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A conta da IA: o gasto das empresas brasileiras que tende a crescer não é o da infraestrutura que a empresa deixou de comprar, mas o do consumo que ela não consegue administrar.

A conta da IA: quem paga a conta alta da IA são as big techs, aos brasileiros cabe transformar a tecnologia construída por terceiros em resultado para o próprio negócio.

 

A corrida pela inteligência artificial está sendo financiada por um grupo pequeno de empresas com capacidade para assumir riscos igualmente gigantes. Um levantamento da Nikkei Asia aponta que Amazon, Alphabet, Microsoft, Meta e Oracle já acumulam US$ 1,65 trilhão em compromissos financeiros ligados à expansão da IA.

São contratos de data centers, chips, servidores e energia que sustentam a infraestrutura necessária para a nova geração de modelos de IA. O volume impressiona, mas a principal mensagem para as empresas brasileiras não é o tamanho da conta, e sim quem precisa pagá-la.

Existe uma discussão sobre chamar esses compromissos de dívida ou não. Ela é relevante para investidores, mas muda pouco para quem está do outro lado da mesa. O que esse número realmente revela é o apetite das big techs. Ninguém assume compromissos dessa magnitude sem acreditar que a oportunidade será ainda maior.

A infraestrutura da IA está sendo construída em uma velocidade inédita e dificilmente será replicada por empresas brasileiras. Mas talvez essa seja justamente a maior vantagem. Durante muito tempo, inovar significava investir em muito, mas com a inteligência artificial essa lógica mudou.

A pergunta deixa de ser quanto custa construir um grande modelo e passa a ser como transformar essa tecnologia construída por terceiros em resultado para o próprio negócio. O investimento pesado já está sendo feito, agora o desafio é capturar valor sobre essa base.

Na prática, isso acontece em três frentes. A primeira é criar novas receitas dentro de negócios que já existem. Produtos e serviços que antes eram economicamente inviáveis passam a fazer sentido porque a capacidade computacional já está disponível. É menos uma questão de inventar algo completamente novo e mais de revisitar projetos que ficaram na gaveta porque a conta não fechava.

A segunda oportunidade é um mercado que nasce da própria adoção da inteligência artificial. Existe uma distância enorme entre o que os grandes modelos conseguem fazer e o que a maioria das empresas brasileiras efetivamente consegue colocar em produção. Reduzir essa distância, por meio de implementação, integração, governança ou desenvolvimento de aplicações específicas, já se tornou um negócio em si. A infraestrutura é das big techs, mas a geração de valor acontece na última etapa, quando a tecnologia resolve um problema real.

A terceira frente costuma ser a menos chamativa, mas frequentemente é a que gera retorno mais rápido, a produtividade. A inteligência artificial reduz o tempo entre uma ideia e um produto funcionando, acelera o desenvolvimento de software, automatiza tarefas repetitivas, melhora análises, apoia o atendimento ao cliente e libera equipes para atividades de maior valor agregado. Em muitos casos, o maior ganho não está em criar um novo negócio, mas em fazer melhor aquele que a empresa já possui.

Vale ressaltar que isso não significa que a infraestrutura deixou de importar. Significa apenas que, para a maioria das empresas brasileiras, ela deixou de ser o investimento prioritário. O risco passa a ser outro.

O primeiro é criar dependência de um único provedor de IA, quando o ideal é construir arquiteturas flexíveis, capazes de trocar modelos conforme a necessidade do negócio.

O segundo é perder o controle sobre os custos de uso. O preço por token caiu nos últimos anos, mas aplicações mais sofisticadas, como agentes de IA que planejam tarefas, consultam documentos e executam múltiplas etapas antes de entregar uma resposta, consomem muito mais recursos do que uma interação simples.

O gasto que tende a crescer não é o da infraestrutura que a empresa deixou de comprar, mas o do consumo que ela não consegue administrar.

Os US$ 1,65 trilhão comprometidos pelas big techs mostram quem está financiando a próxima infraestrutura digital do mundo. Para as empresas brasileiras, a oportunidade não está em disputar essa corrida, mas em utilizá-la de forma inteligente.

A vantagem competitiva não será construída por quem investir mais em data centers, e sim por quem transformar essa capacidade disponível em novos produtos, novos negócios e mais eficiência. [Webinsider]

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O mantra “Use IA em tudo” é um hype

Avatar de Anderson Arcenio

Anderson Arcenio é CEO da Next Squad (https://nextsquad.com.br/), especializada na construção e evolução de soluções digitais para startups e empresas em diferentes estágios de crescimento.

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