Um dos passos mais importantes da gestão de carreira de um universitário é o momento e o gerenciamento do trabalho, em meio às aulas.

Nos dias atuais, a faculdade é um objetivo acessível para muitos jovens. Desde 2008, o aumento anual de estudantes de ensino superior caminha na média de 8%. O número de universidades e faculdades, por sua vez, também aumentou. Saltando de 1870 instituições, em 2008, para 2047, em 2017. (Fonte: MEC)

O aumento do número de profissionais com formação em nível superior, torna o mercado de trabalho ainda mais competitivo. E esta nova realidade aumenta, também, a necessidade de um currículo cada vez mais diferenciado.

Para o universitário, uma forma de garantir tal diferenciação no mercado, é ter experiências profissionais desde o início do curso. Por isso, a gestão de carreira deve começar, se não antes, já no início da caminhada universitária.

E aí, surge um grande desafio: Como conciliar a faculdade e o trabalho?

Boas notas ou experiência profissional?

Uma grande questão, que permeia a mente de um estudante universitário que trabalha, é como manter uma boa rotina de estudos, em meio a uma rotina profissional. Isso sem contar a vida pessoal, com o lazer, a convivência com os amigos e a família.

A gestão do tempo, quando se trabalha e estuda, é um desafio gigantesco para muita gente. Não é raro que estudantes nesta situação percam noites e noites de sono, especialmente nas proximidades das provas. Tudo para ter aquelas horas a mais de estudo e conseguir boas notas.

O grande problema é que as boas notas já não são garantia de nada no mercado de trabalho. Não que tirar boas notas na faculdade não tenha seu mérito, mas uma gestão de carreira bem-sucedida não pode se basear apenas nisto.

A experiência universitária deve ir muito além da sala de aula

Durante a vida universitária, é preciso ter experiências acadêmicas e profissionais que vão muito além da sala de aula.

Isso porque, na atualidade, apenas o conteúdo de sala de aula, passado pelos professores, não é diferencial no mercado de trabalho. Experiências em empresas júnior, associações estudantis, grupos de debate, entre diversas outras, contam muito mais do que boas notas.

Não que boas notas devam ser deixadas de lado, mas sim porque o conteúdo da sala de aula, por melhor que seja a faculdade, não é atualizado com o dinamismo que o mercado exige. E estas experiências que saem da sala de aula permitem isso.

Tudo depende do tipo da carreira desejada. Mas, independente de qual ela for, a gestão de carreira deve passar por agregar experiências adicionais, que diferenciem um profissional no mercado.

Veja também: A difícil aproximação entre academia e empresas

A gestão de carreira acadêmica

Infelizmente, no Brasil a carreira profissional acadêmica não é tão valorizada, como deveria ser. Se tornar um pesquisador, professor ou gestor de uma instituição de ensino não faz parte da maioria dos planos de carreira. Muitos sequer consideram tal opção profissional.

Mas uma carreira profissional acadêmica é uma opção que precisa ser considerada mais vezes no Brasil. Para uma gestão de carreira acadêmica, é preciso ter em mente os caminhos e necessidades que tal escolha implica.

Ter boas notas, escrever artigos científicos rotineiramente e participar de grupos universitários, irá fazer com que portas profissionais sejam abertas no mundo acadêmico.

É preciso ter em mente que tal escolha de trajetória profissional tem os seus pontos potencialmente negativos. Como o retorno financeiro mais lento, quando comparado a uma carreira corporativa, por exemplo.

Mas para um país que precisa evoluir em termos de pesquisa, desenvolvimento e ensino, mais profissionais precisam ter esta carreira em consideração

E quando o trabalho é por necessidade?

Para muitos universitários, conciliar trabalho e estudo não é uma opção. Mas sim, uma necessidade, seja para arcar com os estudos ou sustentar a casa.

Segundo o MEC, cerca de 42% dos universitários precisam trabalhar para sustentar-se durante a faculdade, ou mesmo arcar com os custos do curso. Outra realidade diz respeito aos universitários que começam a estudar após a juventude.

Nesta fase, muitos já possuem compromissos financeiros, família ou mesmo uma carreira profissional já em andamento.

A gestão de carreira em outro ramo

Muitas das vezes, quem se encontra nesta situação não está em um emprego que está no ramo do curso. Trabalhando em um emprego que, por objetivo, será temporário em sua carreira. Ainda assim, é possível uma gestão de carreira. Apesar da falta de tempo.

É preciso ir além do conteúdo em sala de aula, levando em conta os caminhos de carreira desejados. Uma forma interessante de ir além do conteúdo normal na faculdade, é a realização de cursos de especialização pela internet.

Plataformas como o Coursera permitem a realização de cursos em vídeo, de diversos conteúdos, criados e desenvolvidos pela Universidade de Harvard. Uma das principais instituições universitárias do mundo.

Desta forma, é possível se especializar no ramo profissional desejado, mesmo que esteja trabalhando em outro.

E mesmo que o trabalho atual seja em outro ramo, será uma experiência válida para a carreira. É importante procurar absorver tudo o que for possível desta experiência. Seja para adicionar uma nova habilidade ao currículo, ou aperfeiçoar características, como o relacionamento com clientes.

Além disso, os fins de semanas podem ser utilizados para atividades extras. Ações de voluntariado ou em grupos universitários, que podem ser realizadas em fim de semana, são muito valorizadas pelo mercado.

Esta dica também é válida para quem cursa uma Universidade que não possui ou oferece opções de atividades extracurriculares. Sites como o Quero Ser Voluntário ou o Padrinho Nota 10, permitem procurar ações de voluntariado na sua cidade. Outras instituições, como a Fundação Estudar, oferecem cursos presenciais e à distância, para enriquecimento profissional.

Não é fácil, mas vale a pena

Todos estes passos e escolhas profissionais, em meio à faculdade, não são fáceis. Esteja ciente de que será preciso abrir mão de algumas coisas, como lazer e descanso. O ponto é que, a gestão de carreira, quando levada à sério, irá propiciar um grande diferencial. Já que muitos vão se focar apenas na sala de aula.

Será que não vale a pena estender um pouco a mais o período de universidade, para poder aproveitar as oportunidades profissionais e acadêmicas? Esta é uma pergunta que precisa ser respondida, já no início do processo de gestão de carreira.

Muitos, erroneamente, entendem que a formação universitária, por si só, já será suficiente para a progressão profissional. Por isso, fazem o máximo esforço para tirar boas notas, não ser reprovado em nada e terminar a faculdade rapidamente.

Um sacrifício momentâneo, para ganho imediato. Um erro no qual muitos caem e, ao entrar no mercado, acabam por se verem com um diploma “vazio” em mãos.

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