Filmes que já deveriam ter sido lançados em Blu-Ray

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Os esforços de restauração de filmes para lançamentos em disco de boa qualidade seguem avançando, mas ainda há muitos títulos que merecem esta graça. 

 

Depois da quase interminável disputa entre o HD-DVD e o Blu-Ray, com a prevalência deste último, era de se esperar uma visita rigorosa aos catálogos das companhias de cinema, não só da América, mas da Europa também, fosse feita.

O processo de recuperação de negativos se estende há décadas, com um consumo financeiro considerável. Vários cineastas, como Martin Scorcese, por exemplo, fizeram campanha para que os arquivos das produtoras fossem vasculhados e depois recuperar o que fosse possível. E assim foi feito, e este esforço aumentou mais ainda, com o desenvolvimento de programas capazes de recuperar negativos antes considerados quase impossíveis de restaurar. Neste momento, as versões em 4K tem se beneficiado muito das novas restaurações, com intermediários digitais refeitos em 4K ou acima.

Eu tenho uma lista de filmes no site Blu-ray.com, no qual me inscrevi, que foi elaborada com a expectativa de ver aqueles filmes relançados em algum momento do futuro, caso haja alguma perspectiva para que isso aconteça. Veja que lançamentos são incertos, porém volta e meia a gente tem surpresas!

A lista pessoal desejada

À guisa de exemplo das motivações pelas quais os títulos daquela lista estão lá à espera de vê-los à luz do dia em Blu-Ray, 2K ou 4K, vou citar, a seguir, alguns deles:

1 – As Sandálias do Pescador: este filme inaugurou o Metro-Boavista, com suntuosa projeção em Dimensão 150. Logo na Abertura, com as cortinas da tela fechadas, pode se sentir a magnífica e majestosa trilha sonora de Alex North, anunciando o drama que iria se ver na tela.

2 – Can Can: filmado em Todd-AO, o filme foi exibido quando o cinema Ópera havia acabado de instalar um sistema moderno de projeção em 70 mm. Trata-se de uma comédia musical ingênua, mas muito agradável de se assistir, com uma excelente lista de músicas do notável compositor Cole Porter, um dos meus favoritos.

3 – Lili, Minha Adorável Espiã: eu tinha ido ao cinema à tarde, já em um lamentável momento que os cinemas ficavam vazios, com o público se esvaindo cada vez mais. Quando eu entrei na sala do Cinema Tijuca, eu me vi quase sozinho. O filme começa com Julie Andrews cantando “Whistling Away The Dark”, em ambiente escuro, e aos poucos se nota que ela está em um palco de teatro, em plena primeira guerra mundial. Esta cena sozinha vale o filme, visto na tela em glorioso 70 mm. Até hoje, eu tenho a mesma sensação de estar sentado sozinho vendo o filme em um cinema sem público!

4 – Adeus, Mr. Chips: exibido em Dimensão 150 no Metro-Boavista, o filme conta com a sensibilidade do ator Peter O’Toole, no papel de um professor tímido, pouco apreciado por seus alunos, que o acham monótono. Mas, a sua vida muda radicalmente, quando ele conhece e se casa com uma cantora de teatro, que abandona tudo para dar apoio a ele. O filme foi uma refilmagem de outro do mesmo nome, lançado em 1939, ironicamente já lançado em Blu-Ray como parte da Archive Collection da Warner. O novo filme mostra uma bela e autêntica estória de amor, entre duas pessoas que poderiam ser um improvável casal. Este filme é um daqueles que tem um dos finais mais bonitos já filmados.

5 – Ardil 22: uma excelente comédia dirigida pelo icônico diretor Mike Nichols, mostra como o ardil 22 funciona, durante a guerra. O bombardeador Yossarian faz de tudo para ser taxado de insano e assim dispensado de continuar voando em missões perigosas, mas isso nunca iria dar certo, porque somente um soldado insano poderia estar lutando em uma guerra tão perigosa, e se ele não for insano estará apto para voar também. O filme é uma paródia brilhante, uma das obras antiguerra mais interessantes já feitas, típicas daquele momento do cinema americano, e tratando drama com um senso de humor indescritível. Orson Welles tem uma pequena participação no filme, mas em uma das cenas mais hilárias que eu já vi em uma comédia deste tipo. Há um lançamento previsto agora, mas sem data, para variar.

6 – A Moedinha do Amor: o filme inaugurou o Cinema Bruni-Tijuca, da empresa Darze Cinemas, com projetores Incol 70/35. O teatro musical inglês tem longevidade e tradição, muito antes do que as peças montadas na Broadway. Eu tive que esperar a segunda semana de exibição, para conseguir entrar, tal o afluxo de público que correu lá para ver o filme. Ficou na minha memória devido à inauguração do Bruni-Tijuca, um daqueles cinemas da Praça Saens Peña que terminou os seus dias completamente destruído.

A propósito, este filme custou a ser lançado em DVD, apesar das campanhas de fãs e colecionadores nos fóruns da Internet. Na época, comentava-se que um certo executivo da Paramount detestava o filme. Coincidência ou não, este cidadão foi despedido, e logo a seguir o filme foi lançado em disco. Na pesquisa feita nos arquivos da Paramount, descobriu-se que a trilha sonora estereofônica estava intacta!

7 – O Álamo: John Wayne se arriscou em dirigir um western, e o fez com maestria, mas não sem ser açodado por John Ford, seu antigo mentor, que rondou os sets, achando que iria codirigir o filme. O Álamo foi filmado em Todd-AO, um projeto ambicioso, que cobre a resistência de um grupo de soldados à invasão do Texas pelo exército mexicano. O filme é longo, cerca de 2 horas e quarenta minutos, sem falar nas mais de 3 horas, na versão do diretor, mas a narrativa é dinâmica e prende a atenção.

Eu vou parar a minha lista por aqui, até porque a expectativa de novos títulos dos acervos aparentemente nunca irá parar, não só para mim, mas para qualquer colecionador e fã de cinema.

Observações sobre esta lista

Todos os filmes citados acima foram lançados em DVD, cujas cópias estão nas minhas prateleiras. Em alguns casos, eu tive que importar a versão inglesa, por se tratar de uma transcrição anamórfica (16:9). Ou porque, até o momento da compra, o DVD sequer tinha sido lançado na América. Aliás, isto aconteceu também por aqui, com vários discos DVD que saíram bem antes de lá, para se ver como o nosso mercado de home vídeo atual caiu de qualidade.

Nas TVs 4K com bons processadores de vídeo, ainda assim é possível assistir esses DVDs com uma qualidade razoável, devido ao upscaling para 2160p, um aprimoramento que parte do reprodutor e se completa na tela da TV. O som também não compromete, porque as trilhas Dolby Digital são realçadas e aprimoradas dentro de um bom receiver.

Notem que, no passado, vários desses filmes, também foram aprimorados, sendo filmados em Panavision 35 mm e depois ampliados para 70 mm, no caso de As Sandálias do Pescador, mais ainda com a projeção em D-150.

Idealmente, a gente estaria vendo estas restaurações dentro dos cinemas e não em casa. Mas, a nossa realidade é cruel, as salas que nós frequentávamos destruídas ou impossíveis de recuperar como auditórios de cinema. Por isso, a única saída que nós colecionadores temos é torcer para o lançamento de qualidade, que justifique a importância desses filmes através dos tempos. [Webinsider]

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A projeção em Dimensão 150, o D-150

Cinemas de rua com 70 mm

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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