Livia Labate

Há um ano, o Webinsider anunciou a criação da lista de discussão WDUse (voltada para a assuntos relacionados à usabilidade na web), afirmando que a visão de “foco no usuário” finalmente tinha se tornado a bola de vez e que os profissionais da área estavam finalmente compreendendo que o enfoque significava. Após 12 meses de muita discussão, a WDUse comemora seu aniversário com 313 velinhas; uma para cada membro.



É muito gratificante ver que a idéia de iniciar um diálogo sobre o emprego da usabilidade na internet brasileira tenha possibilitado o encontro de profissionais de tão diversos segmentos e diferentes opiniões. A lista é composta por designers, programadores, engenheiros de usabilidade, arquitetos da informação, jornalistas e desenvolvedores de conteúdo, dentre algumas das inúmeras categorias de profissionais dentre as quais podemos classificar aqueles que “mexem com internet”.

Ao longo deste ano, aprendemos sobre algumas novidades no ramo, técnicas foram compartilhadas, métricas foram desenvolvidas, mais empresas adotaram serviços de avaliação, “usabilidade” deixou de ser jargão e as pessoas aprenderam que Jakob Nielsen não é Deus.



Avaliando desta maneira (em específico o último tópico!), vejo que aprendemos montes de coisas boas. Mas quem sou eu para dizer? Para os Engenheiros de Usabilidade de plantão, eu pergunto: Que métrica devo utilizar para mensurar o quão ignorante ainda somos?



Fico (momentaneamente) satisfeita se tivermos aprendido que a usabilidade se baseia em um conjunto de “boas práticas” e não de regras. E que você jamais poderá comprar um kit usabilidade para testar coisa alguma. Se tivermos compreendido a usabilidade como uma metodologia de análise e não uma ferramenta, solução ou fim, então aprendemos bastante para 365 dias.



E o foco no usuário? Fico imaginando uma grande lente de aumento voltada para mítico usuário padrão e engenheiros de usabilidade em seus casacos brancos observando, anotando, filmando e procurando entender o que aquele ser, tão querido e especial para cada empresa, pode estar pensando. E ainda mais, como ele pode vir a agir. Usabilidade é clarividência?



O foco no usuário, o design centrado no usuário, a experiência do usuário ou o que quer que resolvamos chamar isso, precisa ir muito além de análises pontuais, do design publica–depois–arruma. Para isso, falta entender usabilidade como integrante de um processo produtivo. Ela não existe em um projeto para corrigir erros, mas para atuar em diversos momentos, procurando compreender as motivações daquele sujeito dentro de um contexto e seu modo de agir & pensar dentro da realidade do projeto; serve para que este projeto seja desenvolvido sobre bases sólidas com informações reais, não “possíveis ações que o usuário possa efetuar”. Não, usabilidade não é clarividência.



O papel da usabilidade é muito maior do que o de encontrar imperfeições; é o de criar novas possibilidades, de sugerir novas maneiras de suprir aquilo que o usuário busca. A usabilidade jamais existirá independente do desenvolvimento do projeto, pois está intimamente atrelada às decisões sobre as melhores maneiras de atingir os objetivos.



Enquanto este entendimento não for unânime, a realidade sobre o tal “foco no usuário” não me parece ainda ser algo para festejar, pois sem este consenso, será um fim em si mesmo. Por outro lado, posso confirmar que esforços estão sendo feitos e que os profissionais estão genuinamente antenados para essa idéia. Agora é a hora em que você se emociona e acessa http://www.10minutos.com.br/wduse. Coloque seu e–mail, cadastre–se, depois posicione–se em frente ao seu programa de e–mails. Mas não espere as mensagens chegarem, mande a sua. Mande uma pergunta. Diga que eu não faço idéia do que estou falando. Conte o que você entende por usabilidade. Diga que Jakob Nielsen é Deus. Temos muito a aprender.



E um feliz aniversário para os WDUsers! [Webinsider]


Respostas

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+