A palestra de abertura do Congresso Latino–Americano de Interação Humano–Computador, o CLICH 2003, que acontece no IME, Rio de Janeiro, foi uma grata surpresa.
Proferida por John M. Carroll, professor de Ciência da Computação, Educação e Psicologia da Pennsilvania State University e Diretor do Centro de IHC da Virginia Tech, a apresentação deixou claro logo de princípio que construir ambientes de colaboração e acesso à informação pela internet vai muito além da ciência da Usabilidade, um dos principais focos de estudo da disciplina IHC.
Carroll apresentou o resultado de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, na qual disseca o comportamento das pessoas em torno do uso da internet como uma ferramenta na participação de comunidades. Sem a preocupação direta sobre como são utilizadas as interfaces, Carroll procurou levantar dados comportamentais sobre as pessoas e a sua relação com outros indivíduos no meio online.
Com dados demográficos e psicográficos, a pesquisa aponta para várias questões interessantes. As comunidades encontradas no estudo têm na maioria das vezes uma motivação local, por exemplo. Isto significa que, apesar do potencial da internet em conectar pessoas em lugares distantes, na prática as comunidades mais ativas podem ser aquelas de interesse local, que giram normalmente em torno de pessoas fisicamente próximas umas das outras.
Vários perfis foram analisados na pesquisa e a diversidade de comportamentos nos mostra os dois lados da moeda: por um lado, a internet com seu grande potencial de segmentação, e por outro, a complexidade de características pessoais que agora podem ser tratadas de forma precisa por esta segmentação.
Podemos concluir a partir daí o quanto é importante o componente de análise estratégica e de planejamento para os diferentes e complexos cenários que se apresentam em termos de público.
Indo para uma visão mais macro da questão, ficou evidente que os projetos que envolvem a internet como canal de comunicação devem ser tratados como tal. Pesquisa de comportamento de público e o real entendimento das necessidades das pessoas deveriam ser mais utilizados como fonte de informação no desenvolvimento destes projetos.
Humano–Humano. A visão da usabilidade ainda está muito ligada ao desenvolvimento de software, e vou repetir aqui, projetos web não são apenas software, são também “meios de comunicação e negócio”. A construção destes meios está diretamente relacionada a um componente fundamental: pessoas. Propositalmente, sempre chamo pessoas de “pessoas”, não de “usuários”.
Ao final, coloquei uma pergunta ao apresentador: – “Mr Carroll, o senhor trouxe uma abordagem que vai além da usabilidade. O senhor acha que nossos esforços deveriam focar mais no estudo da interação Humano–Humano?”
A resposta foi política, mas direta: – “Eu não quero dizer que usabilidade e IHC são menos ou mais importantes. Mas, definitivamente, estudar o comportamento e atitudes das relações entre as pessoas através da internet também faz parte do importante processo de construir melhores comunidades e canais de relacionamento.” [Webinsider]









