Sou um heavy user da internet. Mas não a uso pra bobajadas. Leio jornais e revistas diariamente, recebo e–mails com resumos de sites de informação de propaganda, marketing, negócios, notícias diárias e mais um monte de outras coisas que gosto e/ou escolhi receber para me manter informado. É prático, é rápido e é barato, ainda mais nesses dias em que qualquer revistinha coalhada de anúncios custa o preço de uma refeição.
Podia ser mais prático, rápido e barato se eu tivesse a chance de uma banda larga mas, na mesma medida em que todos a anunciam como se fosse uma benesse disponível para quem possa pagar por ela, também se descobre, por exemplo, que ela ainda está disponível em poucos lugares. Eu tentei DVI, Velox, Virtua e @Jato. Nada disso está disponível no bairro da Usina (um bairro da macro–região da Tijuca), no Rio de Janeiro, onde moro e trabalho.
Enquanto heavy user, a nível de usuário, identifico no atual estágio da web um acontecimento de muitos e muitos anos passados, quando a propaganda se debatia entre a criatividade e o posicionamento. O atendimento vivia às turras com a criação que queria matar todos os contatos e vice–versa.
A história, como sempre, se repete em padrões muito interessantes. A propaganda não discute mais se é criatividade ou posicionamento. Atende–se a uma política de marketing do cliente e, de acordo com o cacife dos criadores, faz–se propaganda de boa ou má qualidade. Claro que, na medida em que o anunciante tenha maior peso financeiro, melhor será a propaganda que ele será capaz de ter. As genialidades rebeldes sucumbiram à necessidade de um trabalho adequado E criativo.
Não é isso que acontece, a maioria das vezes, nos sites brasileiros. Dá–se mais importância a uma bela introdução Flash do que ao conteúdo; prefere–se uma apresentação moderninha a uma navegação preemptiva (a palavra que não está no dicionário; simplesmente saiu… usada aqui no sentido de algo que se apreende, que se entende sem pensar em como entendeu). Nega–se ao usuário a possibilidade de entender rapidamente como aquele site funciona e como ele pode tirar proveito da visita. E isso tudo, para mim, tem uma chave: a arrogância dos criadores quanto ao domínio da linguagem web. Algo como “é assim que eu faço e você se vire para entender”.
Quantos e quantos sites desliguei depois de 30 segundos de introdução sem que eu chegasse a lugar algum. E isso deve acontecer com um monte de usuários.
Entendo que um site deve ser criado a partir de algumas considerações iniciais:
a) existe uma oportunidade de mercado para este site?
b) para que tipo de usuário/consumidor ele é dirigido?
c) quem é esse usuário/consumidor? o que ele quer/precisa?
d) quanto ele está disposto a “pagar” por este site?
e) quem são os meus concorrentes na busca desse usuário/consumidor?
Isso conduz à identificação de uma outra ligação da web com o marketing: não dá para fazer web profissionalmente sem pesquisa de mercado e opinião. É complicado criar um produto sem saber a quem ele se destina.
É provável que muita gente que tentou entrar na bolha para ganhar dinheiro tenha quebrado a cara fazendo sites sem planejamento e sem saber a quem ele se destinava.
E, tenho certeza, a pesquisa e a busca de informações prévias sobre o consumidor, oferecerá aos arquitetos de informação, aos webwriters (ainda tão raros, basta ver pelas ofertas dos sites especializados em oferecer trabalho na web, em que se pedem, aos magotes, programadores em flash contra uma oferta gato–pingado de redator…), aos designers e aos programadores, possibilidades muito mais palpáveis e concretas de criar – sim! – sites bonitos, criativos e interessantes, mas também amigáveis, inteligíveis e que sirvam ao web–usuário. [Webinsider]









