Em um projeto para o desenvolvimento de um sistema costumam ser previstas várias fases.
Uma fase de levantamento detalhado das necessidades a serem supridas, outra para o desenvolvimento dos processos administrativos, comerciais ou de infraestrutura, que contemplem as necessidades levantadas. Também uma fase de implantação dos processos desenvolvidos e ainda outras que não irei relacionar.
São criados, também, mecanismos de controle de qualidade para os processos e para os recursos e materiais. São marcados pontos de controle para gerenciar o tempo de execução das fases e no final ainda existe um período de assimilação e treinamento.
Com tudo isso, a possibilidade de um projeto enfrentar grandes problemas, ou até mesmo fracassar, é muito pequena, certo?
Errado!
Mesmo com toda essa pretensa organização, os modelos criados não prevêem um problema que sempre surge em cada projeto e que têm se mostrado um obstáculo quase intransponível para os seus gestores: a relação entre as equipes envolvidas ou até mesmo entre os membros de uma mesma equipe durante o período do projeto.
E por que surgem tantos problemas de relacionamento entre os participantes? O diagnóstico é simples: a fragilidade da personalidade dos profissionais que estão se formando hoje em dia.
Em um ambiente sob controle, o profissional age na mais absoluta correção. Porém, muitas vezes, basta um pequeno incidente para que apareçam a vaidade, o orgulho, o medo ou a insegurança.
O administrador ou gestor do projeto precisa estar muito atento. O perfil do cargo hoje exige um preparo para lidar, além de possíveis falhas de projeto, com situações geradas por conflitos humanos.
Quando não entender, pergunte! Recentemente, ao visitar uma empresa para realizar os levantamentos iniciais necessários à criação de um sistema, o gerente comercial deixou escapar esta pérola: “O nosso TI é muito bom!”
Uma afirmação preocupante. Com a experiência de já uns bons anos, tentei “caçar” o sentido daquela frase mal formulada, já com a impressão de estar pisando num campo minado. E estava mesmo, pois ele se referia à TI como técnico de informática. Mais uma empresa onde os profissionais estão mais preocupados em demonstrar conhecimentos que não possuem do que realmente adquirir novos.
Acredito que muitos já passaram por isso. Em uma conversa, debate, seminário ou o que quer que seja, você ouve alguém usar expressões sem realmente ter certeza do que significam. Na maioria das vezes esta pessoa leu em algum livro ou revista e não entendeu o significado; ouviu dizer, achou bonito e guardou para usar depois.
Muitos profissionais, consideram uma fraqueza perguntar algo. Pode parecer incrível, mas alguns consideram dizer “não sei” um grande erro estratégico.
Profissionais de guetos diferentes. Um dos principais problemas em grandes projetos é a comunicação entre profissionais de diferentes áreas. Isso porque em cada setor existem jargões específicos que definem conceitos utilizados especificamente naquela área. É preciso muito cuidado e eliminar ruídos na comunicação entre as equipes envolvidas causados pelo uso desse jargões.
O principal objetivo do gerente é exatamente agregar os conhecimentos e valores individuais de cada profissional, para que o projeto possa transcorrer sem falhas, geradas pela má comunicação entre as equipes. Problemas banais de entendimento na maioria das vezes produzem circunstâncias e situações críticas para o sucesso do projeto.
O administrador deve ter sempre a preocupação de equilibrar os conhecimentos e informações fornecidos por cada profissional que participa do projeto. Sem, no entanto, estimular um ambiente de competição, sempre evitando comparar ou classificar o conhecimento de cada um.
Vamos voltar ao exemplo anterior, onde um profissional cita um conceito de maneira equivocada. Trata–se de uma situação simples que pode evoluir para uma situação crítica. Futuramente a pessoa pode descobrir o real sentido da expressão e lembrar–se que já utilizou essa expressão em outras circunstâncias. Daí pensa: “Será que aqueles que ouviram e não comentaram nada também não sabem ou ficaram rindo pelas costas?”.
Como administrador, ao captar uma informação totalmente errada, você pode chamar a atenção da pessoa ou ficar calado, respeitando a sua ignorância. O melhor é esclarecer, mas com muito tato, para não perder um colaborador logo no começo do projeto.
Nos próximos artigos, vamos voltar ao assunto e falar um pouco mais sobre o segredo de assumir a postura correta, seja como administrador ou profissional em uma empresa. [Webinsider]
…………………………………………………………………………………
Cursos Webinsider: José Renato, autor deste artigo, estará ministrando o workshop Web e TI para profissionais de humanas no dia 28 de junho, no Rio, aprofundando os assuntos que aborda em seus textos. Reserve já sua vaga neste que é um dos 12 workshops de imersão promovidos pelo Webinsider em junho e julho.









