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Em 1974, Brigitte Bardot deu adeus ao cinema, apesar do sucesso

Brigitte Bardot foi um dos maiores símbolos sexuais do cinema. Quando abandonou as telas, viveu fora dos holofotes e tornou-se uma ativista protetora dos animais.

 

Próximo ao fim do ano passado, mais especificamente no dia 28 de dezembro de 2026, a imprensa noticia a morte da atriz francesa Brigitte Bardot, ícone da sexualidade feminina nos filmes das décadas de 1950 e 1960. O sexo a sexualidade sempre existiram no cinema, debaixo de uma censura atroz, mas nunca da maneira como Mademoiselle Bardot a encarnou, não por nudez nem por palavras, mas pelo seu jeito rebelde, por vezes libertário, e permissivo de ser.

Na minha infância e adolescência, a censura no cinema era encarada com preocupação dos censores da polícia, os seus boletins exibidos obrigatoriamente antes de cada filme, seja ele qual fosse

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A Igreja Católica também tinha os seus meios de praticar a censura aos filmes, na forma de “recomendações” do que as famílias podiam assistir ou evitar de fazê-lo.

Todo domingo, o meu pai, católico fervoroso e praticante, trazia para casa o chamado “Boletim da Igreja”, no qual os filmes em cartaz eram listados e classificados de acordo com os critérios de censura da Igreja. Todos aqueles títulos com maior conteúdo de cenas impróprias eram classificados e listados em grupos como “Adultos”, “Adultos com reservas”, “Prejudicial” e “Condenado”.

Desnecessário dizer que os filmes de Brigitte Bardot eram do tipo “Condenado”, e por causa disso quando o filme “Babette Vai à Guerra” foi liberado para todo mundo isso nos causou uma enorme surpresa ao ler o Boletim.

Na minha fase de adolescente já frequentador de cinemas de arte, eu finalmente consegui ver Brigitte em cena, no filmer “Le Mépris”, de 1963, dirigido pelo icônico Jean-Luc Godard:

A censura da Igreja também rondava os cinemas dos padres, fato muito bem documentado no filme Cinema Paradiso, de 1988. O Ivo Raposo, que trabalhou como operador no Cinema Santo Afonso, também nos conta que os padres tinham hábito de mandar cortar algumas cenas, antes do filme ser exibido. Não sei se por vingança, o porteiro do Santo Afonso fazia vista grossa ao deixar entrar garotos menores de idade nos filmes proibidos para menores de 18 anos…

Muitos desses filmes proibidos para menores não tinham nada demais, mas a censura era implacável! Para conseguir assistir Amor Sublime Amor (“West Side Story”) no Cinema Madrid, que era proibido para menores de 16 anos, eu tive que pagar inteira, para que o porteiro não visse a minha carteira de estudante. E o filme nunca justificou esta censura!

A vida de Brigitte Bardot depois do cinema

Em 1974, Brigitte deu adeus ao cinema, apesar do sucesso, declarando-se insatisfeita com a sua carreira como atriz. É bem possível que ela tivesse consciência de que a sua presença nas telas se devia muito mais à sua aparência e sexualidade do que à sua arte.

Também pode ter sido pelo receio da chegada da velhice, que no caso de muitas mulheres ocorre precocemente. As rugas começam a aparecer e chega a um ponto que os maquiadores têm dificuldade de contornar o problema.

Bardot não foi a primeira a se retirar precocemente das telas. Um caso singular foi o da atriz Greta Garbo: a M-G-M a tratou, modificou a sua aparência, ela tinha um enorme carisma e fotogenia na tela, mas com o avançar da idade, o estúdio não dava mais a ela a devida importância como símbolo de beleza. Então, ela decidiu abandonar tudo.

Cabe destacar que em Hollywood o star system destacou e depois abandonou atores e atrizes, de forma impiedosa, e muitos ficaram à mercê da sorte, em uma mídia que visava ganhar dinheiro a qualquer custo.

Viagem ao Brasil e vida de militante

Ainda em 1964 Brigitte veio ao Brasil e se refugiou (literalmente) em Búzios, com o então namorado, o playboy marroquino Bob Zagury. Ela esteva lá por duas vezes, em uma época em que Búzios era um local obscuro, que  devido à sua presença, passou a fazer parte do roteiro turístico de muita gente.

Em tempos recentes Bardot se tornou uma ativista política radical, com foco na proteção dos animais. Criou a Fundação que levou o seu nome, em 1986, de forma a aumentar e combater a exploração de animais, como, por exemplo, nas arenas com touradas.

A atriz levou uma vida conturbada e às vezes cercada de polêmicas, e muito rica em incidentes, com casamentos repetidos e amantes que não duraram muito. Viveu, no final, uma vida fora dos holofotes, mas nunca deixou de declarar o seu amor a Búzios, onde, aparentemente, ela passou os seus melhores momentos longe da imprensa.

Sua morte se deu aos 91 anos, longe dos fãs de cinema e/ou dos seus filmes. O símbolo sexual que se tornou desapareceu com o passar do tempo, assim como o carisma de dezenas de artistas do cinema.  [Webinsider]

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Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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