraestrutura atômica do país persa. Um poderoso vírus chamado Stuxnet entrou nos sistemas de informática do Programa Atômico do Irã e acelerou as centrífugas nucleares do país, provocando a explosão de diversos equipamentos. Acredita-se que a pretensão do Irã em construir uma bomba atômica foi retardada em alguns anos por conta deste ataque, que não disparou um único tiro.

A informatização dos sistemas de gestão de infraestrutura de um país amplia as possibilidades de uma guerra cibernética. Imagine uma invasão no sistema de controle de tráfego aéreo de um país: quantos aviões poderiam cair? Ou ainda qual o prejuízo para uma nação se o seu sistema financeiro fosse atacado? Hoje qualquer país pode ter sua rede de energia, segurança, trânsito, telecomunicações, transportes e finanças atacadas por uma invasão cibernética.

Ano passado, a Casa Branca realizou uma simulação para os senadores dos EUA em que as luzes de Nova York eram apagadas. Com este teste, perceberam o caos que a cidade mergulhava sem iluminação. Hoje, um ataque cibernético pode ocorrer sem se saber de onde ele veio. Por isso, discute-se, entre as grandes potências militares, acordos de não-proliferação de armas cibernéticas. Por mais que estes acordos ocorram, nada impede que uma organização terrorista ou um simples hacker possa desferir um ataque fatal a um país.

Já o Brasil, tenta se proteger de uma possível invasão cibernética. O Ministério da Defesa criou o Centro de Defesa Cibernética do Exército (CDCiber), que conta com cerca de 40 militares. Cabe ao CDCiber proteger informações militares do país, além de todos os sistemas que dão suporte à infraestrutura do Brasil. Imagine um ataque virtual à usina de Itaipu, ou ainda aos projetos de exploração do Pré-Sal. Será que esse sistema de defesa que está sendo montado suportaria esses ataques?

A grande ameaça da Guerra Cibernética é que ela possui efeitos devastadores e pode ser comandada tanto por um grande programa militar de um país, quanto por um mero grupo de hackers. Seus efeitos colaterais ainda são imprevisíveis. Vírus semelhantes ao Stuxnet apareceram em simples computadores no Oriente Médio, levantando a suspeita de que o ataque foi além das instalações nucleares do Irã e tenha fugido do controle norte-americano.

Enquanto isso, o Brasil ainda parece deixar esse assunto em segundo plano: pretende completar o efetivo do CDCiber apenas em 2015, com 130 militares, enquanto planeja gastar mais de R$ 10 bilhões na renovação da frota de caças da FAB. [Webinsider]

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Respostas

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  1. Josias

    Boa tarde.
    Ótimo artigo lançando luz sobre esta questão.
    Acredito que em breve teremos tratados sobre isto, inclusive sobre extradição de hackers em outros paises para serem julgados aonde ocorrerem os delitos. No entanto, lançamos luz novamente sobre outra questão: O hacker em si.
    É inegavel que teremos, dependendo do nivel de conhecimento que o mesmo possui, a recusa em o extraditar, pois o mesmo poderia ser considerado um risco em potencial para o proprio país aonde reside. Inevitavelmente será feito um trabalho para conter a saida de tais pessoas de seus países por n motivos (espionagem, acesso a firewalls e sistemas locais e etc). O irã foi a bola da vez, mas amanhã quem sabe é a China, Russia e EUA ou até mesmo o Brasil.
    PS: Já existem acusações de invasões chinesas em redes americanas.