Casio, marca japonesa de calculadoras e relógios digitais

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on pocket
A casio é uma marcas de fabricantes que acompanham as pessoas durante décadas

A Casio veio de uma família japonesa pós segunda guerra mundial e tornou-se um das maiores fabricantes de relógios e calculadoras.

Existem marcas de fabricantes que acompanham as pessoas durante décadas. Para mim, a Casio foi uma dessas. E dois da sua linha de produtos fizeram isso: as calculadoras científicas e os relógios digitais de pulso.

A Casio foi uma dessas empresas que surgiram de uma família japonesa, após a segunda guerra mundial. Depois que a guerra acabou, houve uma necessidade de se modernizar o Japão, saindo da atmosfera medieval do antigo império para tornar o país em um grande polo de tecnologia. Muitos de seus desenvolvedores já tinham este tipo de talento e vocação, e como outros países daquele hemisfério, eles mandaram muitos desses talentos absorverem novas tecnologias, onde quer que elas estivessem disponíveis.

Esse fato suscitou uma anedota no filme inglês Esses Homens Maravilhosos Com Suas Máquinas Voadoras: depois de aberta a competição, os japoneses ainda não tinham um avião pronto. Aí o mais experiente pegou uma parte de cada avião dos outros países e as juntou para construir o deles!

E notem que sempre foi assim e continua até hoje, onde bolsistas vão às universidades do exterior buscar conhecimento e formação. No caso específico da Casio, ela já começou com um interesse de partir para desenvolver novos produtos e/ou acompanhar o que estava sendo feito lá fora.

A Casio foi fundada pelo engenheiro Tadao Kashio em 1946. O nome “Casio” é uma adaptação do nome original da empresa para ser usado no mercado internacional. Tadao reuniu a família, irmãos e pai, que o acompanharam no desenvolvimento e comercialização de produtos, inicialmente no mercado japonês e depois nos outros países. Aqui no Brasil, a Casio passou a ter presença apenas em 2009, antes os seus produtos eram importados. A Casio Brasil Comércio de Produtos Eletrônicos Ltdaestá sediada em São Paulo.

O uso de calculadoras convencionais e científicas

A primeira vez que eu vi uma calculadora eletrônica foi na antiga loja da Mesbla, ainda adolescente. Tendo horror das aulas de matemática, aquele aparelho que eu nunca havia visto era uma mão na roda. Tratava-se da calculadora da Texas Instruments, modelo Datamath II, originalmente lançada em 1974:

image002 1

O visor desta calculadora usava LEDs vermelhos no pequeno display, e só aquilo gastava as pilhas o tempo todo. Com o tempo esses displays de LED, que chegaram a ser usados em mostradores de relógios, foram abandonados.

A Casio seguiu inicialmente esta tendência com displays de LEDs, lançando a calculadora Casio Mini, em 1972:

image004

A ideia de usar uma calculadora de bolso, transportando-a para qualquer lugar, atraiu muita gente. O meu primeiro uso deste tipo de recurso foi dentro do laboratório, onde se faz cálculos de tudo quanto é tipo o tempo todo!

O atrativo, para quem trabalhava em pesquisa, foi ainda maior com o aparecimento das calculadoras científicas de bolso. Na década de 1990, eu tinha duas delas: uma, que eu usava em casa, e a outra, no laboratório, que vinha com uma caixa protetora, a ser aberta na bancada. Ambas calculadoras foram fabricadas pela Casio.

Embora de aplicação científica, para mim as calculadoras que eu usei nunca foram usadas para métodos estatísticos, os quais normalmente exigem atenção na entrada de dados. Se o usuário errar uma deles ele ou ela não vão saber se o resultado está correto ou não. Por isso, para tratamentos estatísticos, eu sempre usei programas de computador, cujos dados podem ser examinados a qualquer momento, com uma total confiabilidade nos resultados obtidos.

A Casio sempre primou por oferecer calculadoras de tudo quanto é tipo por preços abordáveis de venda, podendo assim serem usadas por todo mundo, desde estudantes até profissionais. Sofreu, evidentemente, forte concorrência de outros fabricantes.

O desenvolvimento dos relógios de pulso pela Casio

Hoje em dia, qualquer um pega o celular e vê as horas, muito fácil não é mesmo? Porém, eu tenho certeza de que o relógio de pulso nunca perderá o seu valor, desde modelos sofisticados e caros, até os modelos populares de alto desempenho.

Como todo mundo da minha geração, eu usei relógios de pulso movidos a corda. E esses relógios eram, por incrível que pareça, um símbolo de status, e todos os garotos e as moças queriam usar um.

O chato do relógio a corda era que se o usuário esquecia de dar corda ele parava e tinha que ser acertado de novo. Além disso, a construção mecânica dos modelos populares não era lá dessas coisas. Depois vieram os relógios automáticos, que tinham uma espécie de pêndulo (rotor), cujo deslocamento dava corda no relógio, com a ajuda de engrenagens sofisticadas. O inconveniente era deixar o relógio parado muito tempo.

image006

Orient e Seiko brigaram por este mercado, e eu usei um modelo do primeiro por muitos anos. Volta e meia eu tinha que levar no relojoeiro para ajustar a marcação das horas, muito deficiente neste tipo de relógio.

Os modelos sofisticados e com maior precisão na marcação das horas sempre foram caríssimos. Quando menino, eu cheguei a ver um Patek Philippe nas mãos de um relojoeiro, mas não me impressionei, achei inclusive feio. Depois, for a vez dos Rolex Oyster, este sim eu fiquei fascinado, parecia um tanque, mas desde aquela época até hoje, são poucos aqueles que podem comprar um relógio desses.

Mas faz sentido? Só se for para ostentar status financeiros, ou para ostentar o lado narcisista das pessoas, porque depois do emprego de cristais de quartzo e principalmente de componentes eletrônicos modernos, um relógio popular ao alcance de qualquer um passou a ter uma precisão nunca antes sonhada.

A Casio foi uma dessas pioneiras no avanço da tecnologia dos relógios com cristal de quartzo. Este cristal, quando excitado eletricamente, é capaz de vibrar continuamente e sem oscilação na frequência, daí a ser usado extensamente em circuitos eletrônicos.

Um cristal típico usado em relógios vibra a 32768 Hz (vezes por segundo), o que permite se obter uma precisão muitíssimo superior e constante do que a dos relógios mecânicos. A energia necessária para fazer o cristal de quartzo vibrar pode ser dada por uma simples bateria. Em alguns modelos, esta alimentação é ajudada com a iluminação solar.

A precisão de contagem de tempo obtida por um cristal de quartzo dos modelos populares chega a ± 15 segundos por mês, e nos modelos com cristais mais precisos o relógio atinge a precisão de ± 5 segundos por ano.

A necessidade de usar o cristal de quartzo em um relógio alimentado a bateria implicou no desenvolvimento de circuitos integrados de larga escala (LSI), uma proeza da microeletrônica, montada no modelo Casio QW02, de 1974, já com calendário automático embarcado:

image007

O LSI diminui o número de componentes, diminui o consumo de energia, permite a construção da caixa em tamanho menor, e ainda garante a confiabilidade e a duração do seu funcionamento.

Uma outra inovação da Casio foi o relógio chamado de G-Shock, inventado por Kikuo Ibe, e lançado em 1983. Diz a lenda que Kikuo ainda menino ganhou do pai um relógio, deixou cair no chão e o viu quebrar, ficando inutilizável. E ele, quando então já trabalhando na Casio, resolveu criar um relógio que poderia se espatifar no chão e continuar funcionando.

Ainda segundo a lenda, foram incontáveis as tentativas de construir um relógio deste tipo, parece que cerca de mais de 200 protótipos não deram certo. O G-Shock com sucesso de projeto está no modelo DW-500C. Mas as vendas no Japão foram pífias.

Levado ao mercado norte americano, o G-Shock passou a ser comprado por gente que precisava de um relógio robusto para trabalhar, e foi um sucesso de vendas, que depois passou ironicamente a ser aceito no Japão. E daí por diante tornou-se objeto de culto por usuários. A obsessão por durabilidade tem até hoje aplicações nas condições de uso, como relógios para pesca submarina, corridas e até lutas e combates, no caso dos militares e forças policiais.

As preferências por modelos de cada um

A Casio lançou em 1989, segundo registros, o modelo F-91W, que se tornou um dos modelos de relógio mais vendidos no mundo todo até hoje, não só por causa do seu baixo preço, como também pelo design simplista e funcional. Aparentemente, ninguém consegue explicar porque este relógio ainda é tão procurado.

No que me concerne, eu usei durante anos um modelo com pulseira de aço, modelo AE-1200H, com calendário e vários outros recursos, incluindo um cronômetro que foi usado nos testes de laboratório.

Bem recentemente, este relógio amanheceu com o display manchado. Levando no relojoeiro, ele me explica que seria preciso trocar todo o display, quer dizer, a maior parte dos componentes, e disse que ele mesmo não faria isso, somente na autorizada da Casio. Ao mesmo tempo, desaconselhou o conserto por ser um relógio da década de 1990 e também porque o preço da troca do display seria muito alto.

Eu então deixei o AE-1200H de lado, e depois de uma pesquisa dos novos modelos descobri um de 2026, que fazia todas as mesmas funções: o modelo W-221H, montado com resina preta, e com um display para lá de generoso. Acabei optando por ele.

image009

Ambos os relógios prometem a duração de 10 anos da bateria. Isso em teoria, mas eu troquei a bateria do AE-1200H há cerca de 25-30 anos atrás, se os meus cálculos estiverem corretos! Já o novo W-221H usa uma bateria CR2032, aquela mesma montada em placa-mãe de computadores, para manutenção do CMOS. Resta saber se eu ainda vou estar vivo e com o mesmo relógio para ter que trocar esta bateria…

A falta de hábito de usar um relógio de resina é incômoda para quem usou uma pulseira de metal durante tantos anos. É possível trocar a pulseira de resina por uma de metal, mas eu estou relutante em fazer isso, porque a de resina é ultra leve e combina com a caixa do modelo.

Um recurso muito útil destes relógios é a marcação do horário em cidades fora do país, que eu já usei em viagem, e sem precisar “adivinhar” a diferença de fuso horário. Basta recorrer a uma tabela de acrônimos de três letras com a lista dessas cidades. O ajuste LAX, por exemplo, significa Los Angeles, com referência ao aeroporto da cidade. RIO, adivinhem… e assim por diante.

A gente hoje tem horário em tudo quanto é dispositivo, e por isso o uso de um relógio de pulso bem que poderia ser dispensável ou inútil. Mas, parece que não é isso que acontece com as pessoas que os usam, e se assim o é, porque não usar um? O progresso nos trouxe relógios com precisão elevada, Smart Watches que controlam a saúde, se conectam ao telefone celular, etc. Usar um relógio não faz mal, veste bem e agrada a quem usa. [Webinsider]

. . .

O que é Posicionamento de Mercado?

História das marcas: como surgiu a Coca-Cola

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on pocket

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *