O primeiro Star Trek do cinema, em versão 4K, Dolby Vision e Dolby Atmos

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O primeiro Star Trek visualmente lembra 2001, de Stanley Kubrick

Star Trek: O Filme, saiu na versão em 4K, Dolby Vision e Dolby Atmos, em uma transcrição para vídeo da versão do diretor, restaurada em 2022 a partir dos negativos originais.

 

Star Trek, ou Jornada nas Estrelas, foi um seriado de grande sucesso na televisão, mas não de imediato. O episódio piloto foi muito modificado, parte do elenco também, e aos poucos a ideia de seu criador Gene Roddenberry, a de congregar povos e raças para que, unidos, pudessem compartilhar experiências de vida, tivesse sucesso. É sempre bom lembrar que, na década de 1960 a guerra fria ainda estava longe de terminar.

A série foi originalmente produzida pela Desilu Productions (antiga RKO) e pela Norway Productions, entre 1966 e 1967. Entretanto, a Paramount comprou a Desilu em 1967, e produziu a série de 1968 até 1969. A série foi depois substituída pela chamada Nova Geração, lançada em 1987, com mudança radical de elenco e personagens.

Notem que nem todo seriado de TV chega às telas de cinema, e muitos dos que chegam acabam resultando em um sonoro fracasso, de público e/ou de qualidade. Não foi o caso de Star Trek, quando a Paramount decidiu produzir “Star TreK: The Motion Picture”, lançado em 1979, aproveitando o elenco da década de 1960 e o sucesso da série. No Brasil, o título teve poucas alterações, ficou “Star Trek: O Filme”, exibido nos cinemas em 35 mm, com som Dolby Stereo. Foi feita uma versão ampliada em 70 mm, não sei se exibida por aqui, mas eu nunca a vi.

A reação inicial, que eu lembro quando fui ver o filme no cinema, foi a de tentar identificar os personagens da série com os atores bem mais velhos. O filme teve dois aspectos curiosos: o primeiro, que a narrativa foi rodada em ritmo muito lento. N.B.: o ritmo da edição é ditado pela minutagem de cada plano, portanto podendo gerar uma cadência rápida, típica de filmes de ação, ou lenta, que foi o caso deste filme. Nos filmes de suspense e de terror é possível ver as duas cadências, em cenas diferentes.

Parte da lentidão foi creditada ao já veterano diretor Robert Wise. Não sei até hoje se esta crítica procede, primeiro porque Roddenberry participou do projeto, e ele deve ter concordado com a narrativa, e segundo, que havia necessidade de reapresentar os personagens para plateias mais jovens.

Robert Wise pode não ter sido creditado como a melhor escolha para dirigir o filme, mas inegavelmente ele tinha todos os pré-requisitos para fazê-lo. A sua carreira e filmografia provam isso. Wise dirigiu quase todo tipo de filme. Um dos seus filmes de ficção que me agrada até hoje foi o Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain), de 1971, baseado em uma estória coescrita pelo então estreante Micheal Crichton (Jurassic Park). A propósito: o filme foi exibido aqui em 70 mm, mas o DVD e o Blu-Ray nunca resgataram esta trilha sonora, deixaram em mono mesmo!

A edição em alta definição

Uma cópia em 2K do primeiro Star Trek foi incluída em uma caixa, com os outros filmes da primeira geração. A transcrição da imagem é de muita boa qualidade, e muito superior às versões mais antigas em vídeo. Em 2001, foi feita uma remasterização cuidadosa em 4K, com a supervisão de Robert Wise, a chamada “versão do diretor”. No Blu-Ray o áudio também foi remixado para Dolby TrueHD 7.1, com resultados excelentes.

A edição em 4K, lançada depois em Blu-Ray UHD

Em 2022, voltou-se ao negativo de câmera para produzir uma nova versão em 4K da imagem, e incorporando a ela uma trilha em Dolby Atmos:

Robert Wise não chegou a ver o esforço desta restauração, porque faleceu em 2005, mas na versão em 4K foi feito um tributo ao grande diretor no final dos créditos, com a frase “For Bob” em destaque. Os créditos da restauração de 2022 aparecem no final, após os créditos do filme original.

Esta será provavelmente a versão definitiva do filme, pelo menos foi a de Robert Wise. A imagem com Dolby Vision é exemplar, e a nova trilha com Dolby Atmos é um show à parte, certamente uma das melhores que ouvi até hoje. O som se espalha na sala toda, realçando os efeitos sonoplásticos e dando uma verdadeira terceira dimensão ao filme.

A escolha dos fãs

Nem todo mundo viu o primeiro Star Trek do cinema com os mesmos olhos, literalmente, mas o filme foi um sucesso de bilheteria. Na sessão em que fui, o cinema estava superlotado!

Ao longo das décadas, os fãs da série fizeram as suas escolhas. Uma grande parte acha que os filmes de numeração par eram os melhores da franquia, começando com o número 2, quando o personagem Kahn, originalmente interpretado pelo icônico Ricardo Montalban, volta às telas para se vingar de Kirk.

No que me concerne, eu gosto de todos os filmes indistintamente, mas se eu tivesse que citar os que gostei mais, seriam, em sequência, Star Trek IV: The Voyage Home, de 1986, e Star Trek: First Contact, de 1996, com a nova geração. Este último eu cheguei a ter em LaserDisc, com som Dolby Digital 5.1 de alta qualidade.

Como fã de cinema, eu continuo a ver o primeiro Star Trek da mesma forma: visualmente, ele lembra 2001, de Stanley Kubrick. Não foi uma coincidência que Douglas Trumbull tenha participado dos dois filmes. Seu nome aparece em destaque nos créditos!

As semelhanças com 2001 são visualmente notórias. O ritmo lento enfatizando as naves espaciais e os efeitos em alegorias gráficas dentro dos túneis por onde a Enterprise passa, tudo muito parecido com a passagem da Discovery chegando a Jupiter, em 2001. Tal como em 2001, na recente restauração, os detalhes dos efeitos fotográficos são visualmente atraentes.

William Shatner teria dito na première do filme que ele era lento demais, teria usado a expressão “sluggshiness”, em referência a uma lesma. Depois disso, teria afirmado que a franquia estava morta.

Nota-se que Shatner, se disse isso, não poderia estar mais enganado. E ele deve isso à mestria de Robert Wise, que soube, mais do que ninguém, reintroduzir com calma todos os antigos personagens, e mostrar a personalidade de cada um novamente.

A estória é favorecida por conceitos conhecidos sobre o trabalho de pesquisa: a ciência questiona a essência e a natureza do dito ser humano, o que ele é e o que ele faz vivendo aqui. A existência de uma entidade não humana não é descartada, chame-a de Deus ou qualquer nome similar.

A pesquisa científica não vai parar nunca de tentar encontrar respostas. No filme, V’ger é uma criança à procura destas respostas, saber quem é e encontrar em contato com o seu Criador. Como todos nós, V’ger não consegue conceber que o Criador foi um ser humano, que ele chama de unidades de carbono, porque ele V’ger é uma máquina avançada.

Na vida real, são exatamente as “unidades de carbono” que nos mantém vivos, sem elas a vida não é possível. E assim é perfeitamente natural que o ser humano tente achar a resposta de como foi possível a nossa existência, e se alguém de fato nos Criou. [Webinsider]

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Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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4 respostas

  1. Olá Paulo
    Esse verdadeiro clássico da Sci-fi, está no seleto catálogo dos filmes marcantes do gênero, comparado a grande obra de Stanley Kubrick, 2001 Uma Odisseia no Espaço.
    Essa versão restaurada apresenta a nova edição digitalizada da emblemática Nave Enterprise.
    Realmente imperdível essas edição em 4K.
    Abração.

  2. Olá Paulo,

    Qual sua expectativa para o Dolby Vision 2 ? E uma curiosidade, qual é a marca e modelo da sua Tv atual para os filmes assistidos ?

    1. Oi, Lee,

      Eu uso uma LG OLED C3 de 77 polegadas. Confesso a você não ter nenhuma expectativa sobre os vários tipos de HDR, porque tenho visto resultados variáveis, inclusive no Dolby Vision.

      Às vezes, é difícil fase comparações, sem meios de medição apropriados, que é o meu caso. Até onde eu sei, as TVs da LG não aceitam, por exemplo. HDR10+, então eu fico sem referência para sabre se de fato faz alguma diferença com este ou qualquer outro codec.

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