Os profissionais de desenvolvimento wireless & mobile nunca se sentiram tão próximos de verem o tão esperado boom do mercado de soluções móveis se tornar realidade, após vários anos de trabalho intenso para proporcionar a clientes e parceiros aplicações que efetivamente mostrem um real benefício em acessar informações de seus telefones celulares e PDAs (computadores de mão).
Onde estava o problema? Além da recessão que o país atravessou nos últimos dois anos (e que só agora dá sinais de recuperação), observa–se que o grande fator inibidor de novos projetos e idéias são os próprios grandes players desse mercado, causadores das maiores frustrações para projetos envolvendo wireless nos últimos cinco anos.
Isso é comprovado por inúmeros projetos perdidos devido à falta de planejamento e erros de estratégia de alguns parceiros que eram fundamentais para que os negócios se concretizarem. Sendo um pouco mais objetivo: a partir do momento em que as operadoras e os grandes fabricantes de equipamentos passarem a entender a realidade financeira em que seus clientes vivem, principalmente os corporativos, as coisas ficarão mais fáceis para os gerentes de projetos e principalmente para as empresas de soluções.
PDAs a preços elevados e redes de dados wireless comercializadas a valores impraticáveis acabavam deixando muitos clientes totalmente avessos a projetos sem fio.
A experiência japonesa. A análise de experiências muito interessantes, como as do mercado japonês, aponta claramente o “porquê” do imenso sucesso da internet móvel no Oriente. E conseqüentemente consegue–se entender muito melhor as razões das perdas de oportunidades e do atraso para que esse mercado desponte definitivamente aqui no Brasil.
Primeiramente, não podemos deixar de lembrar que o Japão é um país altamente desenvolvido e industrializado. A desigualdade social é uma das menores do mundo. Assim, a grande maioria da população possui condições para comprar “tecnologia”.
Depois disso, há que se analisar também a enorme concorrência que existe no mercado de fabricantes de componentes, o que torna toda tecnologia oferecida à população muito mais barata. Depois que os japoneses passaram a usar a mão de obra ultra–barata dos Tigres, a coisa ficou ainda mais agressiva quando o assunto é custo de produção.
Por fim, existe o fato da DoCoMo, maior operadora do mundo, ter surgido com o apoio do governo japonês, e ter sido monopolista por um bom tempo dentro do mercado interno japonês de celulares. No início, a DoComo conseguiu avançar muito bem e fazer com que a cultura do uso do aparelho celular para trafegar dados fosse disseminada entre os usuários, mas o grande benefício conseguido por eles para que a febre do i–mode desse resultado foi o enorme incentivo que as pequenas empresas de soluções tiveram: hoje, cerca de 93% da receita de um site ou aplicação que funciona dentro da plataforma da DoCoMo fica com a empresa criadora, enquanto somente 7% fica com a DoCoMo, que ganha muito mais com o uso da rede.
Como conseqüência imediata, vemos mais de 5 mil sites para celulares oficiais dentro da operadora, e mais 20 mil não oficiais.
E o Brasil?. Hoje, no Brasil, as operadoras trabalham principalmente no modelo de revenue–sharing (divisão de receitas), em condições bastante agressivas, onde boa parte da receita não fica com a empresa de soluções, que assume assim todo o risco de desenvolvimento, acreditando em uma receita muitas vezes incerta.
Se o produto não vendeu, a operadora não perde praticamente nada, enquanto a pequena empresa está condenada à falência.
Só que a concorrência – grande motor do mercado – está recebendo reforços significativos: a entrada da Itautec e da Dell no mercado de PDAs com preços extremamente competitivos para a plataforma Pocket PC e ainda os lançamentos da Palm, que agora fabrica alguns dos seus componentes aqui no Brasil.
Do ponto de vista da telefonia, existe ainda a definição de que teremos, no país, três ou, no máximo, quatro grandes grupos de operadoras de celulares, o que sinaliza que o mercado de transmissão de dados via rede das operadoras deve ter uma boa redução de preços devido à grande concorrência.
Assim, o único ingrediente que falta é a mudança nos modelos de parceria das operadoras, de forma que elas também passassem a assumir o risco do desenvolvimento das aplicações junto com os pequenos parceiros de soluções, investindo mais dinheiro no desenvolvimento de novas empresas parceiras.
E, de fato, algumas já dão sinais de que caminharão neste sentido.
Os primeiros passos já estão sendo dados – puxados, como sempre, por uma demanda cada vez mais consciente das vantagens que uma vida sem fio pode trazer para o mundo corporativo. [Webinsider]
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