Faz uns 30 anos, recebemos em casa, de surpresa, a visita de um primo uruguaio, que trouxe de presente um enorme queijo parmesão.
Eu estava sozinho no apartamento, tinha 10 anos e meus pais ficaram danados por eu ter aberto a porta a um estranho. Soa nostálgico, mas há menos de trinta anos não
existiam interfones. Simplesmente, os visitantes entravam livremente nos edifícios e tocavam direto a campainha.
Os spams, mensagens não–solicitadas, impõem à comunidade web uma espécie de interfone virtual ao correio eletrônico. Foi o que fez o UOL, maior provedor brasileiro, este mês, com o novo produto batizado de e–mail inteligente.
O usuário elabora uma lista de contatos. Quem não está nela, recebe um alerta.
Nele, é divulgado um link para uma página web. Lá, aparece uma imagem com letras que devem ser copiadas para atestar que o emissor é uma pessoa e não uma máquina (os spammers geralmente enviam a propaganda com a ajuda de robôs).
O UOL já utiliza uma tecnologia similar para evitar anúncios nas salas de chat e adaptou a
idéia para o correio eletrônico. Todos os não–validados vão para uma pasta e ficam em
quarentena por um período definido pelo internauta.
Ou seja, exige vigilância redobrada, pois ela fica lotada e é preciso garimpar diariamente quem não é spammer até fazer uma lista confiável.
O provedor oferece um software, que importa a lista dos conhecidos do Outlook para facilitar essa tarefa.
Notem, entretanto, que nem toda mensagem automática é spam. Lojas e bancos usam robôs, por exemplo, para confirmar transações. O mesmo ocorre com boletins eletrônicos.
Eu edito um sobre ferramenta de buscas e 200 e–mails do UOL voltaram.
Mais: os textos enviados pelo provedor para validar as missivas eletrônicas são em português. Um estrangeiro que enviar uma para o UOL dificilmente saberá o que deve fazer ao receber de volta o pedido de autenticação.
Assim, a proposta é polêmica e exigirá trabalho extra dos usuários para garantir um correio
confiável. [Webinsider]









