O novo Speedy, a usabilidade e o tableless

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Andre de Abreu

Agora é oficial. No dia 15 de setembro de 2003 a Telefônica São Paulo começou a veicular os filmes publicitários sobre o Novo Speedy. Para quem não conhece, o Speedy é o serviço de banda larga mais utilizado em São Paulo.

A história toda começou há algumas semanas, quando um suposto documento atribuído à operadora espanhola vazou na internet e o pânico tomou conta dos internautas. O tal documento dizia que o serviço de internet teria limite de uso, ou seja, adeus às horas e horas baixando filmes e músicas pela web.



No final das contas, o boato do documento se confirmou e agora quem aderir ao Speedy terá sua banda limitada. Já os usuários antigos poderão escolher se preferem o serviço novo, que apesar da limitação terá a velocidade aumentada e o preço diminuído, ou o antigo. O pior é que a moda já está pegando, os serviços paulistanos Vírtua e Giro também têm suas cotas de uso.

Mas onde entra a usabilidade nessa história toda? Foi justamente essa preocupação que assolou a mim e ao meu companheiro de trabalho, Ricardo Senise, hoje de manhã. Agora que os usuários terão seus downloads controlados, como eles se sentirão ao entrar em uma página que tenha aquela bela introdução de 400 Kb em Flash e todas as páginas internas montadas com HTML made in editores visuais?

O triste quadro da atualidade



Demorou, mas parece que chegou a hora da usabilidade entrar em campo. Afinal, as coisas só ficam importantes quando mexem no bolso das pessoas. Até agora, era um tanto difícil vender o trabalho de usabilidade para a maioria dos clientes. Apenas as grandes empresas tinham consciência de que precisam focar no usuário para serem eficazes na web e não no gosto do diretor da companhia. Entre as empresas que acordaram para essa realidade estão bancos e lojas do varejo, para quem os resultados da aplicação da usabilidade são mais facilmente mensuráveis.



Apesar disso, até agora, um projeto desenvolvido à moda antiga não fazia muita diferença (visualmente falando) de um projeto que incluiu a usabilidade em seu processo de desenvolvimento. Para o usuário idem, a grande parte desse universo ainda não possui um olhar crítico para distinguir um site mau de um bom. Essa decisão ainda é baseada no instinto, ou a pessoa simplesmente espera o site carregar e vê no que dá ou ela fecha
e parte para outra. É justamente sobre esta última ação que as preocupações de meu amigo e minhas caíram.



Imaginem a seguinte situação. O usuário do Speedy pára de baixar música, pára de baixar filme e mesmo assim sua conta está sempre no limite. Para onde estará indo esse excedente de dados? Vai ser questão de tempo até as pessoas descobrirem que uma boa parte do consumo de banda delas provêm de web sites pesados e e–mails publicitários carregados de imagens, HTML e, pasmem, até Flash!



O que poderá acontecer em longo prazo é uma queda de audiência em vários sites que privilegiam os aspectos visuais e pirotécnicos das páginas em detrimento da função informacional delas. Atualmente, a maior parte das pessoas desiste de um site levando em conta apenas o fator irritação, ou seja, se o site demora muito eu fecho e saio. Agora, além disso, entrará também o fator dinheiro. Para que eu irei gastar meus míseros megabytes
mensais em um site que não agrega nada, sendo que posso utilizá–los baixando músicas e filmes?



Usabilidade e tableless, avante!



A primeira solução para evitar essa queda de audiência seria a aplicação de metodologias de usabilidade. Preço e tempo não são mais desculpas para não adotar esse processo durante a concepção de qualquer projeto digital. É possível fazer testes de usabilidade informais, rápidos e baratos que podem ajudar bastante na pré–concepção de qualquer site ou produto digital. Porém, dependendo do nível do projeto, talvez testes e estudos realizados por profissionais da área e mais metodológicos sejam necessários.



Uma segunda alternativa é começar a migrar os projetos baseados em HTML e tabelas para a metodologia baseada em CSS, mais conhecida com tableless. Essa técnica consiste em utilizar o HTML, com a ajuda do CSS, do jeito que ele foi concebido pelo W3C. Isso significa que tabelas foram criadas para tabular dados e não para usar como grade de layout para páginas web. O mesmo raciocínio vale para uma outra infinidade de tags do HTML que hoje são utilizadas indiscriminadamente fora do propósito para as quais foram concebidas.



A mesma idéia deveria ser seguida em grande parte das newsletter. Contando por baixo, 98% das mensagens publicitárias e newsletters que assino poderiam passar a mesma informação sem precisar fazer uso de HTML e imagens. Portanto, por que não conquistar o usuário mostrando o quanto você se preocupa com ele e com o dinheirinho sofrido que ele gasta todo mês para ter internet e acessar seu site? Além disso, o tableless traz outras inúmeras vantagens que não caberia listar neste espaço, mas a principal delas é uma maior compatibilidade com browsers variados, dispositivos móveis, celulares e aumento da acessibilidade aos deficientes físicos.



Com uma tacada só é possível aumentar o acesso ao site para um maior número de pessoas e ainda conquistar a simpatia dos deficientes, que tanto sofrem para utilizar a internet devido a grande maioria de sites pensada apenas no público 100% saudável.



Caso tudo isso ainda não o tenha comovido e convencido, basta fazermos uma analogia ao shopping. Você acha correto ir ao shopping, comprar os produtos vendidos lá, pagar o ingresso do cinema de lá e ainda ter que pagar o estacionamento do local, ou seja, pagar para comprar? Reflita… [Webinsider]

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Artigos de autores diversos.

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