O empreendedor brasileiro e o bolo pequeno

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Carlos Nepomuceno



Sou do tempo em que entrávamos na universidade para, depois, trabalharmos como empregados. Na época, não existia, no quadro–negro, a palavra empreendedor. O diploma visava a nutrir o mercado de empregados (ou desempregados). Certamente, a cultura
acadêmica tem mudado nos últimos anos.



Ainda são raros, porém, os livros sobre o tema no país – ainda mais na área de tecnologia. Por isso, recomendo Os bastidores da Internet no Brasil, de Eduardo Vieira, lançado recentemente pela editora Manole.



Descreve como os principais empreendedores brasileiros da web chegaram até 2003, passando pelo boom de 2000. Aquele tempo em que algumas poucas companhias americanas, como o Yahoo! e a Netscape, criaram a falsa ilusão de que bastava uma idéia na cabeça para que o cofre do planeta se abrisse.



Dominantes chegaram antes da bolha. Constatamos hoje que as empresas que dominam atualmente a internet tupiniquim, inclusive as que aparecem na publicação, são as mesmas que já estavam no “baile” antes do “boom”.



Como diz Marcos de Moraes, entrevistado pelo autor, “a verdade é que o bolo publicitário no Brasil não é grande o suficiente para se dividir entre diversas empresas de internet.
(…) Não é um bolo. É um brigadeiro”.



Alguns poucos ganharam dinheiro vendendo ilusão, muitos fecharam e só outros poucos
sobreviveram.



Considero que o sucesso de uma empresa não está ligado justamente ao quanto faturou ou
que percentual de determinado mercado atingiu. E sim se está atendendo aos objetivos dos
sócios, mesmo que modestos.



Sonhar que todos serão uma gigante como a IBM não faz parte da realidade. Pior: só traz frustração para a maioria.



Para exemplificar, assisti, na semana passada, a uma palestra sobre o assunto, com Bruno Lessa, um dos donos da Fábrica Digital, produtora do gerenciador de conteúdo Publique.



O debate ocorreu em Petrópolis, solo fértil do empreendedorismo, a uma hora do Rio, na sede do Tecnópolis



Uma visão mais realista do mercado. De acordo com Lessa, a formação de empreendedores na universidade não é útil apenas para aqueles que serão empresários, mas oferece uma visão mais realista do mercado para todos os profissionais.



Citou também prós e contras dos nossos empreendedores.



Positivo: acostumado a ambientes instáveis, administra com poucos recursos, tem alta capacidade de resposta, acesso a um grande mercado, visão privilegiada de outros mercados e conta com mão–de–obra qualificada e barata, além de criatividade.



Negativo: falta de planejamento, capital de risco, formação empreendedora e capacitação em vendas. Não pratica transferência de tecnologia, não visa à exportação. E, na área
de tecnologia da informação, não segue métodos internacionais de empacotamento de produtos (com desenvolvimento, testes e documentação adequados).



Complemento com algumas dicas: ao começar, procure adotar o menor custo fixo possível. Prefira mercados em expansão. Apresente claramente seu produto.



Não queira ser um Bill Gates: pense na empresa como uma boa fonte de receita, que poderá substituir o emprego. Por fim, adote um empresário experiente como padrinho para se aconselhar. Procure consolidar parcerias estratégicas e procure associações de empresas no seu setor. Boa sorte! [Webinsider]




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