As Mil e Uma Noites: inspiração para o designer

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Marcos Nähr

Estima–se que no século IX d.C. começaram a ser escritos os contos árabes “Les Mille et Une Noits”, reunidos e traduzidos para a cultura ocidental por Antoine Galland no século XVII. Essa obra compõe–se de 12 volumes e apresenta um encadeamento contínuo de histórias, isto é, uma história contém outra história, que por sua vez contém outra e assim por diante.

Pode–se dizer que foi uma das primeiras obras a utilizar, de forma consistente, links em um documento, ou seja, o primeiro hipertexto.

Outro aspecto interessante na obra “As Mil e Uma Noites” é o fato de seus personagens serem sempre planos, ou seja, perfeitamente substituíveis pela ação que representam. Seus atos seguem uma causalidade circular e previsível: matam porque são cruéis, são cruéis porque matam, são boas e sábias porque ajudam seus semelhantes, ajudam porque são boas e sábias.

A narrativa de “As Mil e Uma Noites” é impessoal e, portanto, típica de uma narrativa pura e as personagens são apresentadas apenas como modelos de estados mentais, completamente transparentes e vazias, prontas para servirem de veículo de uma idéia.

A eficácia psíquica desta estrutura narrativa é algo que podemos usar no design de um bom website, valorizando sua navegabilidade e usabilidade. Este é um modelo que podemos seguir ao criar uma estrutura, um design com características de hipertexto.

A medida em que o usuário vai entrando na malha do website todos os demais conteúdos à sua volta serão tomados, por efeito de comparação, como produtos inquestionáveis da realidade. Ícones, menus, estruturas de textos e navegação, tudo deve ser assimilado pelo usuário, criando um modelo mental que seja reconhecido por ele e aceito como verdadeiro, algo com o qual ele não precise lutar, mas com o qual possa interagir.

As narrativas fantásticas visam causar o terror, o susto ou o suspense ao leitor. Já as narrativas maravilhosas, como em “As Mil e Uma Noites”, apresentam personagens e incidentes sobrenaturais, não com o fim de deixar o leitor em guarda, como, por exemplo, no romance policial ou de terror, mas sim de conduzi–lo serenamente através do insólito para que faça a travessia da trama em um estado de espírito entre acreditando e desacreditando. Plantar a semente da dúvida ou da suspeita naquele que lê é condição necessária da literatura fantástica, é o que faz com que o leitor vá adiante.

O design, do mesmo modo, deve seguir uma estrutura semelhante aquela usada nas
narrativas maravilhosas, conduzindo o usuário serenamente através do novo e diferente mundo que a ele é apresentado. Deixá–lo curioso, ávido por mais informação, ávido por seguir adiante. [Webinsider]

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