Alta Sociedade, finalmente em Blu-Ray 4K, com Dolby Atmos

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Alta Sociedade, comédia musical lançada em 1956, com imagem VistaVision, teve o seu negativo e áudio restaurados

Alta Sociedade, comédia musical lançada em 1956, com imagem VistaVision, teve o seu negativo e áudio restaurados em um excelente trabalho, com digitalização de 16.5K de resolução e trilha sonora com Dolby Atmos, imprescindível para colecionadores e fãs de cinema.

 

Em 1940, a MGM lançou a comédia The Philadelphia Story (no Brasil, Núpcias de Escândalo), com elenco de primeira. Mas, em 1956, o estúdio resolveu relançar a estória, com a colaboração do genial compositor Cole Porter: High Society (Alta Sociedade) reúne nomes importantes do meio musical, como Bing Crosby e Frank Sinatra, ao lado de atores consagrados do elenco do estúdio, Junto com eles notabiliza-se a então jovem expressiva e sedutora Grace Kelly, em seu último papel em Hollywood, antes de se casar com o Principe Rainier, de Mônaco, uma espécie de conto de fada, que aparentemente acabou não dando muito certo. O filme tem também uma importante participação de Louis Armstrong e dos seus All Stars da época.

Um dos trailers promocionais de cinema pode ser visto abaixo:

Alta Sociedade recebeu no home vídeo uma versão em Laserdisc, e anos depois em DVD da Warner Brothers, dona do acervo da MGM. Isto já faz tempo. Eu vinha guardando esta versão em DVD há anos, e aguardando uma versão em Blu-Ray, que nunca aconteceu. Eu estive postando mensagens, junto com outros membros do site Blu-Ray.com, para tentar sensibilizar a Warner de lançar a versão em Blu-Ray. Alguns selos independentes o fizeram, mas não da forma como gostaríamos, tecnicamente falando.

Qual não foi a minha surpresa quando foi divulgado o press-release do relançamento do filme em Blu-Ray 4k direto. Não somente isso, mas com inovações que fazem justiça à qualidade técnica do filme.

Alta Sociedade começou a ser rodado em CinemaScope, mas logo a seguir, a produção do filme mudou para o processo VistaVision, originário da Paramount. Algumas cenas, que foram rodadas em CinemaScope, foram mantidas no filme, devidamente ajustadas. É fácil ver essas tomadas, em função da granulação excessiva do negativo, inexistente no filme em VistaVision.

O VistaVison é um processo fotográfico horizontal de altíssima resolução, conseguida com o aumento da área exposta e lentes de alta qualidade. Na figura abaixo, tirada de um filme promocional da Paramount, pode-se ver o aspecto do negativo VistaVision, com 8 perfurações de largura, rodado horizontalmente na câmera?

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A relação de aspecto original do negativo é documentada como 1.5:1, mas pode ser enquadrada como 1.66:1 ou 1.85:1, como foi feito com Alta Sociedade.

Embora várias trilhas sonoras tenham sido gravadas em mais de um canal, as apresentações em VistaVision foram relatadas como som mono apenas, aparentemente por culpa da cópia de distribuição. A Paramount distribuiu cópias convertidas para 35 mm, também com som mono, que foi, diga-se de passagem, a forma como eu assisti estes tipos de filme.

Por causa desta limitação, a MGM recorreu ao processo de som Perspecta, com uma única banda ótica, simulando o som estereofônico. Os cinemas Metro aqui do Rio tinham este formato de som, mas eu nunca ouvi nenhum filme apresentado com ele.

A nova edição em 4K

Os laboratórios da Warner Brothers fizeram mais do que o serviço completo: o negativo foi agora submetido à varredura (“scanning”) com digitalização de 13.5K de resolução. Além disso, o negativo foi submetido a uma limpeza, para que a versão em vídeo ficasse a melhor possível. A versão em vídeo recebeu um tratamento com Dolby Vision HDR, fazendo justiça à qualidade do filme VistaVision!

Mas, o que mais me impressionou na nova edição foi o som: de início, eu fiquei confuso com a transcrição da trilha sonora para Dolby Atmos, já que o som original em película projetada nos cinemas é mono frontal. A versão em Laserdisc mantinha este formato, se não me falha a memória, mas no DVD que ainda tenho o som já é estereofônico frontal.

Na nova edição, logo depois da música de abertura (imagem e áudio semelhantes ao DVD), o som se espalha na sala com uma ambiência exemplar. Todos os segmentos musicais passaram por uma remasterização com o aumento do surround, amplificando para as laterais frontais a magnifica orquestração dos notáveis Conrad Salinger e Johnny Green.

A restauração dos diálogos também é impecável. As vozes dos atores fora de cena foram mixadas no surround, dando uma linda tridimensionalidade às cenas. Na época em que filmes deste tipo foram feitos, as músicas eram gravadas por fora e dubladas em cena. A alta fidelidade das transcrições mostra com clareza a diferença de tonalidade na captura dos microfones dos vocais do estúdio de gravação, em comparação com os microfones dos sets de filmagem.

A demora deste lançamento foi absurda, mas compensou pela qualidade do disco apresentado. Sinceramente, eu não sei o que se passa no mercado de vídeo brasileiro, que se omite, cobra caro e disponibiliza poucos títulos em Blu-ray de algum interesse para colecionadores cinéfilos como eu.

Por outro lado, filmes rodados nas décadas de 50 e 60 são, em sua maioria, muito mais bem construídos do que os atuais. Assim, qualquer esforço no sentido de preservar os negativos e editar estas restaurações em um home vídeo compatível, vão encontrar uma significativa receptividade em qualquer um que guarda o seu lado afetivo com o cinema. [Webinsider]

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Trilhas sonoras de filmes antigos rejuvenescidas pela remixagem

Lili, uma pequena obra prima dos áureos tempos da MGM

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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