O assunto hoje é empreendimento. Fui convidada para fazer um curso do Sebrae chamado Empretec. O Sebrae é uma instituição que merece ser conhecida pela informação que possui para quem já é ou pretende ser empresário – sobre os vários ramos de negócio, a localização, concorrência – e oferece cursos e treinamentos para lapidar o perfil empreendedor. Tem tudo lá e não é caro.

O que eu não sabia é que seria “abduzida” durante nove dias, sem conseguir falar com ninguém, sem sequer pensar em trabalho, com dedicação única e exclusiva ao curso (se tivesse mais tempo para pesquisar antes sobre o curso teria desistido, o que certamente seria uma grande perda).

No momento do convite tinha acabado o mestrado e a teoria estava bem fundamentada e explicada na minha cabeça. Adquiri conhecimento e embasamento para qualquer prática no sentido de pesquisar usabilidade e Arquitetura da Informação, mas fiquei dois longos anos parcialmente ausente. Nesse período naturalmente aconteceram mudanças dentro da minha empresa, com alguma turbulência e instabilidade financeira.

Era o momento de repensar o modelo de negócio para tornar a empresa rentável e sobretudo estável. Clientes e trabalhos nunca faltaram, mas aquela fase “morninha” era um cenário apenas confortável. Para almejar algo maior seria preciso investir neurônios.

O curso Empretec ajudou bastante na percepção de que qualquer negócio, não importa o tamanho, espelha o empreendedor que está por trás dele. Percebi (“vivenciei” seria a palavra mais adequada) que os erros cometidos vêm de hábitos adquiridos por comodismo, falta de conhecimento, inexperiência e questões pessoais que acabam refletindo no negócio, na empresa.

Das dez CCEs (quem conhece, sabe) destaquei três que realmente precisava focar. A primeira é “Estabelecimento de metas”. Parece fácil e todos acreditam fazer isso sempre. Mas não é bem assim. Poucas vezes conseguimos estabelecer uma meta smart – específica, mensurável, alcançável, relevante (de significado pessoal) e temporal (com um prazo para acontecer). E isso faz toda a diferença! É o que vai impulsionar para frente, é o que faz ralar muito agora pra chegar no tão desejado objetivo. Estabelecer uma meta não é uma tarefa fácil. Tente! Sente com a cabeça fria, uma xícara de café do lado, lápis e papel e escreva uma meta em detalhes. Logo surgem as autocríticas, as censuras, os devaneios, as cautelas…

Vários pontos foram abordados nos nove dias, todos coerentes e justificados. Quando se tem um negócio – seja ele pequeno de uma pessoa só ou uma grande empresa – é comum maquiar os dados, alterar interpretações, fazer previsões erradas ou sequer fazê–las. Alguns preferem arriscar alto quando o histórico e a conjuntura recomendam o contrário. Outros são mais cautelosos quando na verdade poderiam arriscar mais. E por que? Porque não registram os dados e não buscam informações. Estar bem posicionado no mercado significa estar atualizado com tudo que cerca o negócio, mas acima de tudo bastante informado sobre como anda o próprio negócio.

Parece o óbvio, mas não é bem assim. Perceba à sua volta quantas pessoas reclamam da vida, do país, do dólar, dos juros e tentam justificar o injustificável. Perceba também que outras empresas crescem de vento em popa. Há muita gente no mercado gerando receita porque faz um bom trabalho.

Fazer um bom trabalho significa ter qualidade no que faz. E também comprometimento com datas e prazos, postura ética com os clientes e funcionários, cobrar corretamente pelo trabalho, obter constantemente feedback, ouvir muito (clientes, usuários, concorrentes, funcionários), correr riscos calculados.

Exatamente este tema era uma das minhas grandes expectativas pós–entrevista (sim, o Sebrae precisa saber se você pode fazer o curso). Para mim eram duas palavras antagônicas: risco e calculado. E não são. Arriscar simplesmente é montar uma empresa numa superestrutura, com móveis de primeira e computadores de última geração sem saber nada ainda sobre o negócio. Correr riscos calculados é agir de maneira ousada, mas sabendo que na pior das hipóteses você tem uma alternativa. É agir com os pés no chão arriscando uma ação com base nos eventos dos últimos 12 meses, por exemplo. É andar um passo de cada vez (mesmo que sejam largos passos).

O curso valeu para mim – que tenho uma microempresa – e vale também para empreendedores já estabelecidos e outros que pensam em abrir um novo negócio. Se você tem um negócio próprio ou pensa em abrir um – seja de design, de marketing, de tecnologia – não aja por impulso e emoção. Vai ter um sócio? Pare e pense se sua boa relação de amizade com ele, por exemplo, vai se refletir no dia–a–dia da empresa quando contas, trabalhos e problemas começarem a pintar.

Está procurando um local? Procure conhecer a vizinhança, o condomínio, a infra–estrutura, os concorrentes nas cercanias. Estabeleça preços baseados nos seus gastos, nas suas expectativas e também no mercado, na concorrência. Economize cada centavo, pense muito antes de uma compra, corte custos sempre, mesmo que esteja com caixa. Enfim… não é mole, mas só assim funciona.

O pior é que depois dos tais nove dias havia um mundo de trabalho e problemas acumulados. É claro que não consegui até hoje sentar para digerir tudo e aplicar todo o conhecimento adquirido. Mas é assim mesmo. As coisas vão se fundamentando e a gente vai mudando com o passar do tempo. Pelo menos a minha meta está bem definidinha 😉 [Webinsider]

.

Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+