O principal atrativo do YouTube é a variedade do conteúdo, diferente das emissoras de TV. Chato são as bobagens que também se vê.
Assistir aos canais do YouTube acabou se tornando um hábito do qual não consigo me livrar. O lado chato deste hábito é que o Google empurra um bocado de anúncios na sua versão normal, mas existem fórmulas de impedir que isso aconteça. A começar pela instalação de um bloqueador de anúncios no navegador em uso.
Eu já usei vários desses bloqueadores,, inclusive com filtros específicos para o YouTube, mas eventualmente eles pararam de funcionar. O meu último bloqueador instalado com extensão no Firefox foi o AdGuard AdBlocker, que bloqueia anúncios de sites, inclusive os do YouTube.
Se alguém não quer ser perturbado ou interrompido no que está vendo e não se interessa em pagar mais um abusivo preço de assinatura, esta ainda é a solução ideal, pois afinal a grossa maioria dos vídeos já inclui anúncios como parte do conteúdo.
Ainda sobre bloqueio de anúncios, em ambiente Android uma boa solução é instalar o aplicativo SmartTube, que é gratuito, mas aceita doações, tal com os antigos shareware, se alguém ainda se lembra deles.
Abusos de linguagem
Nos canais do YouTube nem tudo é perfeito. Uma das coisas que me impressiona mal na maioria dos vídeos é aquele apelo insistente para quem assiste assinar o canal. Pedir para deixar um “like”, neologismo improvisado de “gostei do vídeo”, acaba se tornado uma interjeição insuportável, repetida sem parar, presente na totalidade dos vídeos;
Outra coisa agora irritante é narração adaptada dos vídeos lá de fora, com uma voz provavelmente simulada por inteligência artificial. E essas vozes costumam errar a pronúncia de palavras que não são nativas, denunciando assim que a voz do vídeo não é de um ser humano, porque, se for, ele ou ela não dominam línguas estrangeiras. Sotaques não brasileiros são comuns em várias falas.
Utilidade ou inutilidade
O principal atrativo do YouTube é a variedade do conteúdo, em claríssimo contraste com as emissoras de TV, mesmo as pagas, que estão sempre repetindo o mesmo conteúdo, principalmente seriados antigos, que já saíram de produção anos atrás. Enquanto as TVs do ar e pagas são repetitivas, no YouTube acha-se sempre algo novo.
Entretanto, um dos motivos pelos quais eu assisto o YouTube todo dia é a procura de informações que possam ser úteis a respeito de um determinado assunto. Infelizmente, uma quantidade enorme de vídeos, auto classificados como “análise” de um programa ou produto, são feitos por pessoas cujo claro objetivo é puro exibicionismo, acompanhados de informações que não esclarecem nada. Nesses vídeos é possível perceber de que quem apresenta não sabe do que está falando. Sendo assim, as informações sobre a pretendida “análise” se reduzem ao que alguém gosta ou não.
Informações alarmistas nos títulos dos vídeos chegam às raias do ridículo, coisas como “não compre antes de ver isso”, ou então “o produto tal vale a pena?”, como se a suposta análise venha a trazer algum tipo de advertência de que quem assiste precisa estar ciente antes de gastar o que tem para comprar.
Análises mal feitas podem inclusive ser oriundas de opiniões pessoais e não necessariamente o reflexo da qualidade ou não do que se está analisando. Se quem assiste está querendo de fato saber se vale a pena, tais análises podem ser enganosas.
Outra coisa que me chama a atenção é o canibalismo de informações.. Este tem sido um recurso antigo muito usado por jornais e emissoras de TV. Na era digital, a cópia de conteúdo é muito mais fácil. Quando o vídeo é honesto ele cita a fonte ou dá crédito a ela. Quando não, o conteúdo fica parecendo que foi gerado por quem apresenta.
Canais formadores de opinião copiam conteúdo, de modo a ilustrar pontos de vista. Tais cópias são, neste caso, necessárias para se enfatizar opiniões pessoais de algum assunto. Quem opina não precisa ser necessariamente um jornalista por formação. Aliás, a presença de outros profissionais acaba sendo necessária para uma análise menos superficial do que está sendo apresentado ou comentado.
No YouTube, esses canais de formação diferem radicalmente da mídia tradicional, e uma das principais razões é a ausência de uma política editorial que possa restringir, impedir ou redirecionar os pontos de vista de seus participantes. Emissoras de TV vivem de tempos para cá procurando opiniões na Internet e usando vídeos de quem quer que seja que havia gravado alguma coisa de interesse. Sinal dos tempos, é claro. Qualquer pessoa munida de celular vira repórter…
E é neste particular que a Internet difere de tudo o que é publicado em outros provedores de informação. Muita gente tem acesso online, e se quiser pode lançar mão de algum meio de comunicação para expor o que pensa ou o que sente a respeito de um determinado tema ou assunto. Os políticos de hoje já perceberam que esta é uma maneira de se contrapor à mídia tradicional que é inclinada para algum tipo de viés partidário.
Criação e herança
O YouTube foi criado por ex-funcionários do PayPal em 2005. Não me lembro de ter tido muito sucesso. Mas, logo depois, em 2006 ele foi comprado pelo Google. Em 2007, o Google criou um esquema de parceria e introduziu a monetização, debaixo de regras rígidas.
Basicamente, quem cria vídeos e tem ampla divulgação passa a receber por isso. Não é à toa ouvir esta insistência de pedir para deixar o “like”, e/ou pedir para quem vê se inscrever no canal.
Mas, tudo depende de cada um, e eu posso falar por mim mesmo. Eu tenho um pequeno canal, que criei para ilustrar os meus textos do Webinsider. O acesso a textos técnicos expostos em colunas caiu muito nos últimos anos. No caso, a visualização dos meus vídeos é muito restrita, e o número de inscritos pequeno. Como eu desde o início não me interessei por monetização, jamais pedi o “like” nem sugeri que alguém se inscrevesse.
Por outro lado, não tenho agora mais tempo nem paciência para ficar criando vídeos como outrora. Independente disso, o Google está sempre me avisando a inscrição de novos membros e a estatística de visualização, talvez como incentivo para que eu volte a produzir. [Webinsider]
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Paulo Roberto Elias
Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.









