O drive ótico usado nos aparelhos de leitura da mídia em discos não dura para sempre – ele necessita manutenção periódica ou substituição da unidade toda.
Quando o Compact Disc foi formalmente lançado em 1983, com o aparecimento do Sony CDP-101 no mercado norte-americano, o usuário se deu conta de um novo tipo de pick-up ótico, um pouco diferente daquele usado nos leitores do Laserdisc.
Apesar de relativamente simples em sua construção ótica, o drive para a leitura de CDs foi planejado para ler os códigos do disco com alta precisão, não só ótica, mas eletrônica também.
Hoje, passados todos esses anos, se sabe que um pick-up ótico para leitura da mídia moderna tem prazo de validade, e ao passar dos anos ele pode tanto sofrer uma manutenção técnica que os faça voltar a funcionar como antes, como obrigar o técnico a substituí-lo, em partes ou inteiro.
A evolução dessas unidades de leitura (drives) aumentou muito a expectativa da durabilidade de todos os seus componentes, e/ou de permitir a recalibração dos diodos emissores do raio laser instalado.
A mudança da mídia e dos diodos de emissão
A função básica do diodo emissor de luz é a de ler as informações contidas na superfície estampada do disco, jogando um feixe de raio laser no disco, em determinados comprimentos de onda. O assunto em si já foi previamente explorado em um texto anterior. Uma tabela naquele texto menciona o uso de 780 nm (nanômetros), com raio na região do infravermelho para o CD, 650 nm, região do vermelho visível, para o DVD, e 405 nm, em uma região do espectro próxima do ultravioleta, para o Blu-Ray.
Um drive moderno irá usar um único diodo emissor, capaz de emitir luz em todos esses comprimentos de onda. Este tipo de montagem já foi usado para os leitores de mesa para DVD e CD, com duplo comprimento de onda emitido. Posteriormente, com o aparecimento do Blu-Ray, o diodo emissor passou a ser o modelo de tripla emissão.
Notem que a eletrônica associada à leitura também mudou, porque se percebeu a necessidade de se acertar a integridade do bitstream lido desde o início. Por outro lado, o controle de emissão também se tornou mais sofisticado, substituindo-se os trimpots de ajuste individual do raio emitido, por um chip capaz de armazenar cada ajuste de forma programada.
O ajuste por triumpot sempre foi crítico: se a potência ajustada for abaixo da correta, o disco ótico não será lido, e se for alta, poderá queimar o diodo.
O caso do Oppo UDP-203
Quando eu me aventurei na coleção dos discos Blu-Ray 4k, eu recorri ao pessoal da Logical Design, que ainda tinham o Oppo UDP-203 em estoque. O Oppo é um player universal, ou seja, capaz de tocar qualquer mídia ótica, como CD, CD-R/RW, DVD Audio/Video (DVD-R/RW), e Blu-Ray 2K/4K, também R/RW.
Além disso, o UDP-203 tem um design projetado para proteger o disco da poeira, quando ele é reproduzido. O drive ótico tem 3 níveis de amortecimento e balanceamento da unidade leitora, de forma a garantir a fidelidade da leitura do disco, mesmo em condições adversas e livre de potenciais trepidações.
Normalmente, uma limpeza periódica da lente e do restante do drive, com o uso de álcool isopropílico, pode e deve ser feita, para garantir a leitura correta dos discos.
Infelizmente, o drive não dura para sempre, e no meu caso, depois de mais de sete anos de uso, eu comecei a ter congelamentos na leitura e reprodução dos discos, incontornáveis pela rotina da limpeza.
Na prática, isto pode indicar o início do envelhecimento do diodo emissor ou a necessidade de corrigir o alinhamento do mesmo, nos três comprimentos de onda. Só que este tipo de drive não usa trimpot, como acima referido. Ele vem de fábrica com um programa gravado em EPROM, que faz este papel. A experiência de uso e das abordagens técnicas nos laboratórios demonstraram que este programada precisa, em caso difíceis de congelamento de leitura, ser regravado!
Eu ainda dei sorte de recorrer ao suporte da Oppo na América, quando ele estava ativo. O técnico do suporte pediu uma foto do código de barras do número de série do aparelho, que foi usado para identificar o arquivo a ser regravado.
O procedimento em si é muito simples: usa-se um drive USB vazio e nele se copia o diretório fornecido, contendo o arquivo desejado. Liga-se o aparelho, coloca-se o drive no slot da frente, seleciona-se o menu de configuração e com o remoto digita-se 5177 em sequência. A seguir, aparece o menu de inspeção e calibração do drive:
A última opção (Repair BarCode) é aquela que regrava o arquivo de recalibração da potência do diodo emissor. O processo dura menos de 1 segundo, e se bem sucedido, aparece a mensagem Pass, indicando sucesso. Então, tecla-se Stop no remoro, para sair do menu, desliga-se o aparelho e volta-se a liga-lo depois para o uso normal.
A propósito, eu li na Internet relatos de usuários que não tiveram o mesmo sucesso, quando então apareceu na tela a mensagem Fail. Quando isto acontece é provável que seja preciso trocar a unidade de leitura ou o drive todo.
O processo de recalibração do pick-up ótico deve ser feito somente em situações onde não é mais possível ler os discos inseridos no drive. Eu estava tendo este problema em todas as mídias indistintamente, então resolvi arriscar. Depois de todos os tipos de discos testados, eu deixei o UDP-203 em observação.
Com mais de sete anos de uso, um colecionador como eu, que tem arquivados discos hoje quase impossíveis de comprar, talvez devesse aposentar um Oppo como este, mas, em contrapartida, o UDP-203 ainda é visto como um dos melhores, senão o melhor leitor de mesa para DVD e Blu-Ray 2K ou 4K. A imagem de relativa baixa resolução do DVD é pré-processada dentro do aparelho e entregue na TV com uma melhoria considerável na resolução e qualidade da imagem.
Em termos de áudio, outros aparelhos podem ter desempenho similar, porque o sinal de áudio por HDMI passa direto para o decodificador externo, geralmente de um receiver. Mesmo assim, a qualidade do drive ótico do Oppo assegura a quem ouve a certeza de que o som obtido é o melhor possível.
A ausência da interrupção da leitura dos discos é um benefício enorme ao usuário. É fato que as mídias estão cada vez mais críticas, complicando sem necessidade este benefício, então é torcer e rezar para, quando tocar um disco, tudo dar certo! [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.











