O obsolescência dos equipamentos eletrônicos

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A tecnologia avança e muita coisa perde o uso ou cai na obsolescência e assim o ciclo prossegue.

 

A gente quase não se dá mais conta de quantos objetos, equipamentos e sistemas se tonaram obsoletos com o passar dos anos. A quantidade é enorme, e o término funcional de tudo isso nunca poderia ter sido previsto, nas épocas em que eles estavam em voga.

Várias profissões também ficaram extintas. Uma das que mais me chamaram a atenção nos últimos anos foi a dos operadores (projecionistas) de cinema, que perderam a função quando os projetores de película foram substituídos pelos digitais.

A história da obsolescência é implacável, e não se sabe quando ela termina. Vejam que quando o cartunista Chester Gould lançou as tirinhas do policial Dick TracyVida e glória dos processadores de texto, ele inventou de colocar no pulso do herói um relógio com um transmissor e receptor de voz, algo impensável e fantasioso para o leitor dos quadrinhos. Se alguém dissesse a Gould que no futuro as pessoas podiam usar um telefone para falar e ver com quem estavam falando, ele provavelmente diria que o seu interlocutor era maluco!

Existe também uma teoria da conspiração, que fala da obsolescência programada: fabricantes vendem produtos que se desgastam com o tempo e param de funcionar, obrigando o usuário a comprar outro.

É difícil fazer uma lista do que ficou para trás

Volta e meia eu me deparo com a lembrança de algum saudosista gravando no YouTube um vídeo sobre um equipamento obsoleto, e aí eu me dou conta de que um dia no passado eu também tinha usado aquele equipamento.

Por exemplo: na área de vídeo eu usei no passado distante Laserdisc e VHS. O primeiro deles foi o que me permitiu montar o meu home theater com Dolby Digital, na época conhecido como AC-3 (Audio Coding, 3ª geração). Faz sentido voltar a assistir filmes em Laserdisc, quando ele foi sumariamente suplantado pelo DVD, na década de 1990?

Faz sentido usar um circuito Hafler para reproduzir o som surround, quando um decodificador moderno é duzentas vezes mais preciso e permite ajustes finos na sala onde os amplificadores e caixas estão instalados?

Alguns tipos de obsolescência

1 – Tubos de raios catódicos (CRT): foram até o advento da alta definição a 1080i, embora a resolução vertical ficasse um pouco abaixo. Foi com TVs  deste tipo de display que eu vi o padrão de TV digital ser desenvolvido no país, portanto foi útil enquanto durou. Idem para a conexão de vídeo componente, que ficou também restrita a 1080i, sendo substituída pelo cabo HDMI. Junto com o vídeo componente, ficaram obsoletos também as conexões por vídeo composto e S-video.

2 – Disquetes de 5 ¼” e 3 ½”: foram super úteis para os usuários, que precisavam de trabalhar com arquivos importantes e/ou fazer backup dos mesmos.

3 – Telefones com discagem rotatória e centrais telefônicas com telefonistas: linhas de telefone digitais mudaram tudo isso, e a profissão de telefonista, infelizmente ficou sem sentido, até desaparecer, creio eu, por completo.

4 –  Telefone público: outrora apelido pelos cariocas de “orelhão”, por causa do formato das cabines, foi aos poucos desaparecendo, dando lugar à telefonia móvel.

5 – PalmPilot/PalmOS: muita gente usou estes pequenos computadores de bolso para construir bancos de dados ou agendas diversas.

6 – Vídeo games em consoles, Atari e outros: muito populares entre os jogadores, mas foram substituídos por programas em CD-ROM e depois por sistemas online

7 – BBS (Bulletin Board System): na época dos modems analógicos ligava-se para um número, e depois de estalecida a conexão, aparecia uma tela navegável. Até bancos usaram este sistema, por incrível que pareça.

8 – Máquinas de Fax: substituídas com vantagens por e-mails, e recursos similares.

9 – Pagers: conhecidos aqui como “bips”, avisavam o usuário de que alguém queria falar com ele. Foi muito usado por médicos, para atender emergências.

10 – Discadores e modems analógicos: quem usou conhece o ruído do algoritmo de conexão. As ligações caíam constantemente, e a velocidade do tráfego de dados era super lenta.

11 – Internet com o uso de par trançado usado em telefonia: ADSL e VDSL foram o melhor recurso pata quem tinha uma linha telefônica e precisava se ligar na Internet. As velocidades chegavam a 50 Kbps, para os usuários domésticos, muito melhor do que os antigos modems analógicos que eram instalados no computador. O sistema podia alcançar velocidades mais altas, mas ficou obsoleto pelas conexões coaxiais e depois mais ainda com o uso da fibra ótica.

12 – Calculadoras de bolso: muito úteis em situações onde se precisava um cálculo rápido e preciso (eu as usei muito na bancada do laboratório), porém para cálculos mais complexos eram inconfiáveis, substituídas por computadores de 8 bits.

13 – Sistemas operacionais antigos: eles até rodavam bem em hardware compatível, mas não resistiram ao avanço da tecnologia. Gente no YouTube querendo experimentar usar um sistema novo em um computador velho estão perdendo o seu tempo!

14 – CPUs de 8 bits: já pela década de 1980, os computadores de 8 bits ainda eram úteis, mas estavam ultrapassados por plataformas de 16 bits, e estas por 32 e 64 bits algum tempo depois. O que impediu muita gente de mudar para plataformas com maior capacidade foi o alto custo das mesmas.

15 – Enciclopédias em livro: caras e com atualizações pendentes, essas enciclopédias eram vendidas às vezes até de porta em porta. Na década de 1990 foram rapidamente substituídas pelo mesmo formato em CD-ROM, com a vantagem de permitir fazer uma busca de assuntos com facilidade. Idem para os diversos tipos de banco da dados publicados em livros.

16 – Catálogos de telefone: foram úteis, mas perderam a razão de ser. Chegaram a ser distribuídos em CD-ROM.

17 – Números de telefone decorados na memória, anotados em caderninho ou em fichas: com os celulares em uso, os contatos armazenam tudo, e parece que ninguém mais decora o número dos amigos e conhecidos.

tomtom 60b waze google maps

18– Dispositivos de GPS: foram muito úteis durante um longo período de tempo, mas caíram rapidamente na obsolescência, por causa dos telefones celulares. Eu usei um GPS TomTom por anos a fio. O último deles, o modelo 60B, exigia levar o aparelho para casa, às vezes até para recarregar a bateria, e atualizar mapas e redares pela Internet. As assinaturas de radar começaram a ser cobradas por preços abusivos. O telefone celular e depois as centrais dos carros acabaram com tudo isso. Ironicamente, a TomTom passou a oferecer mapas e radares gratuitos, no aplicativo AmiGo, depois substituído por outro aplicativo da marca. Esses aplicativos são compatíveis com Android Auto, mas não trazem vantagens sobre outros aplicativos, como o Waze ou o Google Maps.

19 – Relógio despertador: com design atraente, os modernos despertadores de mesa ainda fazem sucesso. Eu tenho um desses, mas não uso. Para despertar, eu prefiro pedir ao Google, e acho que todo mundo hoje em dia faz isso também.

20 – Monitores VGA e SVGA: alguns deles. outrora caríssimos, saíram de cena, e foram substituídos pelas telas LCD modernas, com entrada HDMI ou DisplayPort, com vantagens de sincronismo e resolução.

21 – Máquina de escrever: durante décadas ela reinou suprema, mesmo depois que se tornou possível digitar e editar textos em um microcomputador. Cheguei a ver um modelo que tinha uma tela LCD, que permitia editar e corrigir erros de datilografia.

22 – Impressoras matriciais: foram as que permitiram a muita gente imprimir textos na chamada “qualidade de carta”, com baixo custo operacional. Dois dos livros que a Ciência Moderna publicou, escritos por mim e pelo meu irmão, foram feitos com páginas impressas em uma impressora Monica, de 80 colunas, da Elebra!

Resumo da ópera

Existem perdas que mudam os hábitos e a vida da gente, como, por exemplo, o fechamento das livrarias e lojas de disco. Algumas dessas fazem parte dos traumas da minha vida que eu não consegui superar, nem a mim nem a vários dos meus amigos. A loja da Gramofone, por exemplo, se tornou um “point”, com uma reunião semanal entre nós. Em São Paulo, capital, eu tive a chance de visitar e comprar discos na Brenno Rossi, que depois chegou a ter uma filial no Shopping Rio Sul.

Uma lista como esta de cima promete ser longa, mas eu vou parar por aqui. Existem promessas de obsolescência ainda não cumpridas, como, por exemplo, a eliminação do SIM card usado em celulares por um Sim card virtual eSIM, incluído em vários modelos de celular.

E vai por aí. Tempos mudam, os hábitos também. A tecnologia avança e ela é talvez a principal culpada da obsolescência citada acima. Se ela não é, pelo menos contribui e muito! [Webinsider]

. . .

Vida e glória dos processadores de texto

HDMI 2.1: o que há novo e o que não muda

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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Uma resposta

  1. Pois ééé Paulo
    Na área de áudio a lista é gigantesca…
    Começando com os Três em um, System, Mini-System, Walkman, Disc-Man, DAT, Md’s, Toca fitas de carro, e se formos enumerar os dispositivos portáteis digitais vai faltar espaço no comentário.
    A verdade é que a tecnologia é cíclica (com raríssimas exceções) que só colecionadores ainda lutam para seus dispositivos não sejam aposentados como disco de vinil, vídeo cassete e por aí vai. Só não entendo por que não sepultaram de vez os filmes em mídia que podem ser qualificados como “heróis da resistência”
    Mas enquanto os player’s ainda funcionarem vamos usando.
    Um abraço.

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