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A coleção de filmes em disco continua até hoje e muitas vezes o colecionador precisa trocar a mídia por outra melhor.

 

No início dos meus primeiros acessos à Internet, circa 1994, não tardou muito e foram abertos sites contendo listas de discussões sobre assuntos diversos. Eram poucas pessoas participando e o ambiente era de bom nível. Então, eu aderi ao Home Theater Forum, que ainda existe até hoje. Lá eu conheci muita gente boa, entusiastas como eu. Houve um momento quando um dos membros postou um texto enorme sobre a “importância cultural” de colecionar filmes.

Ora, antes do home theater como o conhecemos hoje, filmes eram exibidos em 16 mm, em casa ou em cineclubes, e raramente alguém comprava uma cópia de qualquer filme, a maioria exibida era alugada nas distribuidoras.

Com o advento do home theater passou a ser possível ter filmes em casa, com custo acessível, e assim a antes inimaginável coleção de filmes se tornou uma realidade!

Lá pelo meio da década de 1980 eu pensei em colecionar filmes também, mas a falta de grana me empurrou para trás, porque a mídia de boa qualidade (LaserDisc) era absurdamente cara e o formato VHS sempre deixou muito a desejar.

Um dos fatores que, ao longo do tempo, estimulou colecionadores a montar um home theater foi o das trilhas sonoras: o Dolby Stereo é um formato matricial, 2 canais se desdobrando em 4, em total compatibilidade com estéreo e mono. Assim, a mídia estereofônica convencional podia ser reproduzida com 3 canais na frente e um canal mono surround. Rapidamente, os laboratórios Dolby passaram a oferecer decodificadores chamados de Dolby Surround, disponíveis até em televisores

O Dolby Surround consistia de um circuito passivo, era limitado, e foi depois substituído por outro circuito ativo, que levou o nome de Dolby ProLogic. Antes disso, muita gente fez uso de um circuito Hafler, também passivo, mas muito melhor do que o Dolby Surround.

Formatos da coleção

Na linha do tempo, as mídias mudaram, melhorando paulatinamente a qualidade de imagem e som. Ao longo dos anos, os formatos que usei foram:

LaserDisc/VHS/Super VHS → DVD → Blu-Ray 2K → Blu-Ray 4K

O filme em videocassete VHS foi lançado no mercado de vídeo em 1976 pela JVC, tendo concorrência com o Betamax, da Sony, que era melhor, e já estava firme neste segmento um ano antes. A Sony foi pioneira, mas perdeu a concorrência com o formato VHS, por duas razões básicas: a duração da fita era limitada a 1 hora, e pela jogada de marketing da JVC, que licenciou o VHS para todos os outros fabricantes.

O LaserDisc, nome dado pela Pioneer ao vídeo disco, foi lançado pela Philips em 1978, com o nome de DiscoVision, que foi o primeiro disco ótico contendo filmes.

discovision e laserdisc

A leitura ótica no vídeo disco era um importante avanço tecnológico, pela ausência dea reprodução com um agulha e cápsula, como acontecia com os elepês. A RCA lançou este último formato com agulha, com o nome SelectaVision, em 1981, mas em 1986 abandonou o formato.

A Philips também teve inúmeras dificuldades com o DiscoVision, porque ele era um produto caro para produzir e constantemente com defeitos de prensagem, resultando em uma imagem cheia de artefatos e som com alto nível de ruído.

Até 1981, a Philips tinha uma parceria com a MCA, mas devido ao alto custo da mídia e desta parceria, a Philips cedeu lugar à Pioneer, que assumiu a prensagem e a venda dos discos, agora com o nome de LaserDisc.

Originalmente, o vídeo disco fora projetado com sinal analógico, tanto para vídeo quanto para o áudio, este último em dois canais com som idêntico ao VHS, por FM. O ruído do som foi eliminado com a introdução do sistema de ruído da CBS chamado de CX. Posteriormente, após o CD ter sido lançado, o disco da Pioneer ganhou som PCM, de alta qualidade.

Mas, o maior avanço em áudio foi a inclusão do Dolby Digital e do DTS, o primeiro ganhando do segundo por usar apenas um canal analógico, e assim mantendo intacta a trilha PCM estéreo. O primeiro LaserDisc ,lançado em 1995, foi o do filme “Clear And Present Danger”. Nos discos com Dolby Digital, um trailer (“City”) era apresentado antes do filme:

A modulação do sinal 5.1 era feita em ambiente analógico, com o sinal em RF (Rádio Frequência), o que obrigava o uso de uma interface de conversão deste sinal antes de ser enviado ao decodificador.

A linha do tempo para os colecionadores

A maioria dos colecionadores que conheci seguiram uma linha do tempo similar à descrita acima, e pelo menos dois deles mantiveram os primeiros formatos, com amplo número de LaserDiscs. Estes desapareceram aos poucos na década de 1990, por causa não só do alto custo, mas porque fora substituído pelo DVD, com melhor imagem e som. A propósito, o DVD ainda é vendido e colecionado até hoje, não sei por que motivo.

Na minha coleção, eu abandonei o LaserDisc após muitos anos, os que ficaram eu os doei a amigos e joguei fora todos os videocassetes, inclusive os Super VHS. Nunca me arrependi, embora lamentando, como sempre, a perda de conteúdo que eu nunca vi em outro formato.

O “double-dipping

A indústria de filmes em disco prosperou até mesmo no Brasil. A fábrica da CBS, que antes se dedicava a cortar e prensar elepês, passou a fazer DVDs, inicialmente destinados ao mercado norte americano (região 1). Lá a própria CBS começou a lançar filmes com legendas em português!

Com a entrada oficial dos discos no Brasil (região 4), os fabricantes de reprodutores de mesa nacionais começaram a vender aparelhos capazes de ler as duas regiões, facilitando desta maneira a vida dos colecionadores. Eu vi várias vezes técnicos da Philips nas lojas desbloqueando seus aparelhos para os clientes. As fórmulas de desbloqueio pipocaram pela Internet afora, qualquer um podia se servir delas.

Foi mais ou menos por esta época em que colecionadores começaram a almejar trocar as mídias antigas pelas mais novas, que ofereciam melhor qualidade de imagem e som.

Nos fóruns americanos surgiu a expressão “double dipping” ou “double dip”, como alguns diziam. Dip significa literalmente “mergulho”, mas neste caso passou a ser uma gíria para dizer que o colecionador iria comprar o mesmo filme de antes pela segunda vez. O double-dipping passou a ser uma prática constante a partir da fabricação do DVD e se tornou ainda mais intensa quando o Blu-Ray apareceu no mercado.

Mas, ao mesmo tempo, esta prática, além de ser economicamente pouco saudável, leva também ao questionamento, por parte do colecionador, se vale ou não a pena investir em uma nova mídia.

Pessoalmente, eu nunca tive dúvida de que a substituição do DVD pelo Blu-Ray foi importante e necessária, porque o salto de qualidade na imagem justificou a substituição da mídia, principalmente naqueles filmes de maior impacto na coleção já feita.

Uma das coisas que prejudicou muito o DVD foi a do uso de matrizes em vídeo feitas para o LaserDisc, sem nenhuma adaptação para a resolução obtida naquela nova mídia. Na Internet houve protestos pelos fóruns que duraram um longo tempo, porque o DVD já permitia o emprego de transcrição anamórfica (16:9), ao invés do formato “letterbox”, que era 4:3 com barras pretas ao redor do fotograma, nitidamente incompatível com a qualidade de imagem pretendida.

Com a chegada do Blu-Ray 4K a situação do double-dipping muda radicalmente de figura e o questionamento com a pergunta se “vale a pena?” passou a ter precedente!

As razões do questionamento são várias: uma delas se refere ao uso de matrizes de vídeo (DI) em 2K com aprimoramento digital (upscaling) para 4K. O resultado nem sempre compensa!

Com um reprodutor de mesa de boa qualidade, a imagem 1080p sofre este mesmo processo de aprimoramento e, simultaneamente, uma TV 4K avançada, isto é, com chipset de processamento de vídeo de última geração, faz o mesmo.  Com isso, as diferenças de imagem entre 2K e 4K ficam às vezes, imperceptíveis;

Outro fator de questionamento sobre a troca é, por incrível que pareça, o tratamento por HDR, presente na versão 4K. Um aprimoramento mal feito na imagem pode prejudicar a visualização do detalhamento das zonas de sombra, que normalmente é obtido pelo HDR ou pelo Dolby Vision.

Não menos importante é a trilha sonora. Em muitos lançamentos 4K o som é o mesmo das versões 2K, o estúdio trocando “6 por meia-dúzia” literalmente. Na minha opinião, é um desperdício de recursos, porque a remasterização por codecs 3D pode fazer, e normalmente faz mesmo, uma enorme diferença. Em raros casos, a reprodução 3D emulada por Dolby Surround e DTS Neural:X são virtualmente idênticas ao Dolby Atmos e DTS:X, respectivamente. Isto torna as versões 2K e 4K apresentadas com trilhas muito parecidas.

O julgamento sobre a troca de mídia cabe, evidentemente, ao colecionador. Notem que muitas vezes filmes em disco são comprados, mas depois largados nas prateleiras, ficando sem uso por um longo período. Em situações como estas, a troca de mídia nem sempre compensa o prejuízo financeiro.

Antes de terminar, um último comentário: a coleção de discos de música sempre foi diferente. Muitos audiófilos desprezaram o CD, alguns que eu conheci só aderiram a ele depois de muitos anos colecionado elepês. Para mim, a transição de vinil para CDs sempre foi inquestionável. A mídia digital foi aprimorada para DVD-Audio e SACD, ambos dando a chance de se ouvir as matrizes mais próximas das sessões de gravação, em múltiplos canais. Mas, este é um assunto longo e para outro texto. [Webinsider]

 

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Colecionando música em discos ao longo dos anos

Avatar de Paulo Roberto Elias

Paulo Roberto Elias é professor e pesquisador em ciências da saúde, Mestre em Ciência (M.Sc.) pelo Departamento de Bioquímica, do Instituto de Química da UFRJ, e Ph.D. em Bioquímica, pela Cardiff University, no Reino Unido.

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