Quando a busca por convencimento é mais importante do que a busca pela verdade, pela originalidade ou pela criatividade.
Existem duas formas de mascarar a superficialidade de nossas afirmações. A primeira é colocar dúvidas na própria sentença: “eu acho que”, “é provável que”, “tudo indica que”, etc. Esse tipo de cacoete de linguagem disfarça menos uma presumida humildade do que uma ênfase inversa.
A segunda forma é a superlativação: “sem dúvida”, “é inegável que”, “como amplamente documentado”. Nesse caso, inversamente ao anterior, o exagero esconde menos uma pretensiosa sabedoria do que uma ignorância disfarçada.
Na sociedade de hoje, histerizada pelas redes sociais, tentar neutralidade é um pecado vocacionado à indiferença ou ao esquecimento. E parece que essa avalanche de blablablá que se abate sobre nossos feeds — gerados por inteligências artificiais diligentes em “auxiliar” os preguiçosos a escrever — já descobriu que esses truques de discurso são convincentes.
Nada de muito errado em tentar ser convincente. O problema é quando a busca por convencimento é maior, ou mais importante, do que a busca pela verdade, pela originalidade ou pela criatividade.
Quando a gente tenta primeiro convencer, é claro que um exagero aqui, um pleonasmo ali, uma mentirinha acolá são admitidos nos discursos. E de exagero para mitomania, de mentirinha para “verdades alternativas”, é só um pulo.
A sorte, por enquanto, é que as IAs deixam rastros muito fáceis de detectar. Já há até especialistas nisso (https://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Signs_of_AI_writing).
Vai ver já existe até IA que detecta IA. E, já já, IA que detecta IA que detecta IA. [Webinsider]
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