Dispositivos de proteção contra surtos (DPS) podem ser usados um atrás do outro, na mesma rede elétrica, garantindo que oscilações antes da volta da luz o atinjam.
Normalmente, um nobreak de boa qualidade dispensa qualquer proteção instalada na rede elétrica onde ele está ligado, certo? Teoricamente, os nobreaks são projetados para eliminar as principais variações da rede elétrica local, sempre críticas em redes monofásicas. Entre essas proteções inclui-se a proteção contra surtos, e ela funciona!
Recentemente, porém, eu aprendi e juntei mais um conhecimento aos meus 20 centavos que eu sei sobre o assunto: que nobreaks e alguns outros aparelhos podem ser vítimas de oscilações na alimentação da rede elétrica, não necessariamente surtos de tensão. Isto me foi afirmado por um técnico de manutenção, que eu conheci recentemente, a propósito de um nobreak novinho da Ragtech, modelo New Easy Pro, de 1200 VA, que tinha parado de funcionar.
O aparelho voltou a mim com um problema que eu nunca tinha visto: o LED laranja do modo bateria começou a piscar sem parar após o retorno da energia, depois da ausência de luz. Normalmente, este LED pode e provavelmente piscará após uma falta de luz, quando o nobreak está carregando a bateria.
Mas, neste caso, houve uma falta de luz de madrugada, com direitos a raios e trovões, e o LED ficou piscando até de manhã. Eu sei disso, porque eu me levantei durante a tempestade e a falta de luz, notei que a luz voltou pouco tempo depois, portanto aquele LED já deveria ter apagado. Este incidente já foi parcialmente relatado em um texto anterior.
Foi aí então que o técnico que havia feito a primeira manutenção do Easy Pro descartou a presença de um defeito, e atribuiu o problema às tais oscilações da rede elétrica. E foi mais além, afirmando que outros nobreaks de outras marcas mostram o mesmo problema.
Inicialmente, eu instalei um DPS comum na alimentação do Easy Pro. Não adiantou nada! Entrei em contado com a fábrica, e eles mandaram recolher o aparelho para exame. Neste interregno, e meditando no assunto, eu me lembrei que tinha em casa um DPS com retardo de realimentação de energia temporizado. Um microprocessador mede a rede elétrica em tempo real o tempo todo. Esta medição é do tipo “True RMS”, que mede a voltagem real, com precisão.
Na volta da luz, este DPS só vai liberar a saída de energia elétrica depois que ela estiver estabilizada, impedindo assim que qualquer oscilação da rede elétrica quando a luz volta, atinja o aparelho ao qual ele está ligado.
Eu já sabia que não há problema algum em se conectar um DPS atrás do outro. Um exemplo típico deste tipo de instalação é feito com DPS classe 1, colocado no quadro de distribuição geral da rede elétrica. Cabe ao usuário querer reforçar esta proteção, instalando um DPS classe 3, antes de qualquer aparelho.
Mesmo sabendo disso, eu consultei a Ragtech sobre o que eu havia decidido a fazer, bem antes do Easy Pro voltar. E eles não só concordaram, como recomendaram que eu o fizesse. O meu nobreak foi realinhado na fábrica. Quando voltou, ele foi reinstalado a partir de um DPS com temporizador. Como eu tinha em casa só um DPS para 4 saídas, eu mandei trazer um de apenas uma saída temporizada, da própria Ragtech, modelo DPS Smart.
Como evitar erros de instalação de um DPS em uma rede monofásica
Todo e qualquer equipamento com plugue de 3 pinos, Fase, Neutro e Terra, carece de uma rede de alimentação obrigatoriamente construída com as fiações no seu devido lugar. Olhando a tomada fêmea de 3 pinos de frente, a fase fica à direita e o neutro à esquerda. O conjunto estabelece a fiação terra no pino de cima.
Uma simples chave de teste, aquelas com lâmpada neon, irá informar se esta pinagem está certa ou errada. Usando um multímetro também se pode inspecionar toda a fiação, mas a maioria dos usuários não dispõe de um aparelho deste tipo, em cujo caso se deve recorrer a um bom eletricista.
Anos atrás, eu comprei um DPS temporizado da marca Vetti, comercializado como “Plugue Anti-Raio”. Comprei dois, mas um deles veio com a fase à esquerda. Escrevi para o suporte da fábrica, que, para minha surpresa, afirmou que aquela inversão não tinha problema.
Ora bolas, um DPS é projetado para desviar surtos de corrente para o terra, ou então para o neutro, quando não há terra disponível. A inversão de polaridade como a descrita acima compromete este caminho de proteção, podendo causar danos ao equipamento protegido pelo DPS, que poderá ficar sem proteção! A propósito, muitos nobreaks indicam este erro, acendendo um LED de alerta.
Na época, eu inverti a fiação, e usei este DPS por um tempo, descartando-o a seguir. Naquele ponto, a perda de confiança na Vetti se tornou inevitável, já que eles não só não reconheceram o erro, que até um idiota neófito como eu sabe que existe, como ainda se recusaram a trocar o Plugue. Depois disso, todo e qualquer DPS que eu compro, eu pego uma chave de teste imediatamente, para me certificar que a pinagem está correta. E eu sugiro ao leitor que faça o mesmo!
Fica aqui mais uma lição aprendida. Se o DPS temporizado instalado antes do nobreak não tiver o efeito desejado, pelo menos ele irá oferecer uma dupla proteção, independente, como foi no meu caso, do nobreak tiver tido o circuito do sensor de bateria realinhado na fábrica.
Bem, até agora, já passei por várias tempestades, com trovoadas, o meu Easy Pro continua funcionado sem LED da bateria piscando sem parar, quer dizer, nada de anormal foi constatado, e isso já foi um progresso otimista na direção certa. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.









