Tenho uma empresa de prestação de serviços em internet há oito anos e, confesso, nunca recebi tantos pedidos de orçamento pela rede.
Antes que os amigos e parentes mandem e–mail pedindo dinheiro emprestado, aviso: quase 100% das consultas não geram negócio. É uma espécie de voyeurismo comercial digital: olha–se muito, mas não se toca em nada.
No fundo, os possíveis interessados querem saber se o fornecedor da sua cidade está cobrando caro. Todos querem trabalhar com alguém a poucos quilômetros de casa que
tenha uma porta a ser chutada e uma mesa a esmurrar, se o serviço não for entregue.
É a chamada garantia Kung–Fu, com a seguinte filosofia: virtual é bom nos olhos dos outros.
Vejam o caso de um amigo. Fechou, depois de uma árdua troca de e–mail, seu primeiro contrato pela rede de R$ 400,00 com uma empresa de outro Estado. Eis a novela depois que enviou os arquivos pela web do serviço contratado:
“Enviei o e–mail para cobrar e ele alegou que faltava um item. Esclareci que aquele ponto não estava previsto no acordo. Concordou e prometeu depositar. Passado alguns dias, relembrei e escreveu que restava outro item. Passei a me comunicar pelo telefone”.
E prossegue:
“Para minha sorte, tinha indicado esse contratante para um amigo, que acabou fechando um projeto com ele. Ameacei denunciá–lo para o meu conhecido. Foi o único argumento convincente”.
E conclui:
“Quase levei o meu primeiro calote, mesmo tendo tudo assinado! Com tudo isso, só depositou uma semana depois do que prometeu. Se eu não o tivesse indicado para alguém….sei não”.
Vão aqui, então, algumas dicas para ambos os lados se defenderem.
Contratante – analise o site do fornecedor, veja os principais clientes, tempo de mercado, telefone, endereço. Ligue, peça referências, exija um acordo assinado bem detalhado, incluindo os serviços a serem entregues e as datas dos respectivos pagamentos. Em projetos maiores, exija referência.
Fornecedor – (tudo que foi dito acima e ainda) coloque no seu website a lista dos clientes, incluindo depoimentos. Consulte alguns deles para a possibilidade de oferecer referência. Exija sempre um sinal e etapas de pagamento a cada produto intermediário.
É bom também concluir o processo, através da entrega final do projeto (disquetes, papéis, CDs), via Sedex a cobrar. O executor envia e o contratante vai à agência dos Correios receber e pagar. Nada impede, entretanto, que partes desse material final já tenha sido demonstrado na rede, parcialmente.
A origem de toda essa desconfiança é o descrédito geral na justiça brasileira, pois um contrato que deveria ser uma garantia, vale menos do que um papel do jogo do bicho colado em poste.
Ou seja, o comércio digital de serviços está em curto com a lenta Justiça verde e amarela analógica. Já é hora de oferecerem, no mínimo, uma base online de dados nacional com a lista das empresas que tenham problemas na justiça.
Enquanto isso, a maioria contrata na sua própria cidade, ou bairro, mesmo que seja duas ou três vezes mais caro. Pergunta–se: quem perde com tudo isso? [Webinsider]
Mais lidas

Negócios artesanais podem ser marcas nacionais
outubro 19, 2026

A ilusão da agilidade: como a tecnologia estimula o desleixo
outubro 14, 2026

Ward Swingle e os Swingle Singers
setembro 22, 2026

A promessa e a realidade na experiência para o cliente
setembro 19, 2026

As cantoras de Jazz que transcenderam o que foi feito até então
setembro 10, 2026

Colatina, da idade da pedra à era digital
setembro 8, 2026
Mais conteúdos

Quando o pequeno negócio pode vender por assinatura
outubro 20, 2026

Negócios artesanais podem ser marcas nacionais
outubro 19, 2026

A ilusão da agilidade: como a tecnologia estimula o desleixo
outubro 14, 2026

Ward Swingle e os Swingle Singers
setembro 22, 2026
Uma resposta
Eu concordo plenamente, se nós podéssemos ter um pouco de confiança na nossa justiça, ficaria bem mais fácil fazer negocios via internet.