Outro dia lotei o cabide do quarto com roupas sujas. Elas estavam lá, no limbo do processo de limpeza: nem para lavar ou usar. Eram daqueles problemas que ficam “pendurados” sem solução.
De maneira geral, se vacilarmos, somos mestres em empurrar a poeira para debaixo do tapete. Quando estamos na nossa vidinha digital, algumas coisas parecidas ocorrem.
Costumo observar, por exemplo, os usuários que deixam lotar a caixa de entrada do correio eletrônico. Tudo fica ali, nada é transferido para outra pasta. É uma forma de trabalhar, mas pode ter seus problemas. Cada mensagem exige uma ação: Responder? Repassar? Deletar? Guardar?Agendar?
Ao deixarmos a caixa cheia, adiamos as decisões a serem tomadas, que estão embutidas a cada e–mail. Existem até usuários que lêem e respondem tudo, mas preferem deixar as mensagens ali para não esquecerem daquele compromisso, como enviar determinado documento dali a dois dias.
O ideal, entretanto, é transformar as missivas – que exigem determinada ação – em tarefa – de preferência na agenda eletrônica. Uso a do Palm, outros preferem a do Outlook e uma amiga adorou a do Yahoo! na web (serviço gratuito, que exige inscrição).
Considero mais eficaz trabalhar sempre na agenda e resolver ali as pendências geradas.
A caixa eletrônica inicial deve ficar limpa para as novidades e permitir a resposta imediata para as demandas. O cabide de roupa e a pasta de entrada do correio não podem ficar entulhados, pois na hora em que precisarmos de uma camisa, ela estará suja e amarrotada.
Outro assunto
No último artigo, escrevi sobre a inclusão digital. Defendi a disseminação de telefones públicos virtuais para facilitar o acesso da população à internet (veja ao lado). Muitos leitores perguntaram sobre o novo acesso pela rede elétrica: “Não seria este o caminho para a conexão dos usuários mais pobres?”.
Lembro, então, que essa alternativa vai exigir também gastos com modem especial e pagamentos mensais para um provedor. Será mais uma opção de acesso pela banda larga, sem dúvida, mais próxima de todas as casas, pois a tomada elétrica é mais comum do que a de telefone.
A questão, entretanto, de todos nós não é só a conexão, mas a compra e a manutenção do computador. Acompanho o drama de diversos leitores que optaram por equipamentos mais baratos.
Diferente de outros eletrodomésticos, ele passa a ser um instrumento de trabalho e gera certa dependência. E ainda: enguiça com muita freqüência. O disco rígido, o modem, o monitor queimam sem pedir licença e têm que ser trocados. Ou o Windows apronta e não entra e exige a visita de um técnico, a R$ 50,00 a hora.
Assim, considero ideal que possamos ter bem perto de casa um equipamento público, a ser utilizado a qualquer hora por um preço acessível, até como alternativa para os dias em que o micro não funciona. De certa forma, é o mesmo processo que ocorreu na difusão do telefone, quando era muito caro e apelávamos (como ainda se faz) para o orelhão.
Fim: estou impressionado com o aumento de ligações de amigos pedindo dicas sobre o melhor provedor de banda larga. Será um novo boom? [Webinsider]









