Restaurado em 2010 com 6K de resolução, Os 10 Mandamentos encontra na versão em mídia 4K a sua melhor imagem e som, uma ótima oportunidade para colecionadores.
Em meados de março de 2021 a Paramount lançou o Blu-Ray 4K do épico Os 10 Mandamentos, mas eu só tive chance de compra-lo por esses dias, fazendo valer o adágio popular “antes tarde do que nunca”…
Em 2010, a Paramount havia feito uma transcrição do negativo VistaVision com 6K de resolução, usado para a edição em Blu-Ray 2K. Agora, isto se repete, com o decréscimo de resolução para os 4K, seguido do tratamento da imagem por Dolby Vision. A trilha sonora, entretanto, foi mantida a mesma, em DTS HD MA 5.1, Em 2011, o Webinsider publicou um texto com a revisão do filme, do diretor e outros detalhes a este respeito.
Desnecessário dizer que a versão do filme em disco 4K se tornou necessária ao colecionador, por ser uma mídia de qualidade superior, e porque se trata de um dos mais importantes diretores de cinema da sua época, e neste filme ele nos mostra o perfeccionismo nos enquadramentos de câmera e na construção em geral da narrativa.
Um detalhe do filme que sempre me vem à memória foi o da crítica sobre a atuação de Charlton Heston, no papel de Moisés, com seus críticos lá de fora a classificando de “over the top”, ou “exagerada”. Eu nunca concordei com esta crítica, inclusive porque Heston provavelmente sabia da dificuldade de interpretar um personagem bíblico icônico de uma cultura milenar, e o fez da melhor maneira possível.
O processo de filmagem com câmeras pesadas teve o seu ocasional ocaso, e com as câmeras Mitchell VistaVision originais não foi diferente: Entretanto, o VistaVision continuou a ser usado para a filmagem de efeitos especiais.
Câmeras pesadas dificultam o movimento no set de filmagem, a não ser que seja usado uma “dolly”, que são verdadeiros guindastes que elevam a câmera para um altura desejada, processo este empregado muito em travellings para planos em sequência.
Minha opinião sobre a versão em 4K
O disco 4K é simplesmente um achado. Nota-se imediatamente o realce à fotografia, feito na restauração de 2010. Se no antigo Blu-Ray a imagem já era exemplar, nesta edição ela é primorosa, com o tratamento dos fotogramas com Dolby Vission.
O som com trilha DTS HD MA 5.1 tem muita qualidade. Embora desejável, não seria preciso tratar a trilha com Dolby Atmos. Diálogos são claros e dinâmicos, alguns poucos reproduzidos no surround.
O som deste filme nos cinemas era mono, em película de 35 mm. A restauração de 2010 havia resgatado a mixagem para o som estereofônico frontal, com os canais laterais reproduzindo a orquestração e alguns efeitos sonoplásticos.
Para mim, como cinéfilo, e tendo estudado as técnicas bases do cinema na adolescência, Os Dez Mandamentos mostra com exatidão a maestria e domínio de Cecil B. DeMille não só na direção dos atores, mas principalmente no posicionamento da câmera durante as composições das tomadas. Olhando com cuidado, é uma autêntica aula de como rodar um filme.
Obcecado com a perfeição, DeMille contou com uma mega produção, elenco de ótima qualidade, centenas de extras, e um visual às vezes estonteante. A narrativa usa um pouco da fantasia, mas não ofende ninguém.
A longa duração do filme, cerca de 3 horas e 50 minutos, é contornada facilmente pela dinâmica da narrativa. Eu vi isso de perto quando fui com meus pais assistir o filme no cinema: durante o intervalo ninguém na plateia se levantou da poltrona. O filme prendeu a atenção de todo mundo!
Os cinemas desapareceram, resta o home vídeo para nos lembrar dos bons momentos do passado distante. Esta versão em 4K me trouxe este tipo de memória. Não é um filme para se ver com frequência, por causa da duração, mas muito prazeroso quando isto ocorre! [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.









