Os nobreaks, conhecidos como UPS, estão cada vez mais sofisticados, acrescentando uma proteção a quem precisa fazer uso computador desktop em casa ou no escritório.
Nobreak, no-break, ou UPS (do acrônimo em inglês Uninterruptible Power Supply) é um aparelho dos mais úteis para quem trabalha em um computador de mesa, que não tem bateria interna para compensar a falta de energia elétrica, quando ela ocorre.
Nos tempos idos do MSX, eu estava escrevendo o capítulo de um daqueles livros que a Editora Ciência Moderna publicou, quando a luz apagou e eu perdi tudo. Até então, o manuscrito estava indo bem, e assim a frustração foi dupla, a de perder um bom texto e a de ter que reescrever tudo de novo, por causa da falta da luz.
Gozado é que o suprimento de energia elétrica nos grandes centros piorou ao longo dos anos, além de se receber um fornecimento irregular, com picos de tensão na rede quando menos se espera. Não fosse só isso, mas existe hoje uma contribuição significativa para a falta de luz pelo sistemático roubo de cabos, com a destruição da rede elétrica, arrastando consigo fios de telefonia, Internet, etc.
A depredação de cabos é enormemente facilitada pela exposição dos mesmos nos postes da cidade. Em países onde este tipo de roubo acontecia, a única solução foi a de passar todo o cabeamento para o subsolo, dificultando o acesso dos ladrões. Mas, este tipo de mudança é muito cara, e talvez por isso os grandes centros ficam à mercê daquele emaranhado de fios que chega a assustar quem passa nas ruas.
Então, ficar sem luz acabou se tornando uma rotina. Ou seja, quem trabalha em casa ou precisa usar um computador para fazê-lo, vai precisar se proteger o tempo todo. E, neste caso, a melhor forma de se fazer isso é usar um nobreak.
A propósito, quando eu morei fora, nos quatro anos em que eu estive lá faltou luz uma única vez. Quando se pensou em trocar a alimentação elétrica de 220 para 110 Volts, o público reagiu e a troca acabou não sendo feita, porque implicaria em prejuízo financeiro para quem paga as contas.
Na década de 1990, enfrentando de novo sempre o receio de perder novamente o que eu deixava para fazer em casa, eu parti para um nobreak. Mesmo não tendo conhecimento técnico, não tardou muito e eu me senti compelido a entender um pouco melhor o que eu estava fazendo. E explico: existe uma miríade de nobreaks de diferentes tipos e modelos, portanto manda o bom senso pesquisar o modelo correto antes de comprar um!
Algumas especificações que são muito importantes para quem escolhe
Não é preciso, felizmente, ser um técnico em eletricidade para saber escolher um nobreak que possa atender o que se pretende em termos de performance e proteção. A primeira coisa que se faz é calcular, mesmo com valores aproximados, a carga em Watts que se deseja alimentar. Depois, determinar o tipo de onda de saída, se senoidal (idêntica à onda da corrente elétrica de casa), ou senoidal aproximada, sugerida como pouco indicada para alguns tipos de aplicação.
Durante muito tempo eu usei um nobreak APC com saída semi-senoidal ou senoidal aproximada, devido principalmente por causa do alto custo dos modelos com saída senoidal pura. Eu vejo até hoje vídeos no YouTube pessoas com um suposto embasamento técnico condenando o uso de nobreaks semi-senoidais em computadores.
Comigo, foram anos seguidos usando o meu semi-senoidal sem absolutamente nenhum dano ao computador da época! Porém, antes da primeira instalação eu encomendei a um eletricista o cabeamento de um terra tradicional, daqueles com barra de cobre. Trata-se de uma inciativa não obrigatória, necessária e fundamental, para suprir a falta do terra em um prédio construído com rede elétrica monofásica. O nobreak que eu usei naquela época era dotado de um LED no painel traseiro, que indicava se a alimentação estava correta (LED apagado) ou não (LED aceso). Este recurso é comumente achado até hoje!
Outra coisa que também me chama a atenção é a “classificação” arbitrária de um nobreak como “gamer”, isto é, destinado a sistemas de alta performance. É bem possível que isto seja uma jogada de marketing ou necessidade do fabricante de valorizar o seu produto para qualquer tipo de aplicação.
No fim das contas, o que o usuário consciente precisa é dimensionar corretamente a carga a ser usada, a potência de saída (multiplicando o valor em VA pelo fator de potência), a entrada e saída em Volts e, de preferência, instalar o nobreak em uma rede elétrica com aterramento adequado.
As mudanças de nobreaks antigos por outros mais modernos
Eu usei um nobreak SMS durante muitos anos, até que começasse a dar todo tipo de problema, a ponto da autorizada desistir de consertar. Parti então para um APC, que ficou anos em uso, até também dar um problema atrás do outro, e não me refiro a baterias. Na realidade, depois de alguns anos eu mesmo fiz a troca das baterias, e o nobreak ainda durou muito tempo.
Depois disso, e entendendo melhor com o quê eu estava lidando, eu resolvi investir em um modelo APC com saída senoidal e com maior lastro de potência. O display do aparelho, junto com o software de controle alimentado por uma porta USB, me deu a chance de finalmente saber o status de funcionamento do nobreak, a vida útil das baterias, a carga suportada, etc.
A mudança da Internet ADSL/VDSL, através de par telefônico trançado, recomendou o uso de um segundo nobreak, desta vez dedicado à alimentação de modem, roteador, etc. Uma vez mal acostumado com o recurso de um display eu parti para a instalação de um segundo APC, mesmo modelo, mas com capacidade de carga bem menor, já que modem e roteadores consomem muito pouco de energia, e por isso ficam um tempo enorme ligados depois de uma daquelas faltas de luz prolongadas.
Eu aprendi que nobreaks podem ficar ligados dia e noite sem qualquer problema de desgaste das baterias, e assim o segundo nobreak permaneceu ligado o tempo todo! Esses APCs duraram sete e cinco anos sem sequer trocar as baterias, os dois ligados dia e noite, com a permissão, é claro, do suporte técnico da APC.
Notem que a relação carga versus consumo é o que determina quanto tempo um nobreak consegue manter tudo ligado depois que a luz acaba. Claro que existe um limite programável para isso: debaixo de cargas muito baixas, um recurso chamado de “Battery Saver”, que desliga o nobreak que está alimentando cargas muito baixas, para poupar as baterias de desgaste. Quando a carga alimentada é pequena é necessário desabilitar este recurso, para evitar que os dispositivos fiquem sem alimentação.
A troca por modelos mais novos
No ano passado, eu resolvi aposentar os meus dois super pesados APC. De lá para cá, muita coisa mudou, inclusive e principalmente na tecnologia das baterias. Pesquisando o mercado, eu vi que várias baterias estacionárias são oferecidas hoje com 2 anos de garantia, e com promessa de troca se ela der defeito. Portanto, a confiabilidade do fabricante sobre a vida útil das baterias aumentou significativamente.
Eu iria trocar os meus dois APC por modelos da mesma marca, mas desisti, por falta de opções. Depois de alguma pesquisa eu escolhi um Ragtech One Up Nitro, modelo “gamer”, seja lá o que isto me traria de vantagem.
Antes de fazer esta escolha, eu vi no YouTube usuários se queixando muito sobre o barulho alto, quando este nobreak entra em modo bateria. Falando com o suporte da fábrica, me foi garantido que não era tão alto assim como foi descrito. Logo no primeiro uso eu verifiquei que um pequeno e insignificante barulho de alguns segundos ocorre somente na partida, durante o auto teste. Na falta de luz, o barulho do inversor é quase zero! E, assim, mais uma vez, noto que é recomendável se colocar os pés para trás e dar um desconto quando se assiste um desses vídeos do YouTube.
O painel frontal do One Up já é atraente como vem de fábrica. O recurso de mudar a placa de plástico da frente ou alterar as luzes RGB por mim é perfeitamente dispensável, eu deixo isso para os “gamers”…
O display do One Up é pequeno e pouco informativo, mas quebra o galho. O software de ajustes, mostrado na figura abaixo, permite fazer algumas modificações, se o usuário assim o desejar, mas principalmente, ele monitora o funcionamento do nobreak em tempo real. O software roda por padrão na partida do sistema operacional,. No meu caso, eu impedi que isso acontecesse, até porque não há necessidade deste tipo de consulta a todo momento.
Para o segundo nobreak a ser instalado e para alimentar modem e companhia, eu optei por uma modelo da Ragtech bem mais simples, de menor potência e sem display. Como o nobreak foi instalado longe do computador, eu dispensei a instalação do cabo USB.
O Ragtech New Easy Pro 1200 VA tem um único botão na frente, com dois switches, um, na parte de baixo, para ligar e desligar e o de cima para algumas funções. No manual, pode-se ver uma ilustração que fala sobre o bargraph de LEDs ao lado:
Mas, aconteceu que depois de vinte dias de uso, o meu Easy Pro parou totalmente, desligou e morreu, coisas que acontecem com qualquer aparelho eletrônico.
Os nobreaks tem uma estrutura de construção similar, constando basicamente de uma placa lógica, uma ou mais baterias, um transformador e demais componentes de ligação dos dispositivos. O controle de tensão é feito por um microprocessador, chamado de microcontrolador, instalado na placa lógica.
Com a parada inesperada do Easy Pro, eu retirei o fusível externo, medi a continuidade e vi que ele estava perfeito. Levando o aparelho para a autorizada, foi constatado defeito na placa lógica, que foi trocada.
Na ocasião, o técnico de lá me chamou a atenção para as modificações do novo modelo: o switch de função, que fica na parte superior do botão frontal, não indica a carga consumida durante o uso em modo rede, como mostrado no manual,.
Dias depois, uma nova surpresa: faltou luz, e quando ela voltou o LED amarelo, indicador de uso no modo bateria, permaneceu piscando, quando, teoricamente, deveria fixar apagado com a volta da luz. Não achei menção sobre isso no manual fornecido na caixa, que é genérico.
Em contato com o suporte da fábrica, o técnico declarou que o LED do modo bateria piscando indica uma bateria “envelhecida”, que dificilmente seria o caso, mas sugeriu um teste de carga: desligar o nobreak da tomada e observar se a carga da bateria é consumida rapidamente, o que indica uma provável falha na bateria. Não foi. Deixei o aparelho desligado por 45 minutos e resolvi parar o teste, que perdeu o sentido. Quer dizer, a bateria estava em perfeitas condições de uso.
Estudando o assunto, e ne esforçando para avaliar se valia a pena trocar logo a bateria, eu rapidamente percebi que, neste aparelho, uma falta de energia elétrica vai necessariamente consumir a carga da bateria, mesmo que a interrupção da luz seja de curta duração. Assim, o LED amarelo ficará piscando até que a bateria volte à carga plena. Claro que seu tivesse conectado o nobreak por uma porta USB eu teria visto isso no software de controle, que indica esta carga.
Manuais com erros ou pouco informativos não são incomuns em qualquer aparelho que se compre hoje em dia. E, apesar da gentileza dos suportes técnicos, nem sempre se informa o suficiente para alguém entender o que está se passando;
Baterias novas raramente precisam ser trocadas, elas podem durar facilmente de 3 a 5 anos, dependendo das condições de uso. Entretanto, o usuário final deve respeitar o limite de carga a que o nobreak esteja submetido!
Já de muitos anos para cá os nobreaks cumprem muito mais do que a simples troca de energia. Eles fazem o papel de estabilizadores de tensão e filtros de linha, com proteção total para oscilações de corrente elétrica, surtos de tensão, etc.
A energia de uma bateria é pura e não varia de tensão, até chegar ao seu limite de carga. Nos laboratórios clínicos do passado, as baterias eram usadas para alimentar os foto colorímetros, por serem capazes de manter a fonte de luz constante, e evitando erros de leitura.
Isto foi no passado distante. As baterias de hoje são muito mais robustas e duráveis, zero risco de vazamento, que possa danificar o aparelho onde são usadas. Tudo isso traz confiança nas aplicações pretendidas, até que a instalação de novas baterias sejam necessárias. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.











